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GUERRA ENTRE BOLHAS

Se Pantanal era bolsonarista, Renascer é petista? Novela da Globo é prafrentex

DIVULGAÇÃO/TV GLOBO

Montagem com Marcos Palmeira à esquerda como José Leôncio em Pantanal e à direita como José Inocêncio em Renascer

Marcos Palmeira como os protagonistas José Leôncio de Pantanal e José Inocêncio de Renascer

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 25/1/2024 - 21h00

Um dos momentos mais surpreendentes na repercussão de Pantanal (2022) foi a tentativa de perfis influentes ligados à extrema direita de cooptar a trama --principalmente a partir do forte aceno do bolsonarismo aos agronegócios. Os primeiros capítulos de Renascer vão na direção contrária, chamando a atenção de bolhas progressistas nas redes sociais.

O folhetim de Bruno Luperi estreou com certa desconfiança entre perfis de esquerda, já que seria a terceira novela das nove com temática rural em apenas dois anos na Globo. Especialmente após Terra e Paixão (2023), em que diversas cenas chegavam a soar como flashes da campanha publicitária "agro é pop".

Entretanto, a produção já angariou alguns elogios entre internautas que se colocam mais à esquerda no X (antigo Twitter). A cena em que Inácia (Edvana Carvalho) salva José Inocêncio (Humberto Carrão) da morte foi celebrada por representar --sem estereótipos prejudiciais-- religiões de matriz africana em horário nobre.

Renascer muito provavelmente não vai chamar a atenção positivamente de perfis conservadores como aconteceu com Pantanal. O folhetim sempre foi um dos mais arrojados de Benedito Ruy Barbosa, que abordou temas que hoje a televisão nem se arrisca --ainda que, após 30 anos, diversas tramas já soem como incorretas. Especialmente considerando-se que o próprio veterano foi duramente criticado por se opor ao desenvolvimento de casais homossexuais nas novelas.

Luperi, por exemplo, evitou voltar ao debate sobre intersexualidade ao propor que Buba (Gabriela Medeiros) seja transexual. Se as questões de gênero são consideradas espinhosas, ainda mais com a preocupação da Globo com a rejeição de setores mais conservadores, a transexualidade é uma espécie de "porto seguro".

Afinal, o tema já foi bastante explorado por novelas recentes da emissora desde A Força do Querer (2017), passando por Salve-se Quem Puder (2020), A Dona do Pedaço (2019) e Bom Sucesso (2019).

José Inocêncio também já era originalmente apresentado como oposição ao agronegócio no sul da Bahia, mais aos moldes do cooperativista Santo, interpretado por Domingos Montagner (1632-2016), em Velho Chico (2016) do que o pecuarista José Leôncio (Cláudio Marzo) em Pantanal (1990).

Novela à esquerda?

As religiões de matriz africana, bem como credos populares, já tinham uma grande importância na primeira versão de Renascer e até receberam um enfoque relativamente positivo. A crítica social também era fortemente presente por meio de personagens como Tião Galinha (Osmar Prado), que vendia até a alma ao diabo para escapar da pobreza.

Renascer faz parte das produções mais políticas de Ruy Barbosa, a exemplo de Meu Pedacinho de Chão (1971) com reforma agrária como discussão central ou O Rei do Gado (1996) que dava protagonismo ao MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra).

Luperi tem um ponto de partida muito mais tranquilo do que em relação a Pantanal para adaptação da história ao zeitgeist dos anos 2020. O roteirista, por outro lado, também mostrou que está mais disposto a mexer estruturalmente na obra do próprio avô.


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Segunda, 27/5 (Capítulo 109)
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