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COLUNA DE MÍDIA

Globo, Disney e Netflix implementam o socialismo para milionários

Reprodução/TV Globo

Faustão apresenta programa

Salários milionários como o de Fausto Silva se tornam cada vez mais raros na TV atual

GUILHERME RAVACHE

gravache@gmail.com

Publicado em 12/7/2021 - 6h20

Faustão, até então dono do maior salário da TV brasileira, deixou a Globo. Antonio Fagundes, Vera Fischer, Renato Aragão, Zeca Camargo, Miguel Falabella, Malvino Salvador e tantos outros artistas também saíram da emissora. A prática de manter um elenco de estrelas recebendo mesmo sem trabalhar está desaparecendo.

Muitas dessas saídas de talentos da emissora são apontadas como demissões, mas boa parte das vezes a Globo propõe uma redução de salário ou aumento da carga de trabalho, e esses artistas não aceitam porque podem ter possibilidades melhores em outro lugar. Fagundes, por exemplo, saiu por não aceitar atuar no remake da novela Pantanal.

Tornar-se rico trabalhando diante das câmeras ainda é possível, mas as chances de se tornar um milionário na TV estão diminuindo rapidamente. 

Obviamente, um talento pode ganhar credibilidade e seguidores graças à TV, Juliette Freire e Gil do Vigor são exemplos, mas o grosso do dinheiro deles vem de outras fontes de receita.

Os R$ 43 milhões que Juliette pode faturar vêm de posts para marcas em redes sociais, contratos de garota-propaganda e presença em eventos. Porém, fechar o mês apenas com o contracheque da Globo ou outras emissoras é cada vez mais difícil (ou menos relevante na conta).

Além do salário fixo, os talentos contratados tinham ainda outros incentivos, como participação na venda internacional das novelas, na receita das campanhas que faziam dentro da  TV, etc. Era uma cascata de receitas, mas esse tipo de contrato em que o céu é o limite se torna cada vez menos comum, e os ganhos, mais limitados.

Revoluções são a locomotiva da história

​​Por trás da mudança na remuneração está a revolução digital. Com a fuga da audiência e da publicidade para os meios digitais, a TV precisa adequar seus custos a uma nova realidade. Além disso, o streaming está engolindo a TV tradicional e mudando a relação das empresas com os artistas.

Ao olhar as produções originais da Netflix e Disney+, fica claro que os medalhões que ganhavam milhões estão perdendo peso na fórmula. Em 2018 e 2019, a Netflix começou uma série de acordos para atrair grandes nomes de criadores. A Netflix está pagando à megaprodutora de TV Shonda Rhimes mais de R$ 500 milhões para fazer programas de sucesso. É uma soma enorme para um único criador. Mas, a julgar por Bridgerton e seu sucesso, o investimento pode ter sido inteligente.

Mas The Witcher, que teve audiência maior do que Bridgerton, contou com uma produtora bem menos conhecida. E, no quesito custo/retorno, nada bate o documentário A Máfia dos Tigres. Cada vez mais, a preocupação da Netflix é manter e atrair novos assinantes pelo menor custo possível, já que desde o final de 2020 sua prioridade passou a ser a rentabilidade. 

Os operários não têm pátria

As empresas de streaming, incluindo o Globoplay, perceberam que podem capturar valor sem necessariamente depender dos artistas e criadores com salários milionários. No streaming, consistência e volume de lançamentos podem pesar mais do que um grande nome nos créditos da produção.

Essa é uma das explicações para a febre dos documentários, particularmente no Globoplay. Além de fazerem sucesso com o público, são produções mais baratas em comparação à ficção --e, particularmente no caso do Globoplay, ainda se pode usar um gigantesco acervo de imagens acumulado ao longo das últimas décadas pela Globo.

Na Disney, os grandes sucessos são baseados em franquias como Star Wars e Marvel. WandaVision, Falcão e o Soldado Invernal e Loki trazem atores conhecidos, mas longe de terem os salários de contratos milionários dos tempos de Seinfeld (1989-1998), Friends (1994-2004) e The Big Bang Theory (2007-2019) ou dos grandes astros de Hollywood. 

Desde o início do Disney+, a Disney passou a mudar sua política de remuneração de talentos. Os contratos agora seguem um modelo de "exibição de bônus em série", expressão que cria uma pontuação avaliando principalmente marcadores objetivos, como número de episódios e renovações de temporada e, em menor medida, classificações de acervo em relação a outros programas semelhantes usando métricas internas ou dados de audiência, se disponíveis, e em prêmios como Emmy e Globo de Ouro . 

Eu não sou nada, mas devo ser tudo

"Para um criador de ponta, que poderia ter negociado por participação em uma série nos velhos tempos, este novo cálculo representa uma fração desses ganhos (...). Alguém que já ganhou R$ 200 milhões, agora ganha R$ 50 milhões, de acordo com os principais agentes. Em um grande sucesso, um pagamento de R$ 750 milhões se torna algo em torno de R$ 125 milhões. E é pior no topo: se você criar Modern Family, poderá ganhar R$ 150 milhões em vez de R$ 1 bilhão ou mais em um antigo contrato", disse o jornalista Matthew Belloni, na puck.news, plataforma especializada em negócios.

Assim, a Globo e as empresas de streaming promovem o socialismo para milionários. A distância entre os maiores salários e os menores salários na televisão e cinema diminuem cada vez mais.

Obviamente, os famosos da TV e do cinema não vão ficar pobres. Faustão seguirá a vida na Band faturando muito, mas deverá ganhar menos do que na Globo, na qual liderava a audiência com larga margem. Os milionários apenas vão se tornar um pouco menos milionários. E, se quiserem manter os atuais vencimentos mensais, terão de seguir produzindo o tempo todo.


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