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BATE UM BOLÃO

Da ditadura a Bolsonaro, Casagrande dá lição de democracia a influencers

REPRODUÇÃO/GLOBOPLAY

O ex-jogador e comentarista Walter Casagrande sentado em uma conversa no documentário Casão - Num Jogo Sem Regras

Walter Casagrande dá entrevista ao documentário Casão - Num Jogo Sem Regras, do Globoplay

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 21/6/2022 - 6h25

Aos 59 anos, e mais de quatro décadas de ativismo político, Walter Casagrande Jr. resiste à chamada "era dos cancelamentos" nas redes sociais. O ex-jogador de futebol é um dos principais críticos do atual governo e não abaixa o tom mesmo ao dialogar com núcleos de forte apoio ao presidente Jair Bolsonaro --do setor esportivo aos evangélicos.

O comentarista da Globo não tem uma fórmula mágica para dar as suas opiniões sem ter que, no dia seguinte, postar um vídeo de desculpas aos prantos. Ele mantém até hoje um dos valores que foi imprescindível até no nome de um dos principais movimentos que liderou dentro do Corinthians. Trata-se do respeito à democracia.

O documentário Casão – Num Jogo Sem Regras, do Globoplay, deixa bem claro que o futebolista também bate um bolão quando o assunto é o jogo democrático. Não à toa, ele começa sua militância dentro da Ditadura Militar (1964-1985), em que o "cancelamento" não se tratava de uma mera expressão.

A censura enfrentada por Casagrande no passado é um tanto mais ferrenha do que a econômica denunciada recentemente por um grupo de influencers, reunindo figuras de Deolane Bezerra a Luísa Sonza. O silenciamento não doía apenas no bolso, mas também no corpo.

O xis da questão é que, em um país sem memória, o ex-atleta faz questão de lembrar às onze da manhã na TV aberta que nós devemos ter "ódio e nojo" de qualquer aceno antidemocrático --para parafrasear a frase de Ulysses Guimarães (1916-1992).

Liberdade de expressão

A atuação de Casagrande, seja na televisão ou nos próprios perfis, é talvez um dos casos mais claros do que é a liberdade de expressão dentro das democracias. Ele, por exemplo, não buscou qualquer tipo de carta branca no Encontro ao criticar publicamente a posição de Bolsonaro diante do desaparecimento de Dom Phillips e Bruno Pereira na Amazônia.

O ex-esportista, ao contrário, se colocou na linha de frente da bolha bolsonarista nas redes sociais. E, posteriormente, também não usou as suas redes para reclamar dos ataques que veio a sofrer por conta de seu posicionamento --parte do jogo democrático, ainda que rechaçado pelo bolsonarismo.

Casagrande mostra ao público uma ideia mais amadurecida sobre democracia do que ex-companheiros de Globo, como Tiago Leifert. O jornalista foi duramente criticado por sugerir que votaria nulo em um possível segundo turno entre o atual chefe do Executivo e Luís Inácio Lula da Silva durante uma entrevista.

O apresentador fez questão de devolver as críticas que recebeu, claramente dentro da democracia, que é um tanto tautológica. Ele optou por uma posição de neutralidade que lhe é permitida pela aparente estabilidade da Nova República, mas deixou passar a oportunidade de discutir falsas simetrias: será que os adversários nesta eleição são mesmo equiparáveis?

Casagrande, por outro lado, tende a se posicionar. Em 2018, ele foi contra o voto nulo, que foi uma encruzilhada para Leifert, mesmo sem levantar o nome de Bolsonaro ou de Fernando Haddad. A questão que ele levantou foi a mais fundamental, sobre qual dos candidatos representaria melhor a democracia.


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