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Um mês no ar

Sem história e 'maldição de fim de ano': Por que O Sétimo Guardião não empolga

Fotos: Reprodução/TV Globo

Gabriel (Bruno Gagliasso) em cena de O Sétimo Guardião; mocinho sem propósito e confuso - Fotos: Reprodução/TV Globo

Gabriel (Bruno Gagliasso) em cena de O Sétimo Guardião; mocinho sem propósito e confuso

MÁRCIA PEREIRA

Publicado em 12/12/2018 - 15h27

O Sétimo Guardião completa um mês no ar nesta quarta (12) com audiência em queda, sem empolgar o público. O principal erro foi de estratégia. A novela estreou já no horário de verão e às vésperas de dois feriados seguidos. Somam-se a isso a falta de identificação do público com os personagens, uma história central sem sentido e o fato de os mocinhos não terem "liga", além da linguagem e estética do século passado.

Estrear no fim de ano é flertar com uma maldição. Desde 2012, todas as tramas que começaram no mês de outubro sofreram problemas. O Sétimo Guardião chegou em novembro, ainda mais atrasada nesse quesito. Portanto, foi mais prejudicada. 

Rejeitadas, Salve Jorge (2012) e A Lei do Amor (2016) não fizeram o público embarcar em suas histórias. Lutaram para conquistar a audiência até o fim.

O Outro Lado do Paraíso, o sucesso mais recente da Globo no horário nobre, também teve um primeiro mês problemático. Porém, ajustes de edição e a habilidade do autor Walcy Carrasco em descartar o que não funcionava colocaram a saga de vingança de Clara (Bianca Bin) nos trilhos rapidamente.

Se é normal existir uma espécie de luto na troca de novelas, a trama de Aguinaldo Silva teve mais um obstáculo para contornar. É sucessora de uma trama que perdeu o fôlego ainda no segundo mês de exibição. Segundo Sol chegou ao fim reciclando a própria história, arrastada e com poucos fãs em sua torcida.

Dá para explicar?
O Sétimo Guardião também focou primeiramente em um triângulo amoroso sem força. Há mais torcida por Laura (Yanna Lavigne) do que por Luz (Marina Ruy Barbosa). A ruiva e Bruno Gagliasso, intérprete de Gabriel, ainda por cima repetem tipos que já fizeram. Dá aquela sensação de que a gente já viu essa história.

E o problema não é apenas a falta de química dos mocinhos, é uma questão também de falta de identificação. Quando o novelista optou por sair da realidade e resgatar o realismo fantástico, que fez sucesso nos 1980 e 1990, ele precisava explicar melhor os propósitos do seu enredo.

Muita gente não entendeu a importância de manter essa fonte de água mágica em segredo. Nem por que sete pessoas foram escolhidas para se tornarem guardiões ou ainda os motivos pelos quais os líderes da irmandade não podem se casar e são castigados.

Marilda (Letícia Spiller) com uma garrafa da água milagrosa que poderia ajudar muita gente

Essa falta de contextualização vai ficar clara quando Gabriel descobrir sua missão. Ele vai rejeitá-la. Afinal, qual é o sentido de assumir um posto que você não entende direito? O público reagiu exatamente assim, não embarcou na proposta.

Sem velocidade
Desde Avenida Brasil (2012), existe uma tendência chamada de "serialização" das novelas. São problemas criados na história e que se resolvem em um curto espaço de tempo, assim como acontece nas séries.

Para fisgar o público, que vive em uma era de velocidade, isso tem de acontecer também na ficção. Em seu primeiro mês, O Sétimo Guardião não apresentou essa conexão com os dias atuais. O público é ansioso, não quer esperar meses para descobrir o que pode estar por trás de uma determinada ação.

Mistério não é ruim, mas não pode ser tão enrolado. Em O Outro Lado do Paraíso, o foco era a vingança da Clara. Dentro do plano maior da mocinha, vários outros acertos de conta se abriam e se fechavam rapidamente.

Valentina (Lilia Cabral) repetiu cena da novela Tieta, quando protagonista voltou à sua cidade

Enrustidos
Não são só os mocinhos que não geram identificação. Nos dias de hoje, ter um homossexual que jura que não é gay significa um atraso em relação às diversas questões que são muitos discutidas na sociedade, mesmo na atual onda conservadora que o país atravessa.  

O delegado das calcinhas é outra "piada" fora do tempo. Isso faria muito sucesso há duas décadas. Atualmente, o fetiche do machão não é tão divertido.

Sem falar que a estética da novela, que mostra um lugar que parou no tempo, colabora para que os jovens se afastem dela.

Autopromoção do autor 
Cheio de referências a outras novelas do autor, como Tieta (1989), Pedra Sobre Pedra (1992) e A Indomada (1997), o folhetim só se torna atraente para quem viu essas tramas e tem algum afeto por elas.

Faz sentido para quem tem mais de 30 anos. A nova geração não sabe do que elas se tratam. Então, tantas citações de Tubiacanga, Greenville ou mesmo de bordões antigos são ingredientes que não querem dizer nada para muita gente e acabam contribuindo para espantar parte do público.

O resultado de tantas falhas é o ibope decepcionante: até o momento, ela tem média de 29,0 pontos na Grande São Paulo. É o pior início de uma trama das nove desde A Lei do Amor (2016). A criação de Aguinaldo Silva também não dá sinal de melhoras: anteontem (10), registrou o desempenho mais fraco de uma novela da faixa às segundas-feiras desde o Carnaval de 2017

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