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VETERANO

'Cobrir Afeganistão é um chamamento', afirma o jornalista Roberto Cabrini

REPRODUÇÃO/RECORD

Imagem de Roberto Cabrini durante reportagem no Domingo Espetacular

Roberto Cabrini no Domingo Espetacular; jornalista relata desafios de cobertura no Afeganistão

ERICK MATHEUS NERY

erick@noticiasdatv.com

Publicado em 4/1/2022 - 6h35

Aos 61 anos, Roberto Cabrini segue na ativa e é um dos principais nomes do jornalismo investigativo do país. Vencedor do Prêmio Notícias da TV com a série documental Missão Cabul, o profissional afirma que "cobrir Afeganistão é um chamamento" na sua carreira.

"Considero que cobrir Afeganistão, mais do que uma missão, é um chamamento. Foi a terceira vez que fui para lá, tenho grande experiência, então considero praticamente uma obrigação pelo fato de conhecer muito bem como as coisas funcionam ali", detalha Cabrini ao Notícias da TV.

Ao longo da sua trajetória profissional, o jornalista presenciou in loco o conflito em três situações: em 1996, quando o Talibã chegou ao poder; em 2008, quando os militares dos Estados Unidos estavam na região; e em 2021, logo após a volta do grupo extremista ao controle do país.

"Sabemos dos riscos, é muito arriscado cobrir Afeganistão. Porém, quando a direção de Jornalismo [da Record] me procurou, prontamente aceitei. Embora, dessa vez, tenha enfrentado uma resistência da minha família, pois ela sabe os riscos dessa cobertura", relata.

Porém, esse é um assunto que diz tão respeito a mim e à minha trajetória. Conheço o povo afegão, suas convicções e contradições. Não me senti no direito de dizer não. Lá, a instabilidade é a única certeza que você tem.

Cabrini admite que conta com uma técnica para seguir a postos em coberturas complexas e perigosas como essa: "Sempre fui uma pessoa tranquila, serena. Os anos de experiência, digamos, tenham me lapidado ainda mais. Então, é muito difícil me abalar. Isso não significa que não tenho medo, mas o meu medo apenas indica limites. Ele não me engessa, me torna ainda mais lúcido".

Além do Missão Cabul, disponível no PlayPlus, Cabrini atuou em grandes coberturas ao longo de 2021, como a morte de MC Kevin (1998-2021) e a caçada ao serial killer Lázaro Barbosa (1988-2021).

"É normal que me convoquem para grandes desafios e se existe algo que acontece na sua carreira depois de anos de profissão é que a sua credibilidade abre portas. As pessoas sabem que não vou julgar ninguém. Vou fazer perguntas legítimas, mas não vou fazer julgamentos", pondera o jornalista, que recebeu destaque no reality show de Deolane Bezerra, viúva do funkeiro.

Desafio no jornalismo

Questionado pela reportagem, Cabrini admite que ser uma referência no jornalismo investigativo traz responsabilidade para a sua carreira. "Amo o que faço, acredito no poder de transformação de uma sociedade pelo bom jornalismo e me sinto muito motivado a continuar. Todas as vezes que inicio uma nova reportagem, sinto como se fosse a primeira", diz.

"Principalmente, acredito na grande contribuição que o bom jornalismo traz para a democratização de uma sociedade. À medida que os anos passam, você vai se tornando cada vez mais experiente e vai aprendendo a ser muito mais pragmático em termos de trazer, de fato, uma reação positiva para a sociedade", complementa.

Considero que uma reportagem só vale a pena quando ela traz algum tipo de contribuição. E qual é a maior contribuição de uma reportagem? Provocar discussão.

"A obrigação e missão de um jornalista não é fazer com que as pessoas pensem como ele pensa. A grande missão de um jornalista é estabelecer uma discussão e trazer boas informações para que a sociedade possa tomar melhores decisões mesmo que, eventualmente, essas decisões possam contrariar aquilo que o jornalista pensa", opina o repórter.

Confira algumas reportagens de Roberto Cabrini:


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