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ENTREVISTA EXCLUSIVA

Cinco anos após agressão, Luiza Brunet diz estar pronta para um novo amor: 'Na pista'

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Luiza Brunet em publicidade para seu Instagram em 16 de junho de 2021

Luiza Brunet em publicidade para seu Instagram; ativista em reconstrução após agressão

ELBA KRISS

elba@noticiasdatv.com

Publicado em 8/8/2021 - 7h00

"Gostaria de viver minha vida até o final ao lado de um homem maravilhoso". Cinco anos após ser vítima de agressão do homem que chamava de parceiro, Luiza Brunet se reconstruiu. Aos 59, a ativista pelos direitos das mulheres precisou de um período para se recompor e transformar o sofrimento em esperança. Hoje, ela é referência na luta contra a violência doméstica e se diz pronta para um novo relacionamento. "Você fica meio receosa quando conhece alguém. É difícil entregar o coração. Mas estou buscando. Como diz o pessoal jovem, estou na pista (risos)", declara.

"Mas é difícil, até porque o que busco são esses homens com conteúdo. Gosto de homens mais velhos, que têm um comportamento que me agrada e que seja parecido com o meu. Então, o nicho vai ficando mais apertado, mas há de existir homens que ainda queiram uma mulher madura, ativista e independente", completa ela, com um sorriso no rosto, em entrevista ao Notícias da TV.

Luiza nunca deixou de sorrir, mesmo no período em que aguardou a justiça ser feita contra seu agressor. Em 2016, a modelo foi agredida pelo então namorado, o empresário Lirio Parisotto. Teve um olho roxo e quatro costelas quebradas. Ela denunciou a violência doméstica e, em 2020, viu o Superior Tribunal de Justiça condenar o ex-parceiro. Foram quatro anos de espera até poder respirar aliviada.

Luiza Brunet: ativista em defesa dos direitos das mulheres (Foto: Reprodução/Instagram)

"O momento em que a mulher recebe a notícia de que seu agressor foi condenado restaura muito. É uma restauração absurda como pessoa, com a sua própria identidade e a sua verdade", considera.

Nesse período, a artista virou sinônimo de socorro para muitas mulheres. Ela, que já trabalhava nas causas sociais, passou a atuar com afinco em defesa do enfrentamento à violência. Sua função não se resume a presença em eventos de conscientização, debates, palestras ou idas a Brasília. A empresária, que também foi vítima de abuso sexual aos 13 anos e viu sua mãe ser agredida pelo pai, vai além em seu trabalho humanitário.

Luiza ajuda diretamente muitas vítimas. Disponibiliza seu celular a quem lhe pede, e aciona polícia, promotores e o que for a quem pede auxílio. Em 2020, Isis de Oliveira mandou um S.O.S. pelo celular para a amiga após ter sido agredida pelo marido. Foi a ativista quem acionou as autoridades e encorajou a atriz a fazer a denúncia formal.

reprodução/instagram

Luiza Brunet integra o Conselho Nacional de Justiça

Após anos de exercício à frente da causa, a empresária chegou ao que considera hoje seu melhor momento. Em junho, foi convidada pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça e Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, para integrar o Observatório de Direitos Humanos do Poder Judiciário. "Para mim, é como se estivesse num cargo diplomático", comemora.

Aos poucos, ela se aproxima das urnas. Não afasta a ideia de entrar oficialmente para a política e se candidatar a um cargo nas eleições. Quando? No futuro. "Tudo que faço não deixa de ser política social e humanitária. Tenho vontade, sim. Não descarto a possibilidade, mas, por enquanto, estou muito feliz como ativista", adianta.

Por estar cada vez mais engajada em seu propósito, Luiza exclui a possibilidade de retomar a carreira artística. Entre os anos 1980 e 1990, já consagrada como modelo, iniciou no ofício de atriz. Atuou em produções como Cambalacho (1986), Araponga (1990) e O Mapa da Mina (1993). Nesta última novela, dividiu a cena com Fernanda Montenegro, a quem deve eternos agradecimentos.

"Fernanda foi extremamente generosa comigo. Ela viu que eu tinha dificuldade em decorar texto, que tinha dificuldade de entender a mecânica do estúdio, pois era uma coisa nova para mim. Ela, realmente, foi extraordinária. Mas a carreira de atriz, ou você estuda para se tornar uma grande atriz ou tem isso orgânico dentro de você. Não pretendo voltar a atuar novamente", adianta. Seu último trabalho na TV foi uma participação em Velho Chico (2016).

Nas últimas semanas, Luiza viu o nome de sua família figurar nas buscas da internet. Yasmin Brunet e o marido, o surfista Gabriel Medina, viraram alvo de julgamentos e especulações sobre uma possível disputa familiar. A modelo de 33 anos foi apontada como pivô para o afastamento do atleta dos pais.

Na sequência, Yasmin foi criticada ao expor descontentamento por ter sido vetada nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Medina queria levar a mulher para o Japão como uma de suas treinadoras, mas teve o pedido negado pelo Comitê Olímpico Brasileiro. O tribunal da internet foi implacável.

Ao tratar a questão familiar, ela se viu dando para a filha os conselhos que dá para as vítimas que socorre em seu trabalho como ativista. "Sempre falo para a Yasmin e para todas as jovens que não podemos nunca dizer assim: 'É uma desgraça isso que estou passando'. Não. [Temos que dizer:] 'Estou passando por isso, mas vou sair inteira, íntegra e melhor do que isso'", compartilha.

Em entrevista para o Notícias da TV, Luiza relembra o auge como modelo, a amizade com Xuxa Meneghel, o início da carreira de atriz na Globo e fala abertamente sobre como superou as dores de sua vida, transformando os pesadelos vividos em coragem para lutar pelos direitos das mulheres.

Leia entrevista exclusiva com Luiza Brunet:

Notícias da TV - Você está com 59 anos, com uma carreira sólida como atriz, modelo, empresária e, agora, ativista. O que ainda tem daquela menina de infância humilde lá do Mato Grosso do Sul?
Luiza Brunet - Ah, tem tudo. Acho essa infância, uma infância tão orgânica, tão maravilhosa... Tenho lembranças muito nítidas e que hoje valorizo muito mais do que na época, tínhamos liberdade de andar descalça, de ter horta no quintal de casa e a família ainda muito unida antes de vivenciar a violência doméstica. Aquela menina está muito presente. Apesar de eu ser uma mulher de 59 anos, a minha menina está aqui latente.

Notícias da TV - Perguntei isso porque você sempre fala muito da sua infância humilde. De como você cresceu e de como foi difícil chegar até onde chegou. Quando você percebeu que tinha se tornado a Luiza Brunet?
Luiza Brunet - Na verdade, acho que o tamanho que sou hoje, percebi depois que amadureci, que fiquei com idade mais avançada, pelas atitudes que tomei. Eu me vejo e me reconheço hoje como uma mulher muito forte. Até então, me considerava uma mulher ok. Minha vida sempre foi muito tranquila. Mas acho que esse impacto maior de ter esse autorreconhecimento veio agora.

Notícias da TV - Dos tempos de modelo, qual a sua melhor lembrança? Tem algum momento que você falou: "Nossa, agora estou no meu auge?".
Luiza Brunet - Quando tive a oportunidade, por exemplo, de ser escolhida como a modelo exclusiva de uma grande grife --que na época era sensacional--, que era a Dijon. Fui a primeira modelo brasileira a ter essa chancela de top model internacional de uma marca só. Acho que ali foi o diferencial que me projetou bastante aqui no Brasil e um pouco fora do Brasil.

Notícias da TV - Certa vez, você declarou que, naquela época, por ser modelo e também estampar capa de revista masculina, passou por situações saia-justas, o que hoje seria assédio, falando claramente.
Luiza Brunet - O assédio moral e sexual no trabalho sempre houve. Desde sempre. Acho que essa fala do movimento #MeToo [contra o assédio sexual e a agressão sexual] desvendou um tipo de violência agressiva demais contra as mulheres. Nós, que somos profissionais, queremos só trabalhar. E na minha época era exatamente assim. Só que não existia uma fala, não existia uma violência caracterizada como violência contra a mulher, assédio moral e sexual. Achava que era um comportamento horroroso da parte dos homens e me incomodava bastante.

reprodução/instagram

Luiza como modelo em ensaio de 1987  

Uma vez… Eu nunca tive agência de modelo e recebi o telefonema de um suposto cliente para fazer um catálogo de maiô. Fui fazer o casting para a prova de roupa e tinha uma revista Playboy e uma garrafa de champanhe. Lembro que fiquei possessa. Eu verbalizei muitas coisas horrorosas que eu não gostaria de ouvir. O cara ficou muito sem graça e pediu desculpa.

Acho que essa própria atitude, ela meio que viralizou entre os homens, e não recebi nunca mais esse tipo de proposta. Precisamos nos impor sempre. Eu tinha 18 anos nessa época. Se a gente se impõe de uma forma contundente, esse movimento é amplificado. Os caras falam: "Ih, aquela mulher ali não toca, aquela mulher é doida". Não tem importância, pode chamar.

Notícias da TV - Desse seu tempo de modelo, a Xuxa era sua grande parceira nesses tempos. Recentemente, ela contou uma história que todo mundo achou engraçada, mas no fundo tem uma coisa assustadora. Ela contou no Que História É Essa, Porchat? que vocês estavam fazendo topless na praia, adormeceram e acordaram com vários homens ao redor. E foi você quem tomou coragem e espantou todo mundo.
Luiza Brunet - Sempre espanto os homens quando vejo uma situação assim (risos). Eu sempre meto a colher. Não é só em briga de marido e mulher. É em qualquer situação em que a mulher esteja vulnerável. Nosso papel como sociedade e mulher é observar e se intrometer mesmo. Nesse caso, a Xuxa está falando dos anos 1980, e já tinha movimento do topless. Foi um movimento que não pegou, mas teve lá no começo. E de fato aconteceu. E mais uma vez, eu levanto, boto a mão na cintura e pergunto: "O que vocês estão fazendo aqui? Vocês estão pensando o quê?" (risos).

Notícias da TV - Na sua carreira, você também fez novelas e te vimos como atriz. Quando vamos te ver de novo como atriz? Existe essa possibilidade
Luiza Brunet -
Não, não tem. Tive ótimas oportunidades ao longo da minha trajetória como modelo. A primeira novela que fiz, fui convidada pelo Dias Gomes [1922-1999] para fazer uma participação em Araponga [1990]. Foi um privilégio. Era com Tarcísio Meira, um elenco maravilhoso. Depois, fiz outras parcerias com a Fernanda Montenegro, numa novela que chamava O Mapa da Mina [1993].

Tive muitas oportunidades de fazer novelas inteiras e participações, acho que são mais de dez. Mas a carreira de atriz, ou você estuda para se tornar uma grande atriz ou tem isso orgânico dentro de você. Não pretendo voltar a atuar novamente. A última vez que participei, foi no Correio Feminino [2013], que era a série sobre a Clarice Lispector [1920-1977] no Fantástico. Não tinha fala. Era mais difícil ainda, pois era só com atitudes, gestuais e de expressão. Era muito difícil, mas adoro rever e fico muito grata de ter experimentado várias vertentes.

reprodução/tv globo

Com Fernanda Montenegro em O Mapa da Mina

Notícias da TV - Atuar ao lado da Fernanda deve assustar. Assusta?
Luiza Brunet - Assusta, claro. A Fernanda Montenegro é uma grande atriz. Nessa época, já tem mais de 20 anos, ela foi extremamente generosa comigo. Ela viu que eu tinha dificuldade em decorar texto, que tinha dificuldade de entender a mecânica do estúdio, era uma coisa nova para mim. E a Fernanda, realmente, foi extraordinária. Já era fã dela, mas a generosidade de uma mulher como ela... Fiquei encantada. E vi que, de fato, as pessoas que são simples, que são generosas e compartilham sua sabedoria, são extremamente valiosas e ficam dentro de nós para o resto da vida.

Notícias da TV - E o filme sobre sua vida, Luiza? Quando teremos a oportunidade de ver?
Luiza Brunet - Estou querendo isso também. Mas por conta da pandemia, por conta de problemas da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e coisas que aconteceram, esse filme parou um pouco. Estava bem adiantado. Já está sendo roteirizado. Eu estava feliz com os roteiros que estava recebendo. Mas eles resolveram dar um tempo para recomeçar daqui a pouco, como tudo no Brasil, né?

Notícias da TV - Existe elenco? Quem vai ser você no cinema? Vocês têm isso batido com o martelo batido?
Luiza Brunet - Não, não tem. Na verdade, a Carolina Kotscho [roteirista] que decide o casting, ela acha que ela vai usar o mesmo modus operandi que ela fez em 2 Filhos de Francisco: A História de Zezé Di Camargo & Luciano [2005]. Ela diz que foi para a cidade deles [dos cantores] e ficou ouvindo e observando pessoas. E, de repente, ela se deparou com um menino que ouviu cantando. É bonito ela contar isso. Às vezes, os talentos estão escondidos. Não necessariamente tem que ser um ator pronto. Mas há atores que são natos. Ela sonha em fazer isso novamente. Acho isso maravilhoso, e tudo que ela faz é 100% confiável. Então, nem me meto nisso.

Notícias da TV - Mas nessa sua produção, você vai atuar? Pelo menos uma participação?
Luiza Brunet - Sim. Tem uma chance de participação, mais para o final do filme que já é a Luiza Brunet como ativista. É um filme com o recorte bem nos anos 1980. Mas acho que os últimos anos da minha vida até agora são os que considero de uma importância maior em termos humanitários, com atitudes que podem contribuir para sociedade e para as mulheres. Considero que é o meu melhor momento.

reprodução/tv globo

Luiza Brunet em Araponga (1990)

Notícias da TV - Você falou da sua fase atual como ativista. Infelizmente, aconteceu aquele episódio em que você foi vítima de agressão. Como é que está essa situação, Luiza? Juridicamente falando, você acha que a justiça foi feita? Tem mais alguma coisa a ser resolvida?
Luiza Brunet - Quando decidi fazer a minha denúncia em 2016 --sofri a violência em maio de 2016. Eu não tinha percebido ainda o quanto a Justiça é lenta para essas coisas. Então, fiquei nessa expectativa de quatro anos esperando que a Justiça fosse favorável.

O que acontece normalmente é que o agressor, ele desmoraliza a mulher, ele desqualifica, chama de louca, e tudo isso pesa muito quando você tem a sua verdade. E quatro anos depois, finalmente, acabou o processo de agressão física na lei Maria da Penha. Ele foi condenado.

O momento em que a mulher recebe a notícia de que seu agressor foi condenado restaura muito. É uma restauração absurda como pessoa, com a sua própria identidade e a sua verdade. Então, isso dá um conforto de que a justiça foi feita, sim. 

Notícias da TV - Você acha que o trabalho mais difícil no combate à violência contra a mulher é fazer com que as vítimas denunciem?
Luiza Brunet - Sem dúvida. O que eu acho que falta é uma conscientização maior e campanhas educativas. As campanhas [atuais] são muito pontuais e parece que se esqueceu o assunto, sabe? É isso que precisa, para que a mulher interiorize a importância da denúncia e não a retire. 

Notícias da TV - Vivenciando esse mundo, você deve ouvir histórias chocantes. Você se assusta, se choca com o que vivencia e com o que te confidenciam?
Luiza Brunet -
Ah, muito. Recebo muitos pedidos de ajuda de mulheres que foram violentadas sexualmente, moralmente e fisicamente. Eu recebi no meu WhatsApp... Uns meses atrás, na Bahia, uma mulher que teve a cabeça rachada. Ele [o agressor] tentou matá-la, mas ela sobreviveu. Ela me pediu ajuda, eu a coloquei em contato com uma promotora lá da Bahia. Meses depois, com o processo rolando, ele a atropelou e a machucou de novo --ou seja, é recorrente. Esse caso me deixou muito triste, pois falo com ela no celular, falo com o filho dela. Eu ligo para saber sempre como ela está. Criei um vínculo com ela.

Notícias da TV - Você acaba se envolvendo com a pessoa e a família, né? Você está contando que conhece o filho, a família…
Luiza Brunet - Sim. Fico envolvida. Não tenho como separar a parte profissional da emocional. Isso acontece regularmente. Disponibilizo meu celular e falo: "Me liga a hora que você quiser". E elas ligam. É muito importante. Quando se faz um trabalho humanitário, não se pode ser só profissional.

Tem que ter um momento de amor, carinho e afeto. Falar com a pessoa: "Fica tranquila que estou aqui, se precisar de mim pode me chamar". Acalenta muito o coração de quem está do outro lado oprimido, pois já passei por isso. Sei o quanto é importante um carinho, mesmo que seja por telefone. Ele abraça você de todas as formas.

reprodução/instagram

Luiza em evento de conscientização

Notícias da TV - Recentemente, a Isis de Oliveira revelou que te viu como sinônimo de socorro no momento em que ela também foi vítima de violência doméstica. Ela te ligou e você fez exatamente o que falou agora: ajudou. Você se dá conta do que representa para as mulheres?
Luiza Brunet - Tenho feito um trabalho orgânico. Minha preparação foi a vida que me deu, oportunidades de vivenciar tantas coisas e usar isso a favor das mulheres. O fato de ter sido convidada pelo presidente do STF [Luiz Fux] para ser uma das pessoas que está no Conselho Nacional de Justiça me trouxe uma nova configuração como mulher. Sempre falo que considero um cargo que nunca pensei que pudesse estar. Para mim, é como se estivesse num cargo diplomático.

Todas as pautas são importantes e necessárias, e precisamos que elas sejam aceleradas para que aconteçam coisas boas para a sociedade. O que se decide ali, o que o presidente do STF chancela, é o que vai acontecer. Então, acho, sim, que me reconheço como uma pessoa de valor para poder estar neste lugar que estou agora.

Notícias da TV - Como você cuida da sua saúde mental, Luiza? Diante desse cenário e histórias como essas?
Luiza Brunet - Sou uma pessoa muito falante, muito aberta. Meu emocional é à flor da pele. Não tenho nenhum problema de sentir necessidade de fazer terapia para ter suporte. Minha terapia é mais assim: fico feliz quando vou a campo e posso ter contato com as mulheres. Isso preenche muito a lacuna que talvez exista.

Notícias da TV - Recordo que na sua biografia você falou abertamente sobre aborto. Hoje, qual é seu posicionamento sobre o tema, como ativista?
Luiza Brunet - Aborto jamais pode ser como uma forma de evitar a gravidez. Evitar a gravidez e outras doenças, evidentemente, tem que usar camisinha. Mas tudo o que é proibido é feito na clandestinidade, e isso traz muitas mortes para adolescentes e mulheres. Vimos recentemente o estupro de uma menina. Foi permitido que ela fizesse o aborto e, na frente do hospital, as pessoas estavam revitimizando essa criança de nove anos de idade grávida. Quando vejo isso, percebo que precisamos falar sobre aborto abertamente. Se houver necessidade, sim, sou a favor do aborto. Agora sou completamente contra a irresponsabilidade de fazer aborto por fazer, porque engravidou e tudo bem. Não é isso.

Eu fiz aborto quando era muito jovem. Eu precisava sustentar a minha família, e fiz a escolha de Sofia [decisão difícil sob pressão e sacrifício pessoal]: ou eu trabalhava para ter essa responsabilidade que havia assumido já ou teria um filho. Como eu tinha 16 anos de idade, assumi esse risco sozinha. Foi uma atitude minha na época e corri o risco, sim, pois não fiz num lugar adequado, que é o que acontece hoje. Muitas mulheres adultas e crianças jovens morrem por fazer aborto em lugares que não são propensos. Quando envelhecemos, questionamos muito isso. Mas são culpas e dúvidas que vamos carregar para o resto da vida. Não tem como voltar atrás e resolver isso. Tem que seguir adiante. 

reprodução/instagram

Luiza em Brasília em junho último

Notícias da TV - Diante de todo esse seu trabalho, isso quer dizer que você está se aproximando cada vez mais da política. Pensa em ter um cargo ali em Brasília?
Luiza Brunet - Tudo que faço não deixa de ser política social e humanitária. Tenho ido bastante a Brasília e participado de eventos importantes. Tenho vontade, sim. Política é uma coisa que me interessa. Sempre gostei. Pode ser que no futuro, sim. Não descarto a possibilidade, mas, por enquanto, estou muito feliz como ativista porque o que estou fazendo está sendo muito bom.

Notícias da TV - Você falou sobre a questão da saúde da mulher. Dei uma rápida olhada no seu Instagram e você estava pedindo comentários sobre a libido para suas seguidoras. A vida sexual também faz parte da saúde da mulher, e isso também está entre suas pautas nesse trabalho?
Luiza Brunet - Tudo que diz respeito à mulher, desde a menina jovem com suas dúvidas até a mulher mais madura. São assuntos que ainda são tabus e que precisamos relatar. A libido é maravilhosa, nós precisamos ter um parceiro sexual, ter uma vida sexual ativa, ter orgasmos maravilhosos. Isso conquistamos com entendimento e de uma forma educacional.

Notícias da TV - Já vi declarações suas em que você falou que, apesar de ser um símbolo sexual, teve poucos parceiros nessa vida. Isso também é real?Luiza Brunet - Isso é real. Sempre fui de namoros e casamentos longos. Sou uma mulher que nunca teve o desejo ou o comportamento de ter sexo casual. Eu não sou contra. Cada mulher escolhe a forma como deve conduzir sua vida íntima. Mas sempre gostei de ter aquela primeira aproximação do namoro, do desejo, aquela coisa demorada. Não é aquela coisa "pum" [rápida]. Sou muito romântica ainda. Sempre fui.

E a partir do momento que escolho e decido ficar com o homem, o meu pensamento e comportamento é de ter uma longevidade, de conhecer essa pessoa, de poder compartilhar a sua história do passado e do que vamos viver lá na frente. Gosto desse momento, acho que me completa mais do que esses encontros casuais.

Notícias da TV - Gostei da fala: 'Eu decido quando eu decido ficar com o homem'. Agora como é que está? Está decidindo por alguém?
Luiza Brunet - Não, estou tranquila (risos). Na verdade, o impacto que sofri com essa violência doméstica... E acho que isso acontece com muitas mulheres também, você fica meio receosa quando conhece alguém. É difícil entregar o coração para alguém. Mas estou buscando. Estou, como diz o pessoal jovem: estou na pista (risos).

reprodução/instagram

Luiza: modelo de sucesso e símbolo de beleza

Notícias da TV - E para a Luiza Brunet é fácil estar na pista ou não?
Luiza Brunet - É difícil. É difícil até porque o que busco são esses homens com conteúdo, gosto de homens mais velhos, que têm o comportamento que me agrade e que seja parecido com o meu. Então, o nicho vai ficando mais apertado, mas há de existir homens que ainda queiram uma mulher madura, ativista, que já é independente. Não sou uma mulher comum. Tenho meus preceitos.

Notícias da TV - Você acha que assusta os homens? Primeiro pela beleza, depois pelo empoderamento?
Luiza Brunet - Acho que mais pelo empoderamento. É difícil um homem entender a mulher que é autossuficiente economicamente, que tem a vida estabilizada... Depois, "ela fala demais", é feminista, toma atitude, "o cara bateu nela e ela foi lá e fez denúncia". Acho que assusta, mas acho que há homens que admiram as mulheres que são corajosas. Hoje em dia, temos que fazer a diferença na sociedade. E a diferença só fazemos com atitudes contundentes e pensamentos progressivos.

Notícias da TV - É muito legal ouvir você falar de tudo isso. Depois de tudo que você viveu, é nítido que ainda acredita no amor, certo?
Luiza Brunet - Sim, sempre. Creio no amor, por isso que tive três casamentos. E acredito demais. Eu gostaria de viver minha vida até o final ao lado de um homem maravilhoso, andando de mão dada, sabe? Numa pracinha, tomando sol e jogando dominó (risos). E existe isso. É possível. Admiro os casais que têm uma longevidade no relacionamento, pois é lógico que a parte sexual e a paixão se transformam em amor, em companheirismo, e é muito sagrado isso. Com o tempo, é isso que buscamos.

Notícias da TV - Você falou agora em envelhecer. Como encara o envelhecimento?
Luiza Brunet - Encaro muito bem. Não tenho nenhum problema em falar a idade. Esconder a idade é uma bobagem. A idade não está no número 59, 69 ou 79. Não é a idade que define a mulher ou o cabelo branco que ela pinta. O que define a mulher é o quanto ela é bacana, importante, agregadora, parceira... O quanto ela se doa e se respeita.

Notícias da TV - Já fez algum procedimento para driblar essa chegada das rugas, do envelhecimento? Você é adepta disso?
Luiza Brunet - A tecnologia vem para trazer um conforto enorme. Já fiz um lifting com 47. E, hoje em dia, faço tratamentos menos invasivos, sem corte. Fiz exercício a vida inteira. Hoje em dia, faço pilates e caminhada. Acredito muito na beleza de dentro para fora. Sabe? Externamos para fora o que cuidamos por dentro a longo prazo. Mas ainda dá tempo de correr atrás. Tem muita coisa boa no mercado, barata ou cara, que podemos usar e melhorar. A autoestima tem que estar lá em cima sempre, ela ajuda a ficar mais bonita.

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Yasmin e Luiza em registro de maio de 2020

Notícias da TV - Luiza, eu fiquei com uma dúvida. Você não é avó ainda, né? 
Luiza Brunet - Infelizmente, ainda não. Estou sonhando com isso. A Yasmin está com o Gabriel há dois anos. Meu filho Antônio também já tem 22, já mora com a namorada. Espero que, daqui a pouco, eu possa ter um neto para balançar o bercinho (risos).

Notícias da TV - Você cobra isso deles?
Luiza Brunet - Não, não cobro. Mas lógico, como toda mãe, tem um legado que a gente quer deixar. Mas se eles decidirem não ter, também não tem problema. É uma decisão muito pessoal, muito única. Mas vou adorar ser avó.

Notícias da TV - Perguntei isso porque recentemente teve aí uma suspeita. A Yasmin deixou todo mundo ansioso, já que parecia que ela estava grávida.
Luiza Brunet - Pois é. São essas notícias que temos que tomar cuidado no compartilhamento. Na verdade, acho que tudo isso surgiu, talvez, de um carinho que Gabriel fez no corpo dela, talvez na barriga. E as pessoas entenderam como se fosse uma gravidez. Mas quando estiver grávida, ela vai falar. Ela quer ter filhos, ele também quer. O casal está junto e apaixonado, tem que ter filho mesmo.

Notícias da TV - A Yasmin, recentemente, estava no centro das atenções por causa do Medina e das Olimpíadas. Como você vê o novo integrante da família? Ele foi aprovado?
Luiza Brunet - Primeiro, quem tem que aprovar é ela. Ela tem autonomia de escolher os parceiros dela. Evidentemente, se fosse um cara que não fosse bacana, fosse um cara agressivo, eu interviria. Mas conheci o Gabriel pessoalmente e é um garoto maravilhoso. É um homem, não é um garoto. Um homem responsável, com preceitos que têm a ver com a nossa filosofia de vida. Essa conjunção foi fantástica. Eles estão apaixonados, e isso que importa. Fico muito feliz que ela tenha encontrado um parceiro, que eles tenham se encontrado. Para ela é bom, para ele é ótimo também. Que eles vivam em paz, com tranquilidade, sem muita confusão e sejam felizes.

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Yasmin e Medina: sogra elogia genro

Notícias da TV - Como você vê esse burburinho ao redor dela? Em alguns momentos, ela é colocada até como vilã de possivelmente separar uma família. Como é para você, como mãe, acordar e ver a Yasmin em notícias como essas?
Luiza Brunet - Aprendi com a minha própria experiência para não valorizar aquilo que a gente não é. Eu falo para a Yasmin: "Você não é nada disso que estão atribuindo a você". Então, siga no seu propósito com o seu marido. Não deixe que esses comentários te contaminem. Isso aprendi na minha própria experiência. E quando você tem esse entendimento, não se torna agressiva. As pessoas falam o que elas querem, sem embasamento nenhum, sem saber o que acontece de fato, se é que acontece de fato.

Esse pré-julgamento e o julgamento pesado que as pessoas fazem contra mim, contra ela e contra todo mundo é doentio. São juízes da internet que magoam, destroem e matam mulheres e adolescentes. Quando apontam responsabilidades que as pessoas não têm, quando julgam de uma forma muito agressiva, como se fosse um tribunal. A única forma de nos mantermos com a saúde mental em dia é não deixar que isso interfira na nossa vida.

Notícias da TV - Você se preocupa com o psicológico dela diante de tudo isso?
Luiza Brunet -
Eu me preocupo, sim, com o psicológico dela, com o psicológico dele, com o psicológico das pessoas que conheço, das mulheres que vejo sofrendo, porque são revitimizadas. Acho muito danoso para as pessoas que estão em estado de sofrimento serem apontadas o tempo inteiro como se fossem a grande vilã. Geralmente quem aponta o dedo para um vilão está passando por algum sofrimento e descarrega suas próprias dores no outro. Tem que prestar muita atenção na própria história de quem está apontando o dedo.

Notícias da TV - Falando nisso, trabalhando com isso com outras mulheres e vendo sua filha passar por essa situação. Você acha que ela sofre algum tipo de violência, perseguição ou até preconceito?
Luiza Brunet - Perseguição, sim. Ela passa por isso. Mas ela está bem e tranquila. Ela está observando. De vez em quando, ela coloca uma coisa ali e outra ali [nas redes sociais], o que é natural. Você não consegue ficar 100% ilesa de algum tipo de comentário abusivo agressivo. Então, ela responde, como eu respondia também. Hoje em dia, não respondo mais. É tudo aprendizado. O sofrimento serve para melhorarmos como pessoa. Quem não melhora não vai ser nunca uma pessoa evoluída.

Sempre falo para a Yasmin e para todas as jovens que não podemos nunca dizer assim: "É uma desgraça isso que estou passando". Não. [Temos que dizer:] "Estou passando por isso, mas vou sair inteira, íntegra e melhor do que isso". O sofrimento só traz uma série de reflexões, atitudes diferenciadas, amadurecimento, uma compressão maior. O sofrimento é bom. O ser humano consegue se reconstruir diante de qualquer problema.

Notícias da TV - Para finalizar, por favor, você pode deixar um recado para as mulheres sobre esse seu trabalho tão importante que é lutar contra a violência doméstica e alertá-las de como não se calar.
Luiza Brunet - É muito importante as mulheres e os homens também terem esse entendimento. Não achar que a pauta feminina é mimimi ou que o feminismo é uma coisa horrorosa. O feminismo só quer uma sociedade igualitária. Igualitária significa direitos iguais. É o que buscamos. Se você vê que uma mulher está sofrendo, tem que chegar e perguntar: "Você precisa de ajuda?". A nossa responsabilidade é dar um basta nisso através do nosso comportamento acolhedor. O que eu diria para as mulheres é: se fortaleçam. Não tenham medo de denunciar. Não tenham medo de homem. Entendeu? Uma mulher que faz uma denúncia e que a leva até o fim é corajosa. Ela tem que ser respeitada e aplaudida de pé. 

Confira os destaques da entrevista de Luiza Brunet ao Notícias da TV:


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