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De nostalgia dos anos 1990 a conflito racial: 5 motivos para ver Little Fires Everywhere

Imagens: Divulgação/Hulu

Kerry Washington aparece de cara fechada em LIttle Fires Everywhere; do outro lado está a sorridente Reese Witherspoon

As atrizes Kerry Washington e Reese Witherspoon na minissérie Little Fires Everywher, nova atração na Amazon

JOÃO DA PAZ - Publicado em 21/05/2020, às 05h23

Com uma dupla de protagonistas de primeira grandeza, a minissérie Little Fires Everywhere estreia no Prime Video, o streaming da Amazon, nesta sexta (22). Reese Witherspooon e Kerry Washington lideram a trama baseada em um best-seller homônimo sobre o peso e o valor da maternidade, amarrada em um conflito racial que tempera os oito episódios.

Ambientada no final dos anos 1990, a atração se escora na infalível nostalgia para engajar os telespectadores. Outra força do drama é o grupo de cinco atores adolescentes que dão conta do recado contracenando com veteranos. E a minissérie tem um flashback que é um capítulo à parte, no sentido figurado e no literal.

A história provoca um embate entre duas mães de origens distintas. De um lado está a jornalista loira Elena Richardson (Reese Witherspoon, de Big Little Lies), casada com o advogado Bill (Joshua Jackson, ex-The Affair). Eles formam uma família padrão clássica, com quatro filhos adolescentes que moram em uma casa perfeita localizada em um bairro rico nos arredores de Cleveland, no Estado de Ohio.

Chega na cidade a artista plástica negra Mia Warren (Kerry Washington, ex-Scandal), mãe solo de uma adolescente. As duas vivem em um carro velho, itinerantes, cruzando os Estados Unidos. A garota passa a estudar na escola dos filhos de Elena, e Mia acaba virando empregada doméstica da loira. É nessa que Little Fires Everywhere aproveita o gancho para debater, com precisão, questões importantes, como maternidade, racismo e privilégios.

Confira cinco motivos para assistir Little Fires Everywhere:

Jade Pettyjohn, Megan Stott e Lexi Underwood estão no inspirado elenco teen da minissérie


Elenco teen

A série começa com a casa formidável de Elena pegando fogo, "pequenos focos de incêndio por toda a parte (uma referência ao título da série)", diz um dos policiais. Mais do que descobrir quem acendeu as chamas e o motivo, a trama adentra em temáticas variadas, grande parte delas ancorada pelo elenco adolescente.

Os filhos de Elena fazem parte dessa engrenagem. Trip (Jordan Elsass) é o bonitão garoto popular da escola. Lexie (Jade Pettyjohn) é a rainha do baile, bela, inteligente, pronta para entrar em uma universidade de elite. Moody (Gavin Lewis) é mais tímido do que os dois, de uma personalidade adorável. Já a caçula Izzy (Megan Stott) destoa de todos eles, é a ovelha negra da família.

Cada um dos irmãos se conecta com Pearl (Lexi Underwood), filha de Mia, seja por interesse, empatia ou paquera. E as relações incitam atritos raciais e sociais que impactam diretamente no desenvolvimento da minissérie. Cada ator desse quinteto tem seu destaque, mas Lexi (Pearl) e Megan (Izzy) se sobressaem.

Dupla protagonista

Little Fires Everywhere chamou a atenção desde os primeiros passos, principalmente após a confirmação de Reese Witherspoon e Kerry Washington como protagonistas. Com estilos e carreiras bem diferentes, a primeira alçada à fama pelo cinema, e a segunda pela TV, as atrizes dominam suas personagens com destreza, colocando seus nomes como favoritas na disputa do Emmy deste ano.

À primeira vista, pode parecer que Elena é uma extensão da ricaça Madeline Mackenzie, o papel de Reese em Big Little Lies. Mas a jornalista tem muito mais profundidade em sua personalidade. Ela faz um esforço metódico para transmitir para os outros a imagem de perfeita. Mia tem um pouco de Elena em si, por guardar um segredo que a atormenta e faz com que ela viva brigando com a filha.

Conflito racial

O choque entre Elena e Mia é proposital. A criadora da série Liz Tigelaar (produtora da série The Morning Show) trabalhou em conjunto com Celeste Ng, autora do livro, e pediu permissão para escalar uma negra no papel de Mia. Na obra, essa personagem não tem uma cor de pele especificada (dá-se a entender que ela é branca).

Assim, abriu-se uma porta ampla de possibilidades de confrontos, nada gratuito. Como quando Mia diz para Elena que a loira "não tomou boas decisões [na vida], ela teve boas opções de escolha", alertando-a sobre privilégios. A filha que mais se parece com Elena, Lexie, experimenta algo parecido ao fazer amizade com Pearl e namorar um menino negro, atleta de sua escola.

AnnaSophia Robb e Tiffany Boone interpretam versões jovens de Elena e Mia, respectivamente


Flashback

O flashback em Little Fires Everywhere é um caso à parte porque de fato tem um capítulo reservado só para contar o passado de Elena e Mia. Como é só no sexto episódio que essa história, ambientada nos anos 1980, vem à tona, o público chega a esse ponto com uma boa bagagem, por ter visto bem as duas personagens mais velhas em cena. Dessa forma, dá para notar como as atrizes que as vivem na fase jovial fizeram um trabalho impressioante.

AnnaSophia Robb (The Act) ouviu narrações de Reese em audiolivros para pegar o tom certo da atriz famosa, que com Elena tem um volume mais baixo e bem pontuado. Tiffany Boone (Hunters) estudou cada gesto de Kerry para fazer a Mia mais nova. Até o jeito de sorrir ela copiou.

Nostalgia dos anos 1990

Um atrativo infalível de uma série para chamar a atenção do público é apelar para a nostalgia. E Little Fires Everywhere é uma cápsula do tempo de uma era com hinos musicais cantados por Counting Crows e Alanis Morissette (com a icônica música You Oughta Know). Produção e direção de arte trabalharam duro e encheram a série de velharias como aparelhos celulares "tijolão" e jogos de tabuleiro antigos.

Os quartos das duas filhas de Elena são ideiais para uma garota daquela década, com pôsteres e mais pôsteres de bandas e celebridades pendurados na parede. Como uma típica adolescente, Lexi lê as revistas voltadas à sua faixa etária, como uma de 1997 com as Spice Girls na capa. Houve um cuidado meticuloso, do figurino (muito jeans e "coleira" no pescoço) ao corte de cabelos dos atores, assim como os móveis expostos nos cenários.

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