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MEMÓRIA DA TV

Drama de Camila em Laços de Família aumentou doações e gerou 'cancerofobia'

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Camila (Carolina Dieckmann) na cena icônica em que raspa a cabeça durante tratamento de câncer em Laços de Família

Camila (Carolina Dieckmann) na cena icônica em que raspa a cabeça durante tratamento de câncer

THELL DE CASTRO

Publicado em 22/11/2020 - 7h00

Há 20 anos, o drama de Camila (Carolina Dieckmann) em Laços de Família (2000) fez a quantidade de doadores de medula óssea bater recordes no Brasil, mas também gerou uma espécie de "cancerofobia", de acordo com médicos ouvidos pela imprensa na época.

Na trama de Manoel Carlos, que está sendo reprisada no Vale a Pena Ver de Novo, após passar a perna na própria mãe, Helena (Vera Fischer), a garota se casa com Edu (Reynaldo Gianecchini) e, logo em seguida, descobre que está com leucemia.

A luta da garota comoveu o Brasil, especialmente na cena onde ela teve seu cabelo raspado ao som da música Love by Grace, de Lara Fabian, batendo recordes de audiência na ocasião.

O merchandising social espantou os médicos, que viram aumentar, a cada dia, o número de pessoas interessadas em se tornar doadores de medula óssea.

"De novembro, quando a leucemia começou a ser abordada, até a segunda semana de janeiro, a média de cadastrados no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) saltou de cinco por semana (20 por mês) para 225 por semana (900 por mês) --um crescimento de 4.400%", informou matéria do jornal O Globo de 21 de janeiro de 2001.

"Em novembro, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) registrava apenas dez novos cadastrados por mês. Até sexta-feira, o número já havia subido para 149 nas três primeiras semanas no ano. Também somente em janeiro, chegaram ao Instituto Estadual de Hematologia (HemoRio) 154 pessoas querendo se cadastrar como doadoras, quando o número até dezembro não chegava a dez por mês", completou a reportagem.

Cancerofobia

No entanto, nem tudo foi positivo: alguns médicos ouvidos pela imprensa disseram que a novela despertou a curiosidade dos telespectadores, mas também disseminou pânico em muita gente.

"Todas as vezes que uma novela ou filme mostra alguém sofrendo de câncer começa uma verdadeira cancerofobia", disse o oncologista e diretor do Instituto Paulista de Cancerologia, Guilherme Mendes Filho, ao jornal O Estado de S. Paulo de 1º de abril de 2001. "Até minha mulher outro dia veio me acordar querendo saber se sua dor no joelho poderia significar leucemia", completou.

Segundo o médico, o perigo da abordagem do tema na televisão seria o uso incorreto de termos médicos, levando as pessoas a fazerem associações absurdas. "Calculo que 70% das consultas, de uma maneira geral, sejam mais sobre problemas de relacionamento e para psicólogos do que para médicos", avaliou o especialista.

Na reportagem do jornal O Globo, o hematologista Fábio Nucci disse o mesmo. "Nunca tinha visto alguém procurar minha especialidade espontaneamente, sem outra indicação médica. Eles assistem à novela, veem aquele drama e acham que estou escondendo a verdade, que há algo mais grave acontecendo com eles", reclamou.

Para responder aos que acusaram o autor Manoel Carlos de subestimar os efeitos da doença, ele criou outra personagem, Marcela (Paula Tolentino), que fica amiga de Camila no hospital e acaba morrendo no decorrer da trama.

Camila, no entanto, se cura e termina a trama feliz ao lado de Edu. "Camila sobreviverá, mas Marcela morrerá. É uma forma de ajudar na campanha de doação de medula e mostrar a dura realidade da doença", concluiu Maneco.


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