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ATUAL E FORTE

Pedaço de Mim: Netflix pisa na Globo com novelão que aprisiona espectador

REPRODUÇÃO/NETFLIX

A atriz Juliana Paes está caracterizada como Liana em Pedaço de Mim, da Netflix

Juliana Paes é a protagonista de Pedaço de Mim: Liana fica grávida de gêmeos de pais diferentes

MÁRCIA PEREIRA, colunista

marcia@noticiadastv.com

Publicado em 7/7/2024 - 13h14

Pedaço de Mim é um novelão clássico, com ingredientes que reforçam a força do gênero que é o principal produto de exportação da Globo há décadas. Apesar de ter sido definida como série pela Netflix, a trama é uma fórmula renovada de folhetim: curta, com gancho forte no final de cada capítulo e texto que aprisiona o espectador.

Feita por ex-globais, o novelão é a prova de que a emissora perdeu a mão ao deixar escorrer um sucesso desse pelos dedos enquanto vive no limbo da criatividade. A líder de audiência na TV aberta tem deixado de lado ideias novas para apostar em remakes ou continuações de histórias que deram certo, como é o caso de No Rancho Fundo --trama derivada de Mar do Sertão (2022). 

Pedaço de Mim é encabeçada por atores que o público brasileiro gosta, com muitos anos de experiência e que têm carisma: Juliana Paes e Vladimir Brichta. Foi criada e escrita por Angela Chaves, autora que havia mostrado a força do seu texto mais recentemente em Os Dias Eram Assim, novela das onze exibida em 2017. Antes de deixar a Globo, ela fez a adaptação de Éramos Seis (2019).

O diretor Mauricio Farias é outra cria da Globo, trabalhou 28 anos na emissora. Seu último folhetim foi Um Lugar ao Sol (2021), novela de Lícia Manzo gravada toda antes de entrar no ar com rígidos protocolos de segurança por conta da pandemia de Covid-19.

A Netflix abocanhou um time que deixou a Globo com a redução de contratos fixos de longo prazo e fez uma série com DNA de novela --seja lá qual for a definição que queiram dar ao produto. Pedaço de Mim é melodrama na veia, com um tema que mexe demais com a cabeça do espectador: uma mulher que engravida de dois homens ao mesmo tempo: o marido e o estuprador.

A história começa com Liana (Juliana Paes) neurótica para engravidar. Terapeuta ocupacional, ela praticamente usa o marido, Tomás (Vladimir Brichta), para ser fecundada. Ele tem um caso que é desmascarado em seguida e sai de casa.

Marcos serra lima/netflix

Liana (Juliana Paes) e Tomás (Vladimir Brichta)

Liana vai se divertir com a melhor amiga e sócia, Débora (Martha Nowill), na boate de Oscar (Felipe Abib). Ele é irmão de Débora e era o melhor amigo do irmão de Liana, que morreu em um trágico e conturbado acidente de carro. A noite termina com ela inconsciente sendo estuprada em sua própria cama.

O drama pesado ganha uma "porrada" com a notícia da gravidez dela de gêmeos. Liana faz um teste de paternidade com pouco mais de seis semanas de gestação. Quem assiste Renascer no horário nobre da Globo não tem como não pensar na enrolação da gestação de Teca (Lívia Silva), que criou uma farsa inverossímil para os dias de hoje sobre o pai de seu bebê.

Voltando para Pedaço de Mim, que prende ainda mais justamente aí: Liana é um caso raríssimo de superfecundação heteroparental. Com dois filhos no ventre, um de cada pai, ela abre o jogo com o marido. A essa altura, eles já se reconciliaram, e Tomás está em êxtase com a gestação da mulher.

A trama usa a fecundação de dois óvulos em transas diferentes numa mesma gestação como o ponto de partida de uma história que todo mundo vai querer saber como termina. De acordo com a Netflix, há cerca de 20 registros reais de superfecundação heteroparental em todo mundo. Esse é um tipo de sacada que os noveleiros já viram em tramas de Gloria Perez, como O Clone (2001), Salve Jorge (2012), A Força do Querer (2017) e Travessia (2023).

Palomma Duarte, no papel da médica e cunhada de Liana, Sílvia, está ótima. É a voz do conhecimento que guia o espectador e também a protagonista. E Juliana Paes prova que é uma atriz que só melhora com o tempo.

Pedaço de Mim é uma trama com poucos personagens e cenas externas. Tem cenários bonitos e imagens de paisagens do Rio de Janeiro belíssimas, mas é uma história que aprisiona o público pela força do roteiro, nem por isso foge de diálogos com frases clichês e também deixa lacunas ao avançar rapidamente no tempo.


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