NADA HUMILDE

Egocêntrica e com nomes de peso, Netflix se declara 'nova casa do cinema'

Divulgação/Netflix

Rohan Chand em meio a lobos computadorizados no filme Mogli - Entre Dois Mundos: superprodução - Divulgação/Netflix

Rohan Chand em meio a lobos computadorizados no filme Mogli - Entre Dois Mundos: superprodução

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 12/12/2018, às 05h35

Depois de investir bilhões para se firmar como produtora de séries relevantes, a Netflix começou a apostar suas fichas em filmes. Fechou acordos com nomes de peso para trabalhar em seus longas exclusivos, tanto à frente como atrás das câmeras. Ambiciosa e um pouco egocêntrica, a plataforma agora se define como a nova casa do cinema.

"O futuro do cinema tem uma nova casa", anunciou a gigante do streaming em um vídeo exibido para fãs e imprensa durante a CCXP (Comic-Con Experience), evento de cultura geek realizado em São Paulo na última semana.

De fato, os nomes envolvidos com filmes da Netflix são grandiosos. Nos bastidores, estão diretores como Steven Soderbergh (ganhador do Oscar por Traffic: Ninguém Sai Limpo), Martin Scorsese (premiado por Os Infiltrados), Michael Bay (da franquia Transformers) e o brasileiro Fernando Meirelles (de Cidade de Deus).

No elenco, fecharam com a plataforma desde atores que levaram o prêmio máximo do cinema, como Meryl Streep, Anthony Hopkins, Sandra Bullock, Robert De Niro e Anne Hathaway, a outros mais populares, como Jennifer Aniston, Adam Sandler, Ben Affleck, Antonio Banderas e Ryan Reynolds.

Mas nem todos esses talentos seriam capazes de, sozinhos, transformar a Netflix na "nova casa" do cinema. Ainda falta para a plataforma algo que seus contratados já conseguiram: a aprovação da crítica. Enquanto séries como The Crown já levaram o Emmy e o Globo de Ouro, os seus filmes de ficção ainda estão longe do Oscar.

Neste ano, a Netflix chegou a bater na trave com Mudbound: Lágrimas sobre o Mississippi, indicado em quatro categorias (e derrotado em todas). O longa, porém, sequer está disponível para assinantes brasileiros, já que a plataforma de streaming adquiriu seus direitos de exibição apenas para os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Espanha, Austrália, Alemanha, França e Cingapura.

A maré pode mudar em 2019. Nesta sexta (14), chega ao catálogo Roma, longa do diretor mexicano Alfonso Cuarón (que já levou a estatueta máxima por Gravidade). Já indicada ao Globo de Ouro de melhor roteiro, diretor e filme de língua estrangeiro, a produção é cotada para se sair ainda melhor no Oscar.

Segundo o site IndieWire, especializado em cinema independente, Roma tem chances de emplacar uma vaga não apenas entre os filmes estrangeiros (ele foi escolhido para representar o México na disputa), mas também nas categorias de atriz, diretor, fotografia, design de produção, edição e até mesmo melhor filme.

A batalha não é simples, e a mentalidade antiquada de alguns setores da indústria cinematográfica pode atrapalhar ainda mais a ascensão da Netflix. Neste ano, por exemplo, a plataforma de streaming rompeu relações com o festival de Cannes, um dos mais badalados do mundo.

O motivo: os votantes do evento exigiram que todos os filmes concorrentes tivessem exibição em cinemas franceses, e uma lei do país impõe que longas lançados no circuito comercial só sejam disponibilizados em serviços domésticos após 36 meses. Ou seja, só para ter a chance de concorrer a uma estatueta em Cannes, a Netflix teria que segurar seus lançamentos durante três anos.

Para o Oscar, as regras são mais simples: exige-se apenas que os longas sejam exibidos comercialmente em uma sala de cinema na região da Grande Los Angeles durante sete dias consecutivos, com pelo menos três sessões diárias. As estreias no cinema e na plataforma podem, inclusive, ocorrer no mesmo dia.

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