FLOP NO CINEMA

Influente, mas nem tanto: Netflix está mesmo lançando astros do amanhã?

Divulgação/Netflix e Lionsgate

David Harbour como o xerife Hopper de Stranger Things e na pele do anti-herói Hellboy nos cinemas - Divulgação/Netflix e Lionsgate

David Harbour como o xerife Hopper de Stranger Things e na pele do anti-herói Hellboy nos cinemas

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 17/04/2019, às 06h01

Depois de mudar a maneira como boa parte do público consome entretenimento e de se declarar "a nova casa do cinema", a Netflix agora se orgulha de lançar os astros do amanhã. Mas a plataforma se esquece de dois fatos: os hábitos dos assinantes ainda são imprevisíveis, e fazer sucesso no streaming não implica uma renovação de Hollywood.

A relevância da Netflix para revelar grandes nomes caiu de vez por terra no último fim de semana, quando o filme Hellboy chegou aos cinemas norte-americanos. O longa sobre o anti-herói dos quadrinhos é protagonizado por David Harbour, mais conhecido por viver o xerife Hopper na série Stranger Things

Só que Hellboy fracassou nas bilheterias dos Estados Unidos: o longa arrecadou apenas US$ 12 milhões (R$ 46,7 milhões), menos de um quarto do seu orçamento, estimado em US$ 50 milhões (R$ 194,8 milhões) --valor que nem considera gastos com publicidade. Perdeu para o fenômeno Shazam! (em sua segunda semana em cartaz) e para a comédia Little, que custou apenas US$ 20 milhões (R$ 77 milhões).

O flop do longa não mexe diretamente com os cofres da Netflix, mas afeta sua credibilidade diante do mercado. Afinal, Hellboy é o segundo grande longa estrelado por uma cria da plataforma --Harbour está na ativa desde 2002, mas só foi se tornar um nome conhecido mundialmente ao atuar em Stranger Things, série que lhe rendeu duas indicações ao Emmy e uma ao Globo de Ouro.

A aposta anterior em um rosto da Netflix para bombar no cinema também fracassou: no ano passado, Claire Foy (vencedora do Emmy e do Globo de Ouro por The Crown) chegou às telonas com Millennium: A Garota na Teia de Aranha. No mundo todo, o longa arrecadou apenas US$ 35,2 milhões (R$ 137,2 milhões), e não pagou sequer seu orçamento, estimado em US$ 43 milhões (R$ 167 milhões).

divulgação/sony pictures

Claire Foy, revelada em The Crown, em cena do longa Millennium: A Garota na Teia de Aranha

Em 30 de maio, vem a prova de fogo definitiva: é quando estreia de Godzilla 2: Rei dos Monstros, protagonizado por Millie Bobby Brown, a Eleven de Stranger Things --principal nome que a plataforma de streaming conseguiu inserir na cultura pop mundial.

O longa é uma aposta e tanto da Warner Bros.: tem orçamento estimado em US$ 200 milhões (R$ 778 milhões) e uma sequência, Godzilla vs. Kong, já filmada e marcada para chegar aos cinemas em março do ano que vem.

Só no gogó

Para a Netflix, o fracasso de seus astros fora das séries pega mal porque a própria companhia faz questão de ressaltar o poder que ela tem de movimentar discussões e influenciar os gostos dos assinantes.

Em um relatório entregue aos acionistas em outubro do ano passado, para valorizar os resultados do terceiro trimestre, a plataforma apontou o quanto seus atores ganharam seguidores no Instagram depois de aparecerem na Netflix.

Katherine Langford, estrela de 13 Reasons Why, saltou de 100 mil para 13,4 milhões. Galã de Para Todos os Garotos que Já Amei, Noah Centineo tinha 800 mil antes do filme; agora, com três longas da Netflix no currículo (e um quarto em produção), o "namoradinho da internet" acumula 16,7 milhões. A própria Millie Bobby Brown não tinha nem 100 mil fãs antes de Stranger Things, e hoje soma 18,5 milhões.

"A lista nos dá exemplos muito específicos de atores que foram de completos desconhecidos a superastros globais em questão de semanas ou meses", valorizou Ted Sarandos, chefe de conteúdo da Netflix, na ocasião.

Pelo jeito, ser um "superastro global" na Netflix ainda não é garantia de bilheteria para outros projetos. Resta saber se Sarandos vai tentar justificar o fracasso de seus atores em outras plataformas na próxima reunião com acionistas...

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