Eu Nunca...

Por que séries com gafes sexuais da adolescência fazem tanto sucesso?

Reprodução/Netflix

Maitreyi Ramakrishnan olha de cabeça baixa para o seu corpo enquanto segura um frasco de perfume na mão em Eu Nunca...

Maitreyi Ramakrishnan em Eu Nunca..., momentos antes de tomar a decisão errada de borrifar perfume na genitália

JOÃO DA PAZ - Publicado em 10/05/2020, às 05h57

Atual fenômeno da Netflix, a série Eu Nunca... é mais uma que faz piada com as trapalhadas da descoberta sexual adolescente. A protagonista Devi (Maitreyi Ramakrishnan) paga micos na sua peregrinação para perder a virgindade com um garoto nadador e bonitão de sua escola. São aventuras didáticas para alguns, e nostálgicas para outros.

A adolescente de 15 anos, estudante do segundo ano do ensino médio, nunca fez um monte de coisas na vida e quer mudar isso. Entre elas, fazer sexo. Corajosa, Devi aborda o galã Paxton (Darren Barnet) na saída do ginásio e pergunta, na lata: "Queria saber se você consideraria... transar comigo?". Surpreendentemente, o menino popular topa, para felicidade da nerd.

Entretanto, um bloqueio entra essa história. Com a palavra, Devi: "Penso em sexo 24 horas por dia, mas não sei como fazer". Encorajada pelas suas duas melhores amigas, ela coloca os neurônios para funcionar a favor do sexo e passou a estudá-lo.

Eu Nunca... exibe cenas hilárias do trio lendo uma página da Wikipédia sobre os Exercícios de Kegel (que fortalece a região pélvica) e aprendendo posições sexuais com bichinhos de pelúcia.

divulgação/Netflix

Maitreyi Ramakrishnan toca o peito de Darren Barnet sem camisa em cena de Eu Nunca...

Mas na hora dos finalmentes, quando vê o sarado Paxton sem camisa, Devi trava e abandona o garoto. Depois dessa recuada, ela retorna à casa do crush com a certeza de que aquele seria o dia (mesmo sem a calcinha fio-dental que ela pediu para sua terapeuta comprar). Como preparação, a menina para em um banheiro antes.

Devi começa um longo ritual, primeiro usando um higienizador bucal. Na sequência, é a vez de garantir que não estaria fedendo, então ela passa um desodorante roll-on debaixo das axilas. Quando tudo parece certo, ela olha um perfume em cima de uma prateleira --e aí comete um erro de novata.

A estudante espalha um pouco do produto no pescoço --um acerto, pelo menos. Mas vacila ao achar uma boa ideia borrifar o perfume dentro da calça, mirando a genitália. O ardor imediato faz Devi sentir na pele o que não deveria ser feito. A hindu clama até por Jesus Cristo.

reprodução/netflix

Em Sex Education, sexo lésbico selvagem pareceu uma luta de MMA, com direito a pé na cara 


Educação sexual e pênis

A odisseia sexual de Devi permeia a primeira temporada de Eu Nunca..., uma experiência que é metade utilidade pública, metade pura comédia.

Aproveitando o título da série, quem nunca enfrentou algo parecido ao que Devi encara, não é mesmo? Caso não, ainda vai enfrentar. Por isso, séries como Eu Nunca... fazem tanto sucesso, capazes de serem relevante para o público adolescente (alvo primário) e o adulto (que se recorda das gafes de outrora).

Sex Education (Netflix) e Pen15 (inédita no Brasil) também surfaram nessa onda, com o crédito de serem consagradas, aclamadas pela crítica especializada.

Com um adolescente tímido que mal consegue se masturbar metido a terapeuta sexual, Sex Education apresentou um bacanal de constrangimentos carnais épicos. Os exemplos são vastos, desde lésbicas em um sexo selvagem na busca da melhor posição na cama (com direito a pé na cara como se estivessem em uma luta) a uma ereção contínua que atormentou um jovem bem dotado.

Houve ainda passagens típicas dessa descoberta adolescente, como entender melhor o próprio corpo e a dar prazer ao parceiro(a). Fazendo jus ao nome com que foi batizada, Sex Education cumpriu seu papel de educar e tirar onda dos mais jovens, um terreno fértil e farto de experiências realistas a serem encenadas.

Anna Konkle dá uns amassos (ou melhor, treina beijo) em uma cabeceira de cama em Pen15

Comédia da Hulu considerada por muitos uma das melhores de 2019, Pen15 (jogo de letras e números com a palavra pênis) é a mais bizarra desse trio, porém a mais inventiva. As protagonistas iniciaram a trama com 13 anos de idade, mas são vividas por adultas trintonas, que contracenam com atores adolescentes de verdade.

Maya Erskine e Anna Konkle, ambas com 33 anos, interpretaram personagens que levavam seus respectivos nomes. Ambientada no ano 2000, Pen15 adentrou no mundo das amigas nerds --Maya ganhou o rótulo de Garota Mais Feia da Escola.

Na sétima série, a dupla descobriu o sexo e o erotismo. E a série mostrou com delicadeza essa fase, como quando uma festa foi realizada por meninos apenas para ver o filme Garotas Selvagens (1998), que exibiu uma cena de sexo a três.

Da masturbação ao primeiro beijo, Maya e Anna foram dedicadas na tentativa de aprender as manhas do sexo. Para tanto, valeu até colocar a boca na cabeceira da cama para treinar uns beijinhos.

Pen15 se destacou, assim como Eu Nunca..., por narrar tudo isso do ponto de vista feminino, ressaltando que as meninas têm desejos e curiosidades sexuais tanto quanto os meninos. Porém, somente eles eram os que majoritariamente dominavam as produções hollywoodianas com esse temática.

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