BASEADA EM FATOS

De orgasmos involuntários a câncer: Os casos da vida real de Grey's Anatomy

REPRODUÇÃO/ABC

Deitada em um chão com um colar protetor no pescoço, a atriz Arlene Tur finge ter um orgasmo na série Grey's Anatomy

Arlene Tur na segunda temporada de Grey's Anatomy, atriz viveu mulher com orgasmos involuntários

JOÃO DA PAZ - Publicado em 30/07/2020, às 07h05

A série Grey's Anatomy vai abordar na 17ª temporada a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que atualmente assola o mundo. Esse é mais um caso médico real que o drama adapta para a ficção. No passado, o espaço foi aberto para narrar desde tratamento de doenças como câncer a bizarrices do nível de uma mulher que tinha orgasmos involuntários.

Um dos alicerces de Grey's, o cirurgião Derek "McDreamy" Shepherd (Patrick Dempsey) foi inspirado em um médico de verdade, um consultor lá nos primórdios da atração criada por Shonda Rhimes.

Histórias recentes, como a de um trabalho inovador realizado pela protagonista Meredith Grey (Ellen Pompeo) e o sofrimento de Richard Webber (James Pickens Jr.), com perda de memória devido à uma contaminação, também saíram de exemplos reais que os roteiristas pinçaram e inseriram na trama.

Confira abaixo mais sobre cada um desses cinco casos nada ficcionais:

O verdadeiro McDreamy

Em 2004, um ano antes de Grey's Anatomy estrear, Shonda fez inúmeras pesquisas para tentar recriar em sua série como é de fato a vida pessoal e a rotina de um médico. Um programa da faculdade de Comunicação da USC (Universidade do Sul da Califórnia) conectou a produtora com o neurocirurgião Steven Giannotta, que não apenas foi um conselheiro, mas serviu como base na construção de Derek Shepherd.

Em depoimento para a revista The Hollywood Reporter, em 2014, Giannotta relatou o cuidado que toda a equipe da série tinha na preparação. "Eles eram muito meticulosos. Queriam ser precisos em cada palavra, em cada uso de um instrumento em uma sala de cirurgia. Prestavam atenção nos mínimos detalhes", contou. As experiências reais no hospital de Giannotta, de morte de paciente no leito a curas, moldaram os casos que McDreamy lidou nos primeiros anos da série.

Orgasmos involuntários

São tantos casos bizarros em Grey's Anatomy que uns fariam mais sentido se fossem mentiras, obras da mente muito criativa de algum roteirista. Um perfeito exemplo disso seria o da jovem Pamela Calva (Arlene Tur) que, em um episódio da segunda temporada, foi parar no hospital por ter orgasmos involuntários. Mas isso aconteceu mesmo, com registros oficiais e tudo.

Zoanne Clark, produtora-executiva do drama e que já foi residente em um pronto-socorro, revelou para a Entertainment Weekly que esse caso foi retirado de um jornal científico voltado a profissionais de Medicina. A moça da ficção foi curada, podendo ter orgasmos ao seu controle, após ser tratada por Addison Montgomery (Kate Walsh), Izzie Stevens (Katherine Heigl) e George O'Malley (T.R. Knight).

O detalhe é que o episódio mostrou a paciente livre desse problemão, mas não explicou por que ela tinha aqueles orgasmos sem querer. Krista Vernoff, a atual showrunner de Grey's, explicou em seu blog o que ocorreu. Pamela tinha um tumor na artéria pudenda interna, que jorrava um alto volume de sangue no clitóris, fazendo com que a jovem ficasse sexualmente estimulada sem nenhum controle.

divulgação/abc

Ellen Pompeo na 14ª temporada de Grey's Anatomy; sorriso de quem venceu um concurso


Fígado de laboratório

Na 14ª temporada, os médicos de Grey's Anatomy estavam empolgados (alguns nem tanto) para participar de um concurso em busca de ideias inovadoras a serem aplicadas na Medicina. A desbravadora Meredith travou em um primeiro instante, mas durante uma cirurgia veio a ideia: criar fígados em laboratório.

Como são termos técnicos, ficamos com a palavra da cirurgiã geral: "Introduzindo percussores de células hepáticas nos gânglios linfáticos, podemos produzir mini-fígados que executarão a função do fígado original que está em falência". Para surpresa de zero pessoas, ela ganhou o tal concurso.

Essa sacada genial e complexa veio, na verdade, de Eric Lagasse, PhD e professor do Departamento de Patologia da Universidade de Pittsburgh. Produtores de Grey's se depararam com a técnica revolucionária do acadêmico e entraram em contato com ele para narrar essa jornada na série, usando a protagonista em seu lugar. 

Câncer de Catherine

Essa é uma história bem pessoal. Na 15ª temporada, o público se deparou com o câncer de Catherine Fox (Debbie Allen). Destemida, ela passou por uma cirurgia, mas os médicos não conseguiram retirar o tumor (localizado no tórax). Assim, a empresária recebeu a notícia de que teria que tocar a vida com um câncer (benigno) dentro dela pelo resto de sua vida.

Foi exatamente o mesmo que ocorreu com Elisabeth Finch, uma das roteiristas da série. Certa vez, ela estava conversando com colegas sobre que é viver com câncer e como ela odiava as palavras batalha, luta, vitória e derrota. Elisabeth explicou esses e outros detalhes em entrevista para a Entertainment Weekly, na qual falou que Krista a encorajou a adaptar esse ponto de vista na jornada de Catherine.

A ordem foi obedecida, e assim foi o monólogo de introdução do episódio sobre o câncer de Catherine, narrado por Meredith Grey: "Batalha. Luta. Vitória. Derrota. Essas são palavras que falamos quando alguém está doente. Nós usamos um linguajar militar que deixa implícito que há uma luta justa. Mas quando o assunto é vida ou morte, o que realmente vem a ser uma vitória?".

Contaminação por cobalto

Na reta final da 16ª temporada, o fã de Grey's Anatomy ficou com o coração na mão. Além de encarar uma possível despedida trágica de Richard Webber, o público viu o médico sofrer um bocado, passando por perda de memória e tremedeira. O pior é que nem as mentes mais brilhantes do hospital Grey Sloan sabiam o que ele tinha. Nada foi descartado, de Parkinson a Alzheimer.

A causa daqueles sintomas era algo até simples. No passado, Richard tinha feito uma cirurgia na qual ganhou um quadril com cobalto. Mas o metal estava correndo o corpo dele e gerando todos aqueles problemas. Para o site Deadline, Krista confirmou que isso pode acontecer com qualquer pessoa e ressaltou que a contaminação por cobalto é real, com casos médicos registrados sobre isso, exatamente como o vivido pelo personagem veterano.

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