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DISCUSSÃO NA INTERNET

Chamado de esclerosado, Carlos Vereza tem derrota na Justiça contra José de Abreu

MAURICIO FIDALGO E RAQUEL CUNHA/TV GLOBO

Carlos Vereza e José de Abreu em fotos de divulgação da Globo

Carlos Vereza e José de Abreu em fotos de divulgação da Globo; atores discutiram no Twitter em 2020

ELBA KRISS e LI LACERDA

elba@noticiasdatv.com

Publicado em 12/2/2021 - 7h00

Um ano após discutir sobre política com José de Abreu e ser chamado de "esclerosado", Carlos Vereza sofreu sua primeira derrota na Justiça contra o colega. Em janeiro de 2020, o veterano sentiu que teve sua honra abalada pelo ator e deu início a uma queixa-crime. A ação corre na 34ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio e foi rejeitada em decisão do mês passado, pois o juiz entendeu que o réu não cometeu os crimes alegados.

O imbróglio começou em 27 de janeiro de 2020. Em suas redes sociais, Abreu fez duras críticas a Regina Duarte, que naquela época havia acabado de aceitar o convite de Jair Bolsonaro para assumir a secretaria especial da Cultura.

Vereza foi às redes sociais pedir que o ator de 74 anos tivesse respeito pelas escolhas da colega de profissão. "Alô, José de Abreu! Respeite a Regina Duarte! Respeite as escolhas diferentes das suas! Sempre te tratei com afabilidade, aceitando seu ponto de vista em questões ideológicas. Por que vibrar sempre no ódio, nas baixas energias? Procure em você o lado mais generoso, que, com certeza, possui", iniciou.

"Embora não acredite, estamos numa democracia, 57 milhões de eleitores fizeram uma escolha, assim como você. Esqueça os tristes adjetivos, o país carece de amabilidade. Espere, calmamente, até 2022 e vote nos seus candidatos", escreveu em seu Facebook, que citou um verso de Arthur Rimbaud (1854-1891) para o colega.

Abreu, então, foi ao Twitter para responder e comentar o texto do artista de 81 anos. "Meu caro colega, Carlos Vereza. Achei muito bonito seu apelo para que eu respeite Regina Duarte. Mas, infelizmente, eu não respeito nem fascistas nem quem os apoia, como você e ela", publicou.

"Achei bonita sua hipocrisia, sua falta de caráter e memória, digna de um esclerosado que costuma falar com supostos aliens, considerados 'espíritos superiores' que vieram visitá-lo em discos voadores, como se pode ver em um vídeo postado na rede", continuou.

Em sua resposta, Abreu relembrou um episódio que teria acontecido nos bastidores de Corpo Dourado (1998), da Globo, em que Vereza teria agredido uma colega de profissão à base de bengalada.

"Achei também muito bonita sua citação de Rimbaud, um artista louco como eu, não como você, doente, que vê discos voadores. Uma loucura sadia, produtiva, como deve ter todo artista. Como a minha, que ataca fascistas e apoiadores de fascista, como você e Regina Duarte, mas que jamais atira uma bengala numa colega em início de carreira, em cena, como você fez na novela Corpo Dourado. Eu estava lá e vi", declarou.

A discussão toda virou motivo de processo iniciado em 13 de fevereiro de 2020. O veterano alegou que o ator cometeu os crimes de calúnia, injúria e difamação após ter sido ofendido em publicações na rede social, que foram visualizadas e propagadas por milhares de pessoas.

Em 30 de janeiro último, no entanto, o juiz Rudi Baldi Loewenkron rejeitou a queixa-crime e refutou as alegações de Vereza.

O Notícias da TV teve acesso aos autos em que o veterano faz suas considerações e queixas sobre o que foi dito pelo colega. Segundo sua defesa, Vereza se sentiu caluniado por ter sido acusado de agredir "uma colega de profissão no exercício de sua atividade" quando foi dito que ele teria atirado uma bengala nela.

O magistrado entendeu que "arremessar uma bengala na colega de trabalho não importa de forma evidente na prática fato definido como delito, pois não há notícia de um resultado (ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem). Não se tem informação sequer de que tenha atingido o alvo (pessoa em direção a quem teria sido arremessada), nem de lesão física ocorrida. Não há esclarecimentos das circunstâncias, o que também impede a tentativa do tipo penal. Portanto, trata-se de fato atípico", disse em sua decisão.

O intérprete de Botelho em Sob Pressão alegou também que foi difamado ao ser chamado de "fascista e apoiador de fascistas". O juiz analisou que a reputação do ator não ficou abalada nessa fala.

"A palavra fascista, considerada pelo apelante para caracterizar o crime, é um adjetivo. Apoiar fascista não é um fato, um acontecimento, é um termo que se utiliza de forma pejorativa. Porém, não configura o crime em tela porque não foi atribuído ao querelante um fato ofensivo à sua reputação", concluiu.

Por fim, Vereza declarou que o crime de injúria foi cometido pela insinuação de que ele seria "hipócrita, sem caráter, esclerosado e fascista". O magistrado, então, apontou que o experiente artista estimulou a resposta do ator ao publicar primeiro um texto para o intérprete em uma rede social.

"O querelado respondeu à provocação do querelante", disse. Sendo assim, as respostas de Abreu foram vistas como uma consequência do próprio ato do suposto ofendido. "O juiz pode deixar de aplicar a pena quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria", continuou.

"Por essas razões, não vislumbro indícios de autoria e prova da existência dos crimes suficientes para deflagrar a ação penal privada, motivo pelo qual rejeito a queixa-crime", finalizou Loewenkron em seu despacho.

Procurada, a defesa de Vereza informou que vai recorrer da decisão. "Nada demais. Foi o entendimento dele [do juiz] que será revisado em segunda instância. Ainda não há uma decisão definitiva", informou. "Existe uma outra ação em andamento, porém em segredo de Justiça. Sugiro aguardarmos o resultado definitivo das ações", completou.

O outro lado

Com a queixa-crime rejeitada, José de Abreu não foi citado oficialmente no caso. Ao Notícias da TV, o ator, que hoje mora na Nova Zelândia, disse que soube "por cima" da ação de Vereza contra ele, mas que havia recebido a informação de que "ele tinha desistido", o que não aconteceu.

O artista completou que também não tem conhecimento da segunda ação que corre em segredo de Justiça. "Sai do Brasil no dia 23 de novembro [de 2019], no dia em que terminei de gravar A Dona do Pedaço. Então, não posso ser intimado. Fiquei três meses viajando pela Oceania. Hoje faz um ano que estou morando na Nova Zelândia. Não posso ter sido intimado. Não estou no Brasil", considerou.

"Isso tudo a gente vai derrubar no Supremo [Tribunal Federal]. Nós vamos todos para o Supremo discutir liberdade de expressão. Ele deve ter ficado puto com a história da bengalada. Está cheio de testemunha. O que eu contei foi uma nota pública", observou.

Em 2017, Abreu e Vereza trabalharam juntos em Os Dias Eram Assim, na Globo. Segundo ele, a amizade era grande até então. No entanto, as divergências políticas ficaram mais provocativas nos últimos anos.

"Não entendo com uma pessoa culta e informada como ele comete esses deslizes. Acho que ele devia me agradecer por alertá-lo de que está no caminho errado. Adoro ele. A última vez em que nos encontramos, a gente se olhou e se abraçou", relembrou Abreu.

"Ele está sempre do lado errado [na política]. Eu nunca mudei de lado e a vida está me provando que estou certo", destacou. 

Fora as opiniões contrárias sobre política, Abreu foi além e chamou o colega de "esclerosado" em suas respostas, o que o ofendeu e foi parar nos autos do processo.

"É que na hora eu fico meio nervoso", justificou. "Mas eu acho que ele deveria me agradecer porque a esclerose até justificaria essas posições completamente equivocadas dele. Mas, tudo bem. Eu peço desculpas. Só não peço desculpas para a Regina Duarte", finalizou.

Veja discussão entre Carlos Vereza e José de Abreu nas redes sociais:


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