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PROCESSO INTERNO

Globo afasta diretor acusado de racismo e muda o comando de Mar do Sertão

ESTEVAM AVELLAR/TV GLOBO

O diretor Vinícius Coimbra foi acusado de racismo em Nos Tempos do Imperador e afastado da Globo

Vinícius Coimbra foi afastado da Globo por denúncia de racismo em Nos Tempos do Imperador

CARLA BITTENCOURT, colunista

carla@noticiasdatv.com

Publicado em 17/2/2022 - 7h00
Atualizado em 17/2/2022 - 17h28

Vinicius Coimbra, diretor artístico de Nos Tempos do Imperador, foi afastado temporariamente de suas atividades na Globo por causa de uma denúncia de racismo. Coimbra estava à frente da próxima novela das seis, Mar do Sertão, e foi substituído por Allan Fiterman, que dirigiu Quanto Mais Vida, Melhor!.

Procurado, o diretor não comentou as acusações, mas disse que respeita o elenco e que é a favor do diálogo: "o elenco da novela tem todo o meu respeito e admiração. Sou a favor do diálogo e acredito que todas as discussões sobre o tema são necessárias".

A decisão da emissora pelo afastamento de Coimbra foi oficializada na tarde de terça-feira (15) em resposta às acusações de preconceito racial registradas durante as gravações da novela de Alessandro Marson e Thereza Falcão. As atrizes Cinnara Leal, Dani Ornellas e Roberta Rodrigues procuraram a direção da Globo para reclamar de posturas discriminatórias contra atores negros por parte de Coimbra e sua equipe. 

Tanto Ricardo Waddington (diretor de Entretenimento) quanto José Luiz Villamarim (diretor de Dramaturgia) foram avisados sobre as queixas das três atrizes e disseram a elas e seus representantes que tomariam providências. As gravações começaram em janeiro de 2020.

Com o passar dos meses e sem nenhuma mudança de comportamento da direção e da produção da novela, Cinnara, Dani e Roberta fizeram uma queixa formal ao setor de compliance da Globo.

As atrizes alegam que Coimbra e sua equipe tinham falas preconceituosas e que fizeram segregação entre os atores. Em documentos, inclusive, eles separavam as pessoas entre elenco branco e elenco negro. Até camarins separados havia nos estúdios de Nos Tempos do Imperador.

Na queixa ao complicance da emissora, Cinnara, Dani e Roberta falaram sobre o episódio em que a trama vacilou ao retratar o "racismo reverso" envolvendo Samuel (Michel Gomes) e Pilar (Gabriela Medvedovski). A cena causou um pedido de desculpas da autora Thereza Falcão, e Coimbra insistiu que elas e outros atores negros defendessem a novela em entrevista e em redes sociais.

Posteriormente, a Globo contratou consultores para realizar uma revisão histórica e apontar os erros e falhas no texto.

Leticia Sabatella e Gabriela Medevedovski, que interpretaram Thereza e Pilar na novela, foram citadas na queixa ao compliance. Elas defenderam as três atrizes em algumas situações e, ao lado de Maicon Rodrigues, o Guebo da trama, tentaram resolver o impasse entre os diretores e as atrizes, que estavam insatisfeitas com o tratamento recebido nos bastidores.

Orientadas por um corpo jurídico, as três atrizes de Nos Tempos do Imperador esperam o fim da investigação interna para decidirem se vão processar a emissora e Coimbra na Justiça comum. Por causa do ocorrido, Cinnara, Dani e Roberta, ainda abaladas, estão fazendo tratamento psicológico e psiquiátrico.

Procurada, a emissora disse que  não comenta questões relacionadas a compliance em razão do "compromisso de sigilo previsto no Código de Ética". Já as atrizes Cinnara Leal, Dani Ornellas e Roberta Rodrigues também foram procuradas, mas não houve resposta até a publicação deste texto.

Na tarde desta quinta-feira (17), Dani, através de sua assessoria de comunicação, falou que "no momento não irá se manifestar sobre o ocorrido pois está se recuperando e precisa de forças para seguir". A nota ainda informa que "Dani está acompanhada de um corpo jurídico e tudo corre em sigilo".

Posts de atores

Reportagem repercute entre atores (Reprodução/Instagram)

Após a publicação deste texto, atores repercutiram a denúncia no Instagram. "Fiz uma participação nessa novela, meu personagem estava descrito como escravo 1 e ele me chamou de escravo pedindo pra eu me posicionar. A assistente de direção no microfone falou assim: o nome dele é Ricardo e ele nem sequer se redimiu. Na hora foi um choque porque fiquei um pouco constrangido", escreveu o ator Ricardo Lopes.

Fabrício Boliveira, que segue Lopes na rede social, respondeu ao colega: "Meu irmão… Que história…. (...). São muitas histórias ali. Meus sentimentos por você passar por mais essa. Um beijo no seu coração".


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