VALE DE LÁGRIMAS

De mortes a solidão: Por que um final de Éramos Seis fiel ao livro seria traumático?

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

A atriz Gloria Pires, de perfil, chora caracterizada como a Lola em cena de Éramos Seis

Lola (Gloria Pires) cai no choro em sequência do remake de Angela Chaves: desfecho atenuado

DANIEL FARAD - Publicado em 19/03/2020, às 05h19

Em sua quinta adaptação para os folhetins, Éramos Seis vai dar um final feliz a Lola (Gloria Pires) pela primeira vez. O remake de Angela Chaves, entretanto, não será a única versão a atenuar alguns dos acontecimentos da obra de Maria José Dupré (1898-1984). Em suas últimas páginas, o livro reforça o seu tom melancólico com uma série de infortúnios e tragédias que costuma levar até o mais durão dos leitores às lágrimas.

"Li quando era criança, e foi uma das publicações em que mais chorei na vida. Eu me lembro de correr para a cama dos meus pais aos prantos depois de acabar a leitura", confessa a atriz Kelzy Ecard, intérprete da fofoqueira Genu, ao Notícias da TV.

A reta final da novela, aliás, vai despistar o público com algumas cenas bastante parecidas com o destino cruel da matriarca da família Lemos no original. A protagonista também vai perder a sua casa na avenida Angélica e, rejeitada pelos filhos, se abrigará em um pensionato de freiras como nas sequências que serão exibidas a partir de terça-feira (24).

Na versão impressa, contudo, Afonso (Cássio Gabus Mendes) sequer existe para resgatar Lola de sua miséria no asilo de madre Joana (Nicette Bruno). Ela acaba seus dias sozinha, perdida entre as suas memórias. Alguns dos herdeiros, inclusive, ela já não via há anos.

"O que foi a vida em todos esses anos? Sacrifício e devotamento. É como ver uma tarde assim de chuva, pesada de tristezas. Mas não sei lamentar; se fosse preciso recomeçar novamente, novamente faria minha vida a mesma que foi, de sacrifício e devotamento. Devo ser feliz porque cada filho seguiu o caminho escolhido", contenta-se a doceira em uma das últimas passagens do romance.

JOÃO MIGUEL JUNIOR/TV GLOBO

Lola (Gloria Pires) conhece o asilo da irmã Joana (Nicette Bruno) na novela das seis da Globo


Caminhos tortos

Na história de Dupré, a dona de casa corta relações com Isabel (Giullia Buscacio) assim que ela deixa o seu imóvel para se unir com Felício (Paulo Rocha) por conta do preconceito da época. A menina engravida do ex-marido de Zulmira (Luciana Braga) e dá o nome de Carlos, em homenagem ao irmão que também morre no livro.

Em vez de ser alvejado em uma manifestação política, o personagem que coube a Danilo Mesquita na televisão é vitimado por uma úlcera, da mesma forma que Júlio (Antonio Calloni).

Julinho (André Luiz Frambach), por sua vez, se muda para o Rio de Janeiro e se casa com a filha do patrão, que se chama Maria Laura originalmente em vez de Soraia (Rayssa Bratillieri). Ele jamais retornou a São Paulo.

Lola ainda recebe uma carta de Alfredo (Nicolas Prattes). Ele se alistou junto à Marinha dos Estados Unidos e, a esta altura, participa dos combates da Segunda Guerra Mundial (1937-1945) no sul do Pacífico.

"Ninguém ousaria fazer Éramos Seis como está no livro, porque é de uma dureza, uma crueza que a gente termina realmente no chão", afirma Gloria Pires.

REPRODUÇÃO/TV GLOBOo

Afonso (Cássio Gabus Mendes) beija Lola (Gloria Pires): não há um final feliz no livro original


Destino cruel

Lola não é a única a padecer no desfecho da publicação. Clotilde (Simone Spoladore) termina os seus dias sem nunca conhecer o amor, assim como Adelaide (Joana de Verona). Em vez de um distúrbio mental, Justina (Julia Stockler) sofre a história toda com um problema cardíaco que a mata em um ataque fulminante.

Emília (Susana Vieira), por sua vez, morre pouco antes dos conflitos da Revolução de 1932, sem destinar um centavo só de sua herança para a sua sobrinha. Olga (Maria Eduarda de Carvalho) tem um dos poucos finais felizes, com a casa cheia e um casamento de conto de fadas com Zeca (Eduardo Sterblitch).

"Eu fiquei muito arrasado, foi muito devastador. Uma coisa é ler quando é garoto, outra coisa é você ter vivido a vida inteira. A gente percebe que aquela história tem uma dimensão e uma profundidade muito maior", revela Kiko Mascarenhas, que dá vida ao Virgulino na produção global.

Assim como o ator, a maior parte dos leitores entra em contato com o livro no início da adolescência, já que a obra faz parte de um dos maiores catálogos de literatura infantojuvenil do Brasil. Éramos Seis foi republicado em 1973 pela Coleção Vagalume (1973-2012) ao lado de histórias bem menos depressivas, como O Escaravelho do Diabo (1974) e O Caso da Borboleta Atíria (1975).


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