TUDO ERRADO!

Em nova gafe, Segundo Sol inventa crime que não existe para causar reviravolta

Reprodução/TV Globo

Galdino (Narcival Rubens) em Segundo Sol com Karola (Deborah Secco): ele é um ex-torturador - Reprodução/TV Globo

Galdino (Narcival Rubens) em Segundo Sol com Karola (Deborah Secco): ele é um ex-torturador

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 29/06/2018, às 05h46 - Atualizado em 30/06/2018, às 05h27

Um dos segredos mais bem guardados da trama de Segundo Sol será revelado em uma nova gafe do autor João Emanuel Carneiro. A prostituta Rosa, personagem de Letícia Colin, vai ameaçar entregar Galdino (Narcival Rubens) à polícia sob a acusação de ter sido torturador durante a Ditadura Militar. Com medo, ele contará a ela que as duas maiores vilãs da novela roubaram o bebê da mocinha. O problema é que, segundo a legislação brasileira, torturadores do regime que governou o país entre 1964 e 1985 não podem ser presos.

A chantagem de Rosa (Letícia Colin) promoverá uma verdadeira revolução na novela: ciente dos podres de Laureta (Adriana Esteves) e Karola (Deborah Secco), ela virará sócia do bordel. Ela também conseguirá fazer com que Ícaro (Chay Suede) se afaste da cafetina e aproximará o capoeirista de Luzia (Giovanna Antonelli).

A garota de programa deduzirá que Galdino esconde segredos da patroa e descobrirá que ele é foragido da Justiça por ter sido torturador nos anos 1970. O capanga da vilã ficará surpreso ao chegar na chegar na casa de sua mãe e encontrar Rosa tentando arrancar alguma informação dela.

No capítulo que vai ao ar em 19 de julho, Maura (Nanda Costa) encontrará a ficha de procurado do braço direito de Laureta. "O torturador mais jovem dessa lista é um sargento que tem as mesmas características físicas de Galdino, tá listado na Comissão Nacional da Verdade como agente responsável por crimes cometidos durante a ditadura militar, dá uma olhada na foto do torturador", dirá a policial.

"Terceiro Sargento Rossini Pereira... Pode ser ele sim... Os mesmos olhos... Esse olhar de gente ruim... É ele, só pode ser! Peguei o desgraçado!", celebrará Rosa.

Para avançar sua trama, Carneiro optou por ignorar a legislação brasileira. Apesar de não ser um comportamento aceito pela sociedade, ter trabalhado como torturador no regime militar não é considerado um crime. Portanto, se Rosa denunciasse Galdino à polícia, isso não mudaria nada na vida do homem.

"A Lei da Anistia [promulgada em 1979] perdoou tanto os crimes políticos quanto os conexos a eles. Nos primeiros, incluem-se os atos dos guerrilheiros de esquerda, como sequestros e roubos a banco", enumera o advogado Marcus Bovo de Albuquerque Cabral, mestre em Direito e autor do livro A Lei de Anistia, a Corte Interamericana de Direitos Humanos e o Supremo Tribunal Federal.

"Já entre os crimes conexos, entram os atos cometidos em resposta aos crimes políticos, como a prisão, a tortura e a ocultação de cadáveres", explica o advogado.

Em 2010, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) solicitou a revisão da Lei da Anistia, pois o perdão a torturadores é contrário a convenções internacionais de direitos humanos, que consideram a tortura um ato de lesão à humanidade. "Ou seja, é um crime não anistiável e que não prescreve", ressalta Cabral. O pedido de revisão, no entanto, está parado no Supremo Tribunal Federal.

Imoral, mas não criminoso
Enquanto os juristas não mudarem seu posicionamento sobre a Lei da Anistia, um torturador como Galdino não pode ser considerado um criminoso. Sua participação no regime militar pode até ser vista como imoral, mas nada com que o braço direito de Laureta já não esteja acostumado no dia a dia do bordel. Assim, é de se estranhar que o personagem ceda tão facilmente à chantagem de Rosa.

Há ainda um buraco na cronologia: Narcival Rubens, o ator que interpreta Galdino, nasceu em janeiro de 1962. Tinha, portanto, 17 anos quando a Lei da Anistia foi promulgada. Para interpretar um ex-torturador, precisaria parecer ter mais idade. O coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (1932-2015), um dos mais conhecidos repressores da época, era 30 anos mais velho.

Questionar a cronologia de Segundo Sol, porém, é bater em cachorro morto: apesar do salto de 18 anos na história, personagens como Luzia, Laureta e Beto Falcão (Emilio Dantas) não envelheceram um único dia.

Ignorar a legislação brasileira (ou mesmo desconhecê-la), por sua vez, é uma falha bem mais grave. Tanto quanto deixar vazar a imagem de um técnico dentro do barco utilizado por Beto logo no primeiro capítulo da novela ou o reflexo de dois operadores de câmera no espelho.

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