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ANO COMPLICADO

Incomodada em 2020, Globo terá trabalho para retomar protagonismo no esporte

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Galvão Bueno em transmissão do futebol da Globo, de terno azul marinho, olhando para o lado esquerdo

Galvão Bueno em transmissão na Globo, que terá de retomar protagonismo nos eventos esportivos

RICARDO MAGATTI

ricardo@noticiasdatv.com

Publicado em 28/12/2020 - 7h10
Atualizado em 28/12/2020 - 15h24

Maior emissora do país, a Globo viveu um de seus piores anos em termos financeiros e, por isso, teve de abrir mão de competições importantes, como a Libertadores da América. Além disso, a líder de audiência segue sem poder transmitir os jogos fora de casa da Seleção Brasileira nas Eliminatórias. Em resumo, perdeu parte do protagonismo no esporte, foi incomodada por rivais e terá muito trabalho para deixar o cenário a seu favor em 2021.

Pela primeira vez neste século, a Globo deixou importantes eventos esportivos ao alcance da concorrência, e perdeu alguns deles. Alegou que os direitos de transmissão não condizem com a realidade de um mundo em pandemia. Acabou provando do próprio veneno, já que ela mesma tinha inflacionado os direitos de transmissão a partir dos anos 1990.

O Grupo Globo foi prejudicado pela pandemia da Covid-19, ficou com as receitas publicitárias reduzidas e se viu obrigado a cortar gastos em 2020. No Esporte, não foi diferente. Não conseguiu manter os pagamentos e teve de rever seu "portfólio de direitos", ficando com um futebol capenga, sem jogos da Libertadores, e partidas da Seleção Brasileira como visitante nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022 --exceto diante da Argentina.

Pela Libertadores, a emissora acabou dando um tiro no pé ao tentar baixar os valores que pagava e retomar o acordo por um valor menor com a Conmebol.  O blefe custou caro, a entidade fechou com o SBT até 2022 e ainda criou um pay-per-view que conta com a equipe de transmissão da Band. A Sul-Americana também está fora do SporTV na TV paga, isso desde 2019. Dessa maneira, a empresa ficou sem os dois maiores torneios de futebol da América do Sul.

O Campeonato Carioca também não pode mais ser visto nas telas da Globo e do SporTV. Isso porque a líder de audiência rompeu o contrato com a Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro) e com os 11 clubes depois que o Flamengo, com o qual não tinha acordo, resolveu exibir uma partida em seu canal no YouTube. Em 2021, ainda não está definido que emissora ou plataforma transmitirá o torneio do Rio de Janeiro.

Além disso, em 2020, a Globo se envolveu em disputas judiciais intensas com a Turner. Tudo por causa da Medida Provisória 984, editada pelo presidente Jair Bolsonaro em junho, que alterou a Lei Pelé ao permitir que os clubes mandantes negociassem os direitos de transmissão de suas partidas.

A MP do Mandante, como é chamada, caducou e não foi apreciada no Congresso. Antes disso, a emissora conseguiu impedir a Turner de exibir jogos do Campeonato Brasileiro envolvendo times com os quais não tinha contrato. No fim, nesse caso, o prejuízo foi mínimo.

Seleção Brasileira

O torcedor acostumado a ver a Seleção Brasileira na Globo viveu uma situação incomum: a emissora não exibiu um duelo do Brasil pela primeira vez desde 2017. A partida em questão foi contra o Peru, em Lima. O confronto acabou sendo televisionado pela TV Brasil, emissora estatal, após um acordo costurado às pressas.

Nas Eliminatórias da Copa do Mundo, ao contrário do que ocorria em temporadas anteriores, quando uma emissora acertava com a Conmebol a compra pelo pacote total de partidas, agora é necessária a negociação com a seleção mandante.

Como o Grupo Globo só possui acordo com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e a AFA (Associação do Futebol Argentino), as partidas como visitante de Brasil e Argentina não poderão ser exibidas na Globo e no SporTV, que não transmitiraram nenhum confronto da segunda e quarta rodadas do torneio, incluindo Uruguai 0 x 2 Brasil --o jogo só foi transmitido na TV paga, pelo EI Plus.

Os confrontos do Brasil com Paraguai, Colômbia, Chile, Equador, Bolívia e Venezuela fora de casa ainda são uma incógnita. O Grupo Globo negocia com as respectivas confederações e é possível que chegue a um acordo para as próximas rodadas. A seu favor para um desfecho positivo está o tempo, já que o time de Tite volta a jogar apenas no fim de março.

Copa do Mundo

A líder audiência corre risco de ficar sem a Copa do Mundo de 2022, no Qatar. Em junho, a emissora deixou de pagar uma parcela de US$ 90 milhões (R$ 474 milhões, na cotação atual) e acionou a Fifa na Justiça suíça para renegociar o contrato por direitos de 2015 a 2022, no valor total de US$ 600 milhões (R$ 3,1 bilhões), boa parte já pagos. 

A Globo entrou com a ação com a justificativa de que o valor dos direitos de transmissão "tornou-se desequilibrado e oneroso demais", sobretudo após a pandemia de Covid-19, que afetou contratos de publicidade e suspendeu e cancelou competições de futebol que aconteceriam neste ano.

O imbróglio está longe do fim, mas, por enquanto, a Globo vem obtendo vitórias na Justiça para adiar esse pagamento. Além disso, mesmo em meio à guerra com a Fifa, vai transmitir o Mundial de Clubes, disputado entre 1º e 11 de fevereiro de 2021, no Qatar. O torneio, tradicionalmente realizado em dezembro, foi remarcado por conta do adiamento das competições continentais em virtude da pandemia.

Fórmula 1

Uma possível boa notícia para a Globo em 2021 é que a emissora está próxima de renovar o acordo com a Liberty Media, dona da Fórmula 1, para continuar exibindo as corridas da principal categoria do automobilismo mundial nos próximos anos.

A Rio Motorsports chegou a comprar os direitos de transmissão depois que a Globo anunciou em agosto que o vínculo não seria renovado, mas a Fórmula 1 rompeu o contrato com o consórcio em novembro e voltou a negociar com a Globo. 

A emissora deixou claro que os valores para um acerto seriam menores do que eram pagos anteriormente e, como os concorrentes não conseguem oferecer nada melhor, neste momento é a favorita para assinar o acordo e seguir exibindo as provas nas manhãs de domingo, algo que já fez desde os anos 1980.


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