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EVOLUÇÃO

Com Eternos, Marvel quebra tabus e prova que diversidade é um caminho sem volta

Divulgação/Marvel Studios

Ma Dong-Seok, Angelina Jolie, Richard Madden, Salma Hayek, Gemma Chan e Lia McHugh em cena de Eternos

Salma Hayek (centro) lidera o elenco de Eternos; filme da Marvel escancara importância da diversidade

ANDRÉ ZULIANI

andre@noticiasdatv.com

Publicado em 8/11/2021 - 6h15

Em 2021, o Universo Marvel completa 13 anos de existência e irá finalizar o ano com 27 filmes e cinco séries de TV (contando apenas as produções originais do Disney+). Durante a jornada, o estúdio patinou e demorou para encontrar espaço para diversidade, mas a estreia de Eternos (2021) quebra tabus e mostra que este é um caminho sem volta.

A falta de diversidade na indústria cinematográfica não é um erro exclusivo da Marvel nem aparenta estar próximo de ser resolvido. Há décadas, Hollywood sofre com críticas pela ausência de narrativas que explorem o mundo como ele é: plural.

Nos últimos anos, o debate acerca de tornar Hollywood --e a indústria como um todo-- mais inclusiva cresceu e se fortaleceu. Atores, diretores e profissionais não-brancos passaram a estampar as capaz de revistas e protagonizar filmes e séries com forte apelo popular.

No caso da Marvel, o caminho foi tortuoso e difícil. Decisões como a escalação de Tilda Swinton para viver a Anciã em Doutro Estranho (2016) --um personagem asiático nos quadrinhos-- foram amplamente criticadas, mas acabaram ofuscadas com o sucesso do universo compartilhado.

Isso começou a mudar com o lançamento de filmes como Pantera Negra (2018) e Capitã Marvel (2019). O sucesso destes títulos, que fizeram bilhões de reais em bilheteria, provou que o público que consome cultura pop evoluiu e que narrativas protagonizadas por mulheres e personagens negros vendem tanto (ou até mais) do que produções estreladas pelo chamado padrão "branco e heteronormativo".

Esta realidade ficou ainda mais escancarada com a chegada de Viúva Negra (2021) e Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis (2021). Os dois primeiros filmes da Marvel lançados na pandemia não chegaram a ter o mesmo retorno financeiro de seus antecessores --afinal, os cinemas passaram mais de um ano fechados ou com público reduzido. No entanto, os resultados foram positivos e ajudaram a consolidar esse novo caminho rumo à diversidade.

Divulgação/marvel studios

Makkari é a primeira heroína surda do MCU

Há quem diga que a Marvel "não fez mais do que a obrigação". De fato, tornar o mundo mais inclusivo é uma missão não apenas para os estúdios, mas para todas as empresas. O que merece ser destacado aqui, no entanto, é o avanço de um universo que, durante muito tempo, foi rotulado (com razão) por ser machista, racista e homofóbico.

Scarlett Johansson estreou como Viúva Negra em Homem de Ferro 2 (2010) e foi a primeira heroína do MCU, mas levou 11 anos para ganhar um filme solo. Em 2019, Brie Larson quebrou o tabu e se tornou a primeira mulher a estrelar um longa da Marvel com a estreia de Capitã Marvel, mas o feito também demorou mais de uma década para ser realizado.

Com Eternos, a Marvel prova que não há mais volta para o antigo "normal". De forma natural, o longa de Chloé Zhao introduz uma equipe de heróis que finalmente representa o mundo em toda a sua diversidade. Há mulheres e homens brancos, pretos e asiáticos --das mais diferentes etnias.

Com pequenos passos, o estúdio também usou Eternos como oportunidade para incluir a sua primeira cena de sexo (sem qualquer nível de erotismo) e não apenas apresentou o seu primeiro casal gay, como também incluiu o primeiro beijo entre pessoas do mesmo sexo.

Parece pouco, mas é um avanço significativo. Em Thor: Ragnarok (2017), o diretor Taika Waititi incluiu uma cena na qual Valquíria (Tessa Thompson) aparecia abrindo a porta de um quarto após ter relações com outra mulher. No entanto, a sequência for cortada da versão final do filme.

Sendo a Marvel uma empresa da Disney, a decisão de apostar na diversidade de Eternos surpreende ainda mais. Isto porque o estúdio não permitiu que Love, Victor, uma série com temática LGBTQIA+, fosse exibida no Disney+, serviço voltado para o público infanto-juvenil. O revival de Lizzie McGuire (2001-2004), também foi cancelado porque iria explorar a vida sexual da protagonista vivida por Hilary Duff.

Eternos ainda apresentou Makkari (Lauren Ridloff), a primeira heroína surda do Universo Marvel. Em diversas cenas, o longa apresenta os protagonistas se comunicando por linguagem de sinais --algo nunca antes visto no MCU. Isto voltará a se repetir em Gavião Arqueiro, já que a atriz Alaqua Cox irá interpretar Maya Lopez/Eco, outra personagem com deficiência auditiva dos quadrinhos.

Aos poucos, a Marvel vai tentando se encaixar nas diretrizes que estão tornando um mundo um lugar mais inclusivo. É um caminho árduo e cheio de buracos, mas a chegada de Eternos confirma que este é o único possível para aqueles que desejam continuar relevantes em uma indústria que clama por evolução.


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