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MUDANÇA DE ROTA

Após trimestre do terror, Netflix 'esquece' Brasil e mira Ásia para crescer

DIVULGAÇÃO/NETFLIX

Alessandra Negrini e Marco Pigossi em cena de Cidade Invisível, série nacional da Netflix

Alessandra Negrini e Marco Pigossi na série nacional Cidade Invisível; Netflix indica mudança de rota

LUCIANO GUARALDO e VINÍCIUS ANDRADE

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 26/4/2021 - 7h10

Depois de disparar no número de assinantes no início de 2020, impulsionada pelo fato de a pandemia ter mantido as pessoas em casa, a Netflix teve um primeiro trimestre do terror neste ano: a plataforma ganhou apenas 3,9 milhões de clientes no mundo todo entre janeiro e março. Na América Latina inteira, foram só 350 mil. Com o crescimento no Brasil estagnado, a gigante mira a Ásia para não congelar de vez.

Segundo dados revelados pela Netflix em reunião com acionistas na semana passada, a expectativa era de que a plataforma ganhasse 6 milhões de assinantes no primeiro trimestre. Mas até essa previsão considerada conservadora --visto que, no mesmo período do ano passado, haviam sido 15,8 milhões-- se mostrou errada. Ela conseguiu apenas 3,9 milhões, para agora somar 207,6 milhões de clientes no mundo todo.

Como errar uma previsão dessas tem efeitos devastadores no preço de suas ações na Bolsa de Valores, a empresa decidiu ser ainda mais precavida: para o segundo trimestre, de abril e junho, ela espera crescer apenas 1 milhão. Estagnou, e atribui a isso o crescimento acima do normal no início da pandemia.

"Acreditamos que o número de assinaturas desacelerou devido ao grande avanço registrado em 2020 por causa da Covid-19 e ao conteúdo mais escasso no primeiro semestre deste ano, motivado por atrasos nas produções por causa da pandemia. Mas continuamos prevendo um segundo semestre forte, com novas temporadas de nossos maiores sucessos e uma lista empolgante de filmes", declarou a companhia em carta aos acionistas.

"A curto prazo, há alguma incerteza por causa da Covid-19. A longo prazo, a ascensão do streaming para substituir a TV linear no mundo todo é a tendência clara no entretenimento", continuou a Netflix na mensagem.

Cadê o Brasil?

País que já foi alvo dos principais investimentos da gigante do streaming fora dos Estados Unidos e da Inglaterra, o Brasil tem cada vez menos projetos roteirizados em produção. Projetos que tinham sido anunciados, como Futebol, foram abortados na surdina, e o futuro de séries como Boca a Boca, Reality Z e Coisa Mais Linda ainda é incerto.

Atrações em desenvolvimento, como Maldivas (com Bruna Marquezine e Manu Gavassi), tiveram suas gravações paralisadas por causa da pandemia. Aliás, a crise de saúde fez o Brasil se tornar um destaque negativo na reunião da Netflix --a plataforma já retomou suas gravações no mundo todo, exceto em dois territórios: a Índia e o país governado por Jair Bolsonaro. 

A Netflix não divulga o número de assinantes em cada país, mas especialistas ouvidos pelo Notícias da TV estimam que o Brasil tenha entre 17 e 19 milhões de clientes. Um dado que a empresa confirma é que a América Latina soma 37,8 milhões --o mercado especula que entre 45% e 50% desses estejam em território tupiniquim. O cálculo, diga-se passagem, é otimista: na população total, o Brasil corresponde a cerca de 32% do bloco.

Mas, se essa projeção for acurada, isso significa que nos primeiros três meses deste ano, pouco mais de 150 mil brasileiros teriam assinado a Netflix. Um número pequeno demais para um país que já foi a menina dos olhos da companhia.

O problema para o Brasil é que a América Latina, de maneira geral, tem deixado a Netflix na mão na hora de crescer. De abril de 2020 a março deste ano, a região anotou menos de 2 milhões de novos assinantes. Nos mesmos 12 meses, a chamada Apac (bloco que reúne Ásia e Pacífico) registrou 4,4 milhões, e a Emea (Europa e Oriente Médio) saltou mais de 7 milhões. 

Na Apac o streaming ainda encontra muito mais clientes em potencial para oferecer seus serviços: quatro dos cinco países mais populosos do mundo estão na região (China, Índia, Indonésia e Paquistão). Apenas nesses quatro territórios, são mais de 3,2 bilhões de pessoas. Com tamanha possibilidade de crescimento, e os números indicando o interesse pela plataforma por lá, investir é essencial.

"Nossa confiança na Coreia do Sul, na Índia e no Japão deriva do sucesso do que fizemos até agora, e isso nos deixa cada vez mais próximos do mercado ideal. Já vimos que nossas séries coreanas e animes japoneses funcionam muito bem, tanto naquela região quanto no resto do mundo", discursou Ted Sarandos, chefe de conteúdo, na reunião da semana passada.

"E você pode ver isso nos números divulgados também. A Apac representou um terço do nosso crescimento de assinantes no trimestre e também trouxe números sólidos de receita, inclusive no faturamento médio por cliente", completou Spencer Neumann, diretor financeiro da Netflix.

Mudança de rota

Com a desaceleração no número de assinantes, os chefões da gigante do streaming também mudaram seu discurso quanto a concorrência com outros serviços, como Prime Video, Disney+ e, no Brasil, Globoplay. Agora, Ted Sarandos, Reed Hastings e companhia já falam que a quantidade de clientes não é mais o único fator a ser levado em conta.

"Ao comparar serviços, o número de assinantes só conta uma parte da história (pois há bundles, descontos e outras promoções), então é importante focar também em engajamento e receita como indicadores de sucesso. São eles que direcionam o investimento em ainda mais histórias incríveis para nossos clientes e o crescimento futuro. É nosso dever agradar tanto ao público na segunda-feira que, na terça, eles continuem conosco como a primeira opção de entretenimento", resumiu a empresa.

No evento para acionistas que apresentou os resultados do quarto trimestre de 2020, em janeiro deste ano, a conclusão era outra. Na ocasião, o número de assinantes não só era um critério fundamental como a empresa havia acusado o Disney+ de inflar seus índices para parecerem melhores do que de fato são. Agora, a expectativa do mercado é de que o streaming do Mickey Mouse supere sua maior rival em 2026.


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