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VÍTIMA DA PANDEMIA

2020 ficará conhecido como o ano em que o streaming matou o cinema?

Divulgação/Pixar

Cena da animação Soul, do Disney+, mostra almas (algumas com ar de Picasso) em um cenário em tons de azul e roxo

Almas se reúnem em cena da animação Soul, que o Disney+ disponibiliza aos assinantes nesta sexta (25)

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 25/12/2020 - 7h15

A pandemia do novo coronavírus paralisou a indústria do entretenimento durante meses, fechou salas de exibição no mundo todo e forçou as grandes distribuidoras a recorrerem aos serviços de streaming para lançarem filmes. A Warner Bros. já adiantou que, em 2021, estreará seus longas simultaneamente nas telonas e no HBO Max, e a Disney fará o mesmo com (pelo menos) a animação Raya e o Último Dragão. Será que 2020 entrará para a história como o ano em que o cinema morreu?

O cenário parece catastrófico, mas não chega a tanto. Assim como a televisão não matou o rádio nem a internet acabou com a TV, a popularização do streaming não sinaliza o fim do cinema. Mas a sétima arte precisará se transformar para continuar viva. Como será essa nova cara? Só o tempo dirá.

Pelo menos por enquanto, o grande público não parece disposto a lotar as salas de cinema novamente --e isso só deve se tornar uma opção depois que uma vacina contra o coronavírus for amplamente difundida. Dessa maneira, as distribuidoras que se arriscarem a colocar um filme nos complexos de salas devem se preparar para o pior.

Principal lançamento deste ano a ir para os cinemas do mundo todo, o complicado Tenet, dirigido por Christopher Nolan, arrecadou apenas R$ 1,5 milhão em seu fim de semana de estreia no Brasil. No mundo todo, o longa conseguiu US$ 361 milhões (R$ 1,8 bilhão), quantia insuficiente para que se tornasse um projeto lucrativo.

Mulher-Maravilha 1984, que a Warner decidiu colocar nos cinemas brasileiros no último dia 17, conseguiu levar 482 mil pessoas às salas no fim de semana de estreia e arrecadou R$ 8,4 milhões. Nos Estados Unidos, a distribuidora fez diferente e colocou o filme da heroína nas salas de exibição ao mesmo tempo em que o disponibilizou, sem custo adicional, para os assinantes do HBO Max.

Os executivos sabem que essa estratégia vai prejudicar a bilheteria da superprodução --o primeiro filme, lançado em 2017, arrecadou US$ 821 milhões (R$ 4,1 bilhões) no mundo todo. Sua sequência dificilmente vai conseguir se pagar no modelo original: com um orçamento de US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão), o longa custou aos cofres da Warner Bros. pelo menos o dobro desse valor se considerados todos os gastos (com publicidade, por exemplo).

divulgação/warnermedia

Gal Gadot em Mulher-Maravilha 1984

Para os chefões da AT&T, conglomerado de telecomunicações que controla a WarnerMedia, o dinheiro que vem dos cinemas não é mais tão importante. A aventura protagonizada por Gal Gadot também pode render muitos dividendos com a venda de produtos licenciados. E, mais do que isso, o filme estar disponível no HBO Max faz com que novos clientes se rendam ao serviço.

Conseguir mais assinantes dispostos a pagarem US$ 15 (R$ 75) todos os meses é, a longo prazo, bem mais interessante do que os cerca de US$ 20 (R$ 100) que um casal pagaria uma única vez para ver o filme no cinema.

Por isso, apesar de histórica, a estratégia da distribuidora de lançar filmes como Matrix 4, Mortal Kombat, Esquadrão Suicida e Space Jam no HBO Max não é tão surpreendente assim. Segundo a WarnerMedia, até setembro o serviço tinha apenas 28,7 milhões de assinantes --um número considerado baixo. Conseguir novos clientes é fundamental para que ele tenha alguma chance de sobreviver à guerra do streaming.

O cineasta Denis Villeneuve, diretor do épico Duna, foi certeiro em sua carta na qual acusou a WarnerMedia de traição por mudar o plano de lançamento de seu filme sem avisá-lo antes. 

"Com esta decisão, a AT&T sequestra um dos estúdios de cinema mais respeitáveis e importantes da história do cinema. Não há amor pelos filmes, muito menos pelo público. É tudo pela sobrevivência de um mamute da telecomunicação, que atualmente lida com uma dívida astronômica de US$ 150 bilhões. Mesmo que Duna seja pelo cinema e pelo público, a AT&T é pela sua sobrevivência em Wall Street", escreveu ele à revista Variety.

No fim das contas, Hollywood é uma indústria como qualquer outra, e conseguir manter as finanças no azul é muito mais valioso para os donos do dinheiro do que fazer arte ou provocar questionamentos.

divulgação/prime video

Sequência de Borat estreou no Prime Video

E a Netflix e o Prime Video?

A Warner poderá colocar suas produções no HBO Max, o Disney+ receberá os filmes da empresa do Mickey Mouse, e a Universal tem o Peacock. E as produtoras sem streaming próprio, o que farão com suas produções? Netflix e Amazon (com o seu Prime Video) são opções viáveis.

Em 2020, as duas gigantes viraram a casa de filmes importantes que não chegaram nos cinemas porque as salas de exibição estavam fechadas.  O Prime Video disponibilizou a comédia Borat: Fita de Cinema Seguinte, continuação do premiado filme de 2006, uma produção da Four by Two Films.

A plataforma da Amazon também adquiriu os direitos de exibição de Um Príncipe em Nova York 2, comédia que retoma o personagem clássico de Eddie Murphy mais de três décadas depois --a estreia será em 5 de março. O valor desembolsado pelo e-commerce de Jeff Bezos? Cerca de US$ 125 milhões (R$ 632 milhões), bem acima do orçamento da Paramount.

Já a empresa de Reed Hastings e Ted Sarandos recebeu o sucesso Enola Holmes e o elogiado drama Os 7 de Chicago, que tem tudo para fazer bonito no Oscar. Crianças e jovens adultos também foram prestigiados com a animação Bob Esponja: O Incrível Resgate (da Paramount Pictures).

O próprio Sarandos, apesar de otimista de que os cinemas vão reabrir no ano que vem, não descarta que sua plataforma continue adquirindo filmes de produtoras que não têm como lançá-los tradicionalmente por causa da pandemia e de seus efeitos no mundo.

"Nós temos um planejamento bem saudável para 2021 e 2022. E estaremos em outras mesas de negociação [com essas produtoras]. Acho que os executivos vão avaliar o impacto mundial e aí vão decidir o que fazer com os projetos dos próximos anos. Vamos comprar alguns, não todos, mas estaremos de olho", finalizou o responsável pelo conteúdo da plataforma em reunião com acionistas em outubro.


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