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JOÃO XIMENES BRAGA

Ex-autor de novelas da Globo acusa diretoria da emissora de racismo

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

O autor João Ximenes Braga olha sério em foto tirada no lançamento da novela Lado a Lado da Globo, em 2012

João Ximenes Braga no lançamento de Lado a Lado, em 2012; autor desabafou sobre bastidores da Globo

REDAÇÃO

redacao@noticiasdatv.com

Publicado em 31/10/2021 - 17h48

Ex-autor de novelas da Globo, João Ximenes Braga acusou a diretoria da emissora de ter tentado intervir de forma racista em seus roteiros. Em um desabafo publicado nas redes sociais, o coautor de Babilônia (2015) relembrou alguns episódios dos bastidores, mas sem citar nomes. "Não aceitei fazer essa nojeira", disse o amigo de Gilberto Braga (1945-2021).

Braga se abriu em uma publicação feita no Facebook no sábado (30) e citou um possível diálogo com chefes na Globo. "Faz dela a preta burra", teria dito um diretor. "Não, isso não vou fazer", teria sido a resposta do autor. 

"Foi a única insubordinação que tive. Não aceitei fazer essa nojeira. Daí, veio: 'Ele te detesta porque você é politicamente correto'. O cara virou o todo poderoso de porra nenhuma. É sério, foram essas as palavras que ouvi: 'Faz dela a preta burra". Isso era a orientação da diretoria da empresa", relatou o dramaturgo.

Post no Facebook de autor da Globo

Publicação de João Ximenes Braga sobre Globo (Reprodução/Facebook)

"'Faz dela a preta burra'. Isso era uma ordem. Eu me recusei a cumprir. Aí minha carreira acabou", completou João Ximenes Braga, cuja última novela na Globo foi Babilônia, em que trabalhou como coautor ao lado de Ricardo Linhares e Gilberto Braga.

No elenco da novela das nove considerada o maior fracasso de audiência da Globo, as atrizes negras que integraram o elenco foram Camila Pitanga, Juliana Alves, Sheron Menezes e Sabrina Nonata. Braga não indicou qual seria o alvo do pedido de "preta burra".

Nos comentários da publicação, o ex-Globo continuou relembrando de coisas que teria ouvido nos bastidores, como "só gay se interessa por história de gay", "não pode contratar o 'pretinho' pra depois desistir do personagem" e "ninguém se importa de não ter preto na novela, as pessoas querem ver a Giovanna Antonelli" --sobre a novela Segundo Sol (2018).

Post no Facebook de autor

Publicação de João Ximenes Braga sobre Globo (Reprodução/Facebook)

"A 'cota do Ximenes' [era dita] quando ia entrar um ator negro pra leitura [de roteiro]. O rosário de atrocidades que ouvi, bicho, na boa, na boa. Troço entalado na garganta há seis anos", completou João Ximenes Braga.

Seguidores do autor no Facebook concordaram com a revolta. "É foda. Uns escrotos! Não mereciam você lá. Lamento imenso o que você passou, o que eu passei, e toda essa cultura do cancelamento", escreveu Dedé Sol. "Podres, nojentos, destroem e apagam milhões de vidas e histórias", comentou Dani Corrêa.

"Que horrível... Muito triste quando um profissional extremamente qualificado sai por se recusar a ser perverso. É um ecossistema muito doentio", constatou Felipe Monteiro.

Na época de Babilônia, Silvio de Abreu chefiou a Dramaturgia da Globo. Sua gestão foi de 2014 até 2020. No fim do ano passado, foi anunciado que Silvio deixaria a Globo e teria sua posição de chefia ocupada por José Luiz Villamarim. Após um período de transição, o escritor de 78 anos saiu da emissora de vez em março deste ano. 

O Notícias da TV questionou a Globo sobre o caso, mas a emissora não respondeu até a publicação deste texto.

João Ximenes e Gilberto Braga

João Ximenes Braga desabafou sobre a morte de Gilberto Braga e contou sobre a resiliência do veterano em tentar emplacar uma nova produção na Globo para afastar o fracasso da última novela. O autor ainda apelou para que a emissora disponibilize os capítulos de um folhetim que o novelista havia entregado antes de morrer: "É o mínimo a fazer com a memória de Gilberto".

"Foram quatro décadas e meia como espectador, subordinado e colega. Trabalhei com ele em cinco novelas (ele foi supervisor de Lado a Lado [2012] e há uma outra de que falarei adiante) e uma minissérie. Não há homenagem que eu possa fazer que caiba em rede social", começou o profissional em declaração à jornalista Cristina Padiglione, do jornal Folha de S.Paulo.

"Em 2015, quando voltei da viagem de férias após Babilônia, ele me convocou à casa dele. Fui recebido no quarto, numa cama reclinável, tipo de hospital. Ele não estava bem de saúde, mas lúcido e muito deprimido com o fracasso de Babilônia, que até hoje é o pior ibope do horário", afirmou João Ximenes Braga.

"Não ouso dizer que antecipasse sua morte, mas naquele dia me disse textualmente que não queria encerrar sua carreira com um fracasso e queria voltar a trabalhar logo para recuperar seu prestígio. Pode parecer irrelevante lembrar de um fracasso neste momento em que todos os homenageiam pelos sucessos. Mas superar esse fracasso era importante para ele."

"Passaram-se seis anos e sinto a urgência de pôr os pingos nos is: o fracasso artístico e de audiência de Babilônia não pode ser atribuído a Gilberto e sim à intervenção mal intencionada que destruiu completamente a espinha dorsal da novela", disparou ele.


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