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MARCO NA HISTÓRIA

De demissões a cancelamentos, protestos raciais causam revolução na TV

Reprodução/Paramount Network

Policial branco da cidade de Las Vegas conversa com um homem negro detido, dentro de uma viatura, em cena do programa Cops

Policial de Las Vegas prende suspeito em cena do programa Cops, cancelado após três décadas anos no ar

JOÃO DA PAZ

Publicado em 3/7/2020 - 7h00

Segurança negro morto asfixiado por um policial branco em 25 de maio, George Floyd virou um símbolo histórico nos Estados Unidos contra a violência da polícia e combate ao racismo. Os protestos que eclodiram em milhares de cidades americanas impactaram a sociedade, atingindo até Hollywood com um efeito cascata irreversível.

De lá para cá, a TV americana registrou 28 grandes mudanças, de demissões a cancelamentos de programas populares. É a consequência direta das manifestações a favor de uma melhor representatividade negra em produções artísticas e repulsa a expressões racistas, seja por postagens em redes sociais ou uso de blackface, prática na qual uma pessoa branca escurece o rosto para zombar de um negro.

Desde celebridades renomadas, como o comediante Jimmy Fallon, a participantes de reality show fora do radar, a cobrança contra atitudes racistas não poupou ninguém. Séries e até filmes clássicos, como ...E o Vento Levou (1939), tiveram de rever ações do passado e tentar acoplar uma contextualização àquela visão equivocada tomada em uma outra época ou sinal de outros tempos.

Fallon foi quem iniciou a jornada de desculpas pelo uso de blackface, um dia depois da morte de Floyd. Ele fez isso no Twitter e em uma edição do seu talk show na rede NBC, na qual convidou ativistas negros para debaterem o assunto.

O colega e concorrente Jimmy Kimmel também se desculpou pelo uso de blackface anos atrás, embora sua declaração tenha sido meio atrapalhada, em uma tentativa até de se justificar. Fallon foi mais sincero.

O fantasma da blackface atormentou séries populares. Muitas não souberam lidar com a pressão. A comédia 30 Rock (2006-2013) simplesmente apagou quatro episódios com blackface da TV e do streaming. Tina Fey, a criadora e protagonista, apenas divulgou um comunicado.

A mudança mais recente ocorreu com Mad Men (2007-2015), que a partir desta sexta-feira (3) estará disponível no Prime Video, conforme anunciou a Amazon. Vencedora de quatro Emmys de melhor drama, a série optou por manter a blackface usada pelo ator John Slattery e trazer uma explicação: "Este episódio [da terceira temporada] contém uma imagem pertubadora relacionada à raça na América. A blackface no personagem mostra como o racismo era comum nos Estados Unidos de 1963", diz parte do aviso.

O drama vencedor do Emmy seguiu o exemplo do HBO Max, o streaming da Warner, com o filme ...E o Vento Levou. O clássico foi retirado da plataforma momentaneamente e retornou com uma aula de cerca de quatro minutos da professora Jacqueline Stewart, que destaca as ofensas raciais e estereótipos mostrados pelo longa lançado mais de oito décadas atrás.

reprodução/AMC

John Slattery em blackface durante episódio da 3ª temporada de Mad Men; cena mantida 


Demissões

O sentimento por justiça racial levou internautas a exporem atores e subcelebridades, que inundaram as redes sociais com postagens racistas. O ator Hartley Sawyer foi demitido de Flash por ter dito no passado, entre outras coisas, que gostaria de publicar mais tuítes racistas. Quatro integrantes do reality show Vanderpump Rules foram para o olho da rua por comentários preconceituosos. O mesmo ocorreu com duas funcionárias da MTV.

Atrizes negras de Riverdale e de Glee (2009-2015) colocaram a boca no trombone para jogar luz nos bastidores intolerantes de suas respectivas séries.

Única negra no elenco fixo de Riverdale, Vanessa Morgan esculachou o drama teen por esconder esses personagens na trama e revelou que era atriz com o salário mais baixo. Roberto Aguirre-Sacasa, criador da série, veio a público se desculpar e disse que esse cenário vai mudar daqui para a frente.

Samantha Ware, de Glee, usou sua conta no Twitter para desabafar contra Lea Michele, dizendo que a protagonista do musical fez da vida dela um inferno. O comentário surgiu para chamar a atenção por uma suposta hipocrisia de Lea, que tinha se posicionado a favor do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) --ela perdeu patrocinadores e ficou com a imagem arranhada.

Cancelamentos e animações

Os protestos raciais também chamaram a atenção de programas de TV que exaltam policiais e sua atitudes violentas, como Cops e Live PD. Ambas as atrações, que exibiam cenas de abordagens reais, foram canceladas. E as séries de TV do gênero não estão fora da mira. Mas em vez de serem retiradas do ar, vão tentar mudar a imagem perpetuamente pregada do policial branco herói impune, acima da lei.

Até as animações vão mudar após essa nova era em Hollywood. Desenhos como Os Simpsons e Uma Família da Pesada não terão mais personagens negros, asiáticos e latinos dublados por atores ou atrizes brancos, como ocorreu durante anos, caso de Cleveland Brown (Uma Família da Pesada) e Apu (Os Simpsons).

Outras produções como Big Mouth, que tinha Jenny Slate dando voz para uma menina mestiça, agiram na mesma toada. E a inédita Central Park tirou Kristen Bell (de The Good Place) do seu elenco antes mesmo de estrear: branca e loira, ela dublaria uma mocinha birracial na animação.


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