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CARLOS LOMBARDI

Autor de Uga Uga critica streamings: 'Têm medo de gente da Globo'

Reprodução/YouTube

O autor Carlos Lombardi, de camiseta azul estampada, dá entrevista em uma poltrona de sua casa

Carlos Lombardi em entrevista na época de lançamento de Pecado Mortal, última novela que assinou

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 8/8/2020 - 7h20

Autor de clássicos como Quatro por Quatro (1994), Uga Uga (2000) e Kubanacan (2003), Carlos Lombardi não assina novelas desde 2014, quando chegou ao fim Pecado Mortal, na Record. Ele tem investido no formato de séries, mas não enxerga seus projetos em plataformas de streaming como Netflix ou Prime Video. "Eu acho que elas morrem de medo de gente que trabalhou na Globo", alfineta o escritor de 61 anos.

Ele cita como exemplo o caso de Miguel Falabella, dispensado pela Globo em junho depois de 38 anos. "Algum streaming já tinha que ter fechado [contrato] com ele, sabe? Mas eu acho que esse pessoal é um pouco temeroso de trabalhar com o pessoal da Globo, porque a gente tende a valorizar a questão da autoria", justifica Lombardi em conversa exclusiva com o Notícias da TV.

O autor defende que alguns dos maiores sucessos do streaming são projetos autorais. Ou seja, criados, roteirizados e, às vezes, até dirigidos pela mesma pessoa. Os 52 episódios de Downton Abbey (2010-2015) foram assinados por Julian Fellowes, e Peter Morgan está por trás de todos os capítulos de The Crown. No Prime Video, a elogiada Fleabag fez a limpa no Emmy do ano passado --a comédia foi criada, toda escrita e protagonizada pela britânica Phoebe Waller-Bridge.

"As séries inglesas são muito boas por quê? Porque são absolutamente autorais. Algumas das melhores coisas da Netflix são autorais. Se você pega The Crown, o Peter Morgan até tem uma pequena equipe, mas a noção de autoria é muito clara. O Jed Mercurio, de Segurança em Jogo, não tem nem equipe, é só ele. Nesse sentido, a TV inglesa mostra um enorme respeito pelo trabalho do autor", elogia.

No Brasil, a coisa é diferente. 3%, a série pioneira da Netflix por aqui, teve uma sala de roteiro liderada pelo criador, Pedro Aguilera, mas cada episódio foi escrito por uma pessoa diferente --ou até três pessoas de uma vez, em alguns casos. 

O mesmo ocorre com Coisa Mais Linda --para liderar a sala de roteiro, inclusive, a Netflix "importou" a norte-americana Heather Roth, acostumada a seguir o padrão dos Estados Unidos de ter diferentes roteiristas escrevendo episódios distintos ao mesmo tempo para agilizar o trabalho.

Sem identidade

"Esse povo está muito acostumado a conversar com produtoras, e não com os criadores. Mas isso é um defeito deles, não é um problema da gente! Eles precisam entender que numa dramaturgia que tem mais consequência e continuidade, a noção de autoria é muito pertinente, e é por isso que a inglesa é tão boa", ensina.

"Não estou falando que nada presta [da Netflix no Brasil], que fique bem claro. Mas está na hora de eles fazerem as contas e verem que as melhores séries que têm são inglesas, autorais. Nas outras, falta uma identidade, quem escreveu isso? Estava embaixo da asa de quem? Você não sabe. É a produtora tal. Por isso que digo que eu acho que eles estão fazendo negócio com as pessoas erradas", cutuca o escritor.

Carlos Lombardi acredita que todo bom projeto precisa de um ponto de vista bem definido, e que quem traz isso é o autor. "Não é impossível fazer uma história sem autor, mas eu acho, sim, impossível fazer uma história boa. Exige um ponto de vista, alguém que saiba onde começa e onde termina. Eu só não sinto isso no Globoplay, porque ele trabalha muito próximo da Globo e sabe o valor da autoria. Mas os outros? Falta perder o medo. A gente não morde, não", brinca.


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