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PRECONCEITO

Racismo, feminismo e homossexualidade: A importância dos X-Men na sociedade

DIVULGAÇÃO/20TH CENTURY FOX

Famke Janssen como Jean Grey e Halle Berry como Tempestade em cena de X-Men 2

Famke Janssen como Jean Grey e Halle Berry como Tempestade em X-Men 2 (2003)

VICTOR CIERRO VIEIRA

victor@noticiasdatv.com

Publicado em 29/5/2021 - 6h55

Sucesso desde o lançamento na década de 1960, os X-Men levam para as páginas das HQs e para os filmes um debate necessário sobre o preconceito. Racismo, feminismo e homossexualidade foram alguns dos temas levantados por Jack Kirby (1917-1994) e Stan Lee (1922-2018) nas histórias de um grupo de mutantes que buscam seu lugar na sociedade.

Kirby e Lee usaram o palanque que alcançaram com outros super-heróis para dar voz aos que não tinham: as minorias. O próprio medo que humanos tinham (e têm) dos mutantes serve como metáfora para a exclusão de qualquer um considerado diferente do "normal" --o que quer que isso signifique.

Para quem não conhece, os X-Men são um grupo de super-heróis mutantes que devem entrar em breve no MCU (Universo Cinematográfico da Marvel). Desde sua criação, eles lutam pela paz e pela igualdade entre sua raça e os humanos, em uma sociedade que é contra os diferentes, seja por medo ou por ignorância.

Não é difícil fazer um paralelo com os dias atuais: movimentos como Black Lives Matter e Stop Asian Hate são exemplos de que o preconceito continua presente em parte da população, mesmo em pleno século 21.

O historiador, professor e sociólogo Eduardo Molina explica que, antes mesmo dos X-Men, o conceito de super-herói já tinha sido criado para inspirar. "Depois do lançamento dos quadrinhos do Capitão América, cresceu 30% o número de americanos que se alistaram para a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com o discurso de que queriam ser o Steve Rogers de sua geração. Então, um personagem acaba inspirando milhares de pessoas."

Crédito/disney+

Anthony Mackie como Capitão América

Molina traça um paralelo com os X-Men. Com uma equipe tão diversificada, os heróis dão vozes para vários grupos distintos. O público, então, consegue se identificar com alguns dos personagens e pode se sentir mais à vontade e levar essa confiança para situações cotidianas.

O sociólogo esclarece ainda que os quadrinhos dos mutantes debatem este assunto por conta do contexto histórico em que foram criados: "Os X-Men chegam para abrir um canal com os jovens leitores sobre assuntos que estavam bombando nos Estados Unidos. Na década de 1950, a questão do racismo era a principal pauta nas lutas norte-americanas. E os mutantes vieram justamente para trazer essas discussões."

De Magneto a Malcolm X

As HQs dos X-Men colocam em lados opostos superpoderosos com visões diferentes. O telepata Charles Xavier, líder do grupo, acredita que os humanos e mutantes podem conviver em harmonia. Já seu antagonista, Erik Magnus Leinsher, o Magneto, não é tão otimista. O controlador de metais acredita que o uso da violência é aceitável não apenas para autoproteção, mas para proteger seus companheiros.

"Nos personagens principais dos X-Men, professor Xavier e Magneto, consegue-se perceber bem os ideais de Martin Luther King [1929-1968] e de Malcolm X [1925-1965], respectivamente", explica o sociólogo.

Crédito/Twentieh Century Fox

Patrick Stewart e Ian McKellen em X-Men 3

Curiosamente, apesar de abordar o racismo e o preconceito, grande parte dos personagens do grupo heroico da Marvel não são negros. Por quê? Molina justifica que boa parte dos consumidores de quadrinhos eram brancos e que os EUA ainda estavam no meio de um conflito, o Movimento dos Direitos Civis (1952-1983).

"Em primeiro lugar, eles [da Marvel] são uma empresa, precisam vender. Então, criam-se os personagens e o Stan Lee utiliza o que ele tinha na época. Ele era branco e tinha influência, então acaba usando este papel para dar voz para aqueles que não tinham", continua o historiador.

Assim que o criador conseguiu transmitir sua mensagem e ter sucesso, ele começou a introduzir personagens negros no universo dos super-heróis, como Tempestade, Luke Cage e Pantera Negra. Stan Lee até passou a produção de roteiros do herói de Wakanda para um grupo de escritores negros.

Racismo, feminismo e homofobia

A questão racial é a principal bandeira dos X-Men desde seu surgimento. É o maior paralelo ao ser traçado com os mutantes, que são perseguidos simplesmente por causa de sua raça. O Pantera Negra, inclusive, começou a figurar nos quadrinhos em aventuras do Quarteto Fantástico e dos X-Men antes de ganhar sua história solo.

O herói serve de inspiração para milhares de meninos em um mundo no qual os heróis são, quase que exclusivamente, brancos. O professor ressalta a importância dessa representatividade:

Eu fui dar uma aula em colégio e tinha um grupo de crianças brincando, com um menino negro na roda. O garoto gritou: 'Eu vou ser o Batman'. Logo de cara, um menino branco olhou para ele e falou que ele não poderia ser o Batman. Ele rebateu: 'Por quê?'. E o menino branco respondeu: 'Porque você é preto, e o Batman não é preto'. O menino ficou com cara de choro, por causa de um preconceito.

"O olhar do garoto me partiu o coração, de olhar para ele e pensar onde está o herói deste menino. Então, é muito bom a chegada do filme do Pantera Negra, ver a quantidade de crianças que se inspiram nele e também ver a mobilização que ele causou, com o pessoal indo ao cinema para assistir ao filme dele", conclui Molina.

Outro tema em destaque nas histórias dos mutantes é a questão do feminismo. A personagem Jean Grey foi criada ainda no início dos X-Men e é considerada a heroína mais forte destes quadrinhos.

Além de poderes de telepatia, ela é telecinética e psiônica (capaz de liberar energia psíquica). "A Jean Grey também é criada logo no começo para representar a luta das mulheres dentro desse contexto das minorias americanas", esclarece o sociólogo.

Ororo, ou Tempestade, é outro personagem de grande importância na trama. Ela é uma mulher negra, capaz de controlar o clima. Nos quadrinhos, a heroína também é a primeira na fila para assumir a escola para mutantes depois que Xavier abandonar sua função.

As histórias dos mutantes trazem ainda uma discussão sobre homofobia. Em um arco paralelo, o Wolverine --símbolo da masculinidade dos X-Men-- é homessexual. Assim, tenta-se desconstruir pensamentos ultrapassados pela representação em um dos personagens mais icônicos do grupo.

"Os X-Men são o grupo mais relevante dos quadrinhos, por discutir essas questões diversas. Não se limita apenas a uma questão racial, faz uma discussão com várias minorias. Assim, dá voz para todas elas, e as pessoas acabam se inspirando para serem melhores. Isso é muito importante", finaliza o historiador.


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