Sem sentido

Segundo Sol termina esquizofrênica com incesto ignorado e delírio do autor

Fotos: Reprodução/TV Globo

Rosa (Letícia Colin) e Valentim (Danilo Mesquita) ficaram  juntos e 'grávidos' no final da novela das nove - Fotos: Reprodução/TV Globo

Rosa (Letícia Colin) e Valentim (Danilo Mesquita) ficaram juntos e 'grávidos' no final da novela das nove

MÁRCIA PEREIRA - Publicado em 09/11/2018, às 23h13

Falta de história, mudanças sem sentido no rumo dos personagens e fingir que é normal tio e sobrinha transarem são as marcas deixadas por Segundo Sol. Até a vilãs amadas pelo público viraram reféns de um desfecho batido. Entre os "delírios" do autor João Emanuel Carneiro, o mais sofrível foi separar o casal mais shippado da trama e fazer de Valentim (Danilo Mesquita) o "corno do século camarada", como ele se definiu lá atrás. 

O último capítulo, porém, teve boas sacadas, como um beijaço gay tratado com naturalidade, sem alarde. Groa (André Dias) e seu "boy magia" surgiram no no meio do bloco pré-carnavalesco Axé Pelô trocando carinhos. 

Só para variar, as falas debochadas de Laureta (Adriana Esteves) mostraram que sua língua afiada foi o grande acerto da novela das nove. Na cadeia, ela virou rainha, com direito a secretária e muitas regalias. Mas Carneiro conseguiu segurar uma surpresa: a cafetina saiu do presídio pronta para fazer política em Brasília. Afirmou que os crimes dos quais era acusada era tudo "fake news".

Groa (André Dias) beijou 'boy magia' em bloco que homenageou Beto (Emilio Dantas)

A semana decisiva da novela começou com a revelação de que Karola (Deborah Secco) é filha de Laureta e Severo (Odilon Wagner). Apesar da pouca diferença de idade entre Deborah e Adriana (dez anos), isso não seria tão absurdo se a cafetina não tivesse prostituído a própria filha e incentivado ela a manter um caso com o seu tio, Remy (Vladimir Brichta), por mais de 20 anos. 

Aliás, essa derrapada no enredo ficou ainda pior porque todos os personagens ignoraram o incesto entre tio e sobrinha.Pelo contrário. Beto (Emilio Dantas) até incentivou o irmão a ficar com sua ex-mulher. Deu a bênção para o casal

O troca-troca em família foi recorrente. Do patriarca Dodô (Jose de Abreu) ao neto Valentim, os homens da família Falcão mostraram que namorar cunhada ou amante do pai não é empecilho para nenhum relacionamento.

Na família Athayde, a mesma coisa. Todo mundo "pegou" todo mundo sem problemas. Sem par, Rochelle (Giovanna Lancellotti) teve de se contentar com Narciso (Osmar Silveira), o ex-traficante que a trocou por Manuela (Luisa Arraes) e comprou briga feia com os pais por causa da filha de Luzia (Giovanna Antonelli).

Karola (Deborah Secco) morreu baleada pela própria mãe e para salvar a vida de Valentim

Se os personagens tivessem personalidades mais liberais, tudo bem. O problema é que as tramas ficaram rodando em círculos, como se ninguém tivesse capacidade de ter uma vida fora do núcleo familiar. 

Quando decidiu dar uma guinada diferente na trajetória dos personagens, a mudança foi esquizofrênica. Laureta atirou no próprio irmão e enterrou a mãe sem derramar uma lágrima. Como ela poderia ser uma assassina e sequestradora em nome do suposto amor que tinha pela filha? Quem engoliu isso?

Reluzente e doida demais
Dulce (Renata Sorrah) foi um alívio para a trama desgastada e cansativa na reta final. Mas não tinha necessidade ela terminar daquela forma. Do nada, ela quis impedir Laureta de transformar "sua netinha" em bandida. Mas Karola já era uma ladra de bebê. Dulce saiu dirigindo, inclusive mostrando que nunca tinha feito isso antes.

Dulce (Renata Sorrah) fez "viagem psicodélica ao passado", morreu e foi enterrada no quintal 

Fez uma "viagem psicodélica" mentalmente ao seu passado, bateu o carro e morreu. Sua filha e neta aparecerem enterrando o corpo no quintal de casa foi bizarro. O autor chutou o balde no penúltimo capítulo de Segundo Sol.

Audiência em queda
A falta de força e de apelo da história fez a audiência da Globo no horário nobre cair em comparação aos números das duas antecessoras de Segundo Sol.

A Força do Querer registrou média de 35, 9 pontos no Ibope na Grande São Paulo até o penúltimo capítulo. O Outro Lado do Paraíso teve 38,5 pontos no mesmo período. Já Segundo Sol marcou 33,5 até o capítulo de quinta (8). 

O desempenho é cinco pontos a mais do que o último trabalho do autor, A Regra do Jogo (2015). Mas também mostra que Carneiro ficou cinco pontos longe de atingir os 38,7 alcançados por Avenida Brasil em 2012, novela considerada um fenômeno. 

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