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SEGREDO INDUSTRIAL

Reprises escancaram fórmulas prontas, repetições e autoplágio nas novelas

FELIPE MONTEIRO/GSHOW

O ator Klebber Toledo caracterizado como Romeu, coberto por lama, em cena de Êta Mundo Bom!

O vigarista Romeu (Klebber Toledo) é atirado em chiqueiro em Êta Mundo Bom!, novela de 2016

DANIEL FARAD

Publicado em 30/5/2020 - 6h22

Com mais de uma centena de capítulos, as novelas testam a criatividade dos autores para convencer o público a acompanhá-las durante meses. Mas a onda de reprises causada pela pandemia de coronavírus mostra que os folhetins estão longe de ser um produto artesanal --as produções também seguem fórmulas industriais nem tão secretas assim.

Atualmente no Vale a Pena Ver de Novo, Êta Mundo Bom! (2016) deixa claro o estilo que consagrou Walcyr Carrasco na faixa das seis. Com doses de humor, um texto didático e personagens maniqueístas, o autor conseguiu bons números de audiência para a Globo tanto em sua exibição original quanto em sua primeira reapresentação.

A história de Candinho (Sergio Guizé) teve um tamanho avantajado para o atual padrão da emissora nos folhetins do horário, que tendem a ser cada vez menores. Para preencher os 190 capítulos e evitar a "barriga", jargão para os momentos da trama em que nada de relevante acontece, o escritor abusou das autorreferências.

Diversas narrativas são bastante similares a outras que fizeram sucesso em outras novelas de Carrasco. Zé dos Porcos (Anderson Di Rizzi), por exemplo, atira os seus desafetos no chiqueiro, da mesma forma que Crispim (Emilio Orciollo Neto) fazia em Alma Gêmea (2006).

Walcyr ainda trouxe as guerras de comida de Chocolate com Pimenta (2003) e apostou novamente em um porco como animal de estimação, tal qual Januário (Taumaturgo Ferreira) em O Cravo e a Rosa (2000). A ideia de um mascote suíno ainda foi reaproveitada posteriormente como a companheira de Britney (Glamour Garcia) em A Dona do Pedaço (2019). 

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

A dupla Max (Pablo Sanábio) e Lu (Julianne Trevisol) em cena de Totalmente Demais (2014) 


Processo fabril

Apenas alguns meses separaram o último capítulo de Bom Sucesso (2019) da reprise de Totalmente Demais (2015), ambas assinadas por Paulo Halm e Rosane Svartman. Algumas situações chamam a atenção pela repetição de um padrão, como a dupla formada por uma jovem trabalhadora e seu amigo gay.

Lu (Julianne Trevisol) e Max (Pablo Sanabio) parecem ter sido repaginados na forma de William (Diego Montez) e Giselle (Sheron Menezzes) em 2019. Além de dividirem o apartamento, os parceiros também se apoiam em seus deslizes amorosos, especialmente se existe um cafajeste como Rafael (Daniel Rocha) ou Diogo (Armando Babaioff) na parada.

A estrutura das novelas também é parecida, com a troca do casal principal no meio da história. Se Eliza (Marina Ruy Barbosa) teve química com Arthur (Fabio Assunção), o mesmo não aconteceu com Paloma (Grazi Massafera) e Alberto (Antonio Fagundes). O público rejeitou a aproximação amorosa da costureira com o livreiro, e obrigou os autores a mudarem seus rumos.

A reta final com um clima mais soturno também é observada nos dois casos, com o assédio de Dino (Paulo Rocha) e as chantagens de Elias (Marcelo Faria). Ainda há a volta dos vilões que não foram, já que Diogo fez sua homenagem a Sofia (Priscila Steinman) e reapareceu vivo depois de ser dado como morto.

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Tereza Cristina (Christiane Torloni) prestes a fazer mais uma vítima em Fina Estampa (2011)


Colcha de retalhos

Esse processo de repetição de tramas é ainda mais claro no trabalho de Aguinaldo Silva, que já escreveu novelas com mais de duas centenas de capítulos, como Roque Santeiro (1985) e Senhora do Destino (2003). Cheio de amor-próprio, o novelista costuma buscar na própria obra a inspiração para preencher as milhares de cenas, principalmente as de Fina Estampa (2011).

Uma de suas principais obsessões são funcionários capachos, como Crô (Marcelo Serrado) e Baltazar (Alexandre Nero), que encontram ecos em Sampaio (Marcello Novaes), de O Sétimo Guardião (2017).

E, se Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) serviu de inspiração para Tereza Cristina (Christiane Torloni), a "divina Ísis" recebeu uma nova roupagem para se transformar na Maria Marta (Lilia Cabral) de Império (2014). Haja amor próprio!

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