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Críticas a O Outro Lado do Paraíso destroem parceria entre autor e diretor da Globo

Raquel Cunha/TV Globo

Mauro Mendonça Filho e Walcyr Carrasco se abraçam no lançamento de O Outro Lado do Paraíso: cena final - Raquel Cunha/TV Globo

Mauro Mendonça Filho e Walcyr Carrasco se abraçam no lançamento de O Outro Lado do Paraíso: cena final

DANIEL CASTRO - Publicado em 18/09/2018, às 06h20

As viradas mirabolantes e as soluções fáceis e irreais de O Outro Lado do Paraíso acabaram com a parceria de maior sucesso na TV brasileira nesta década. O autor Walcyr Carrasco não digeriu as críticas feitas publicamente pelo diretor Mauro Mendonça Filho à sua última novela e decidiu que eles não trabalham mais juntos. A recíproca também é verdadeira. Mendonça não quer mais encenar nada escrito por Carrasco.

Não houve briga entre os dois. O Notícias da TV apurou que, nos últimos meses de O Outro Lado do Paraíso, ambos manifestaram à cúpula da Globo o desejo de experimentarem novas parcerias. Assim, a próxima novela de Carrasco, um autor que tem fama de castigar atores que colocam cacos em seu texto, será dirigida por Amora Mautner.

Mendonça dedica-se atualmente aos preparos de um musical (Green Day - American Idiot) e de um filme (Princesa Isabel). Na Globo, desenvolve novos projetos com autores de séries, como Fernanda Young e Bráulio Mantovani. Não tem previsão de voltar ao set de gravação de uma novela tão cedo.

Carrasco e Mendonça foram reponsáveis pelos maiores sucessos das 21h e das 23h desde Avenida Brasil (2012). Eles compartilharam o comando de Gabriela (2012) e Verdades Secretas (2015), novelas das onze, e de Amor à Vida (2013) e O Outro Lado do Paraíso, no horário mais nobre.

A parceria só foi interrompida em 2016, por Jorge Fernando, um diretor mais adequado para a comédia de Eta Mundo Bom! _outro grande sucesso da década.

O Outro Lado do Paraíso foi a novela mais vista desde Avenida Brasil. Teve média final de 38,6 pontos, apenas dois décimos a menos do que as reviravoltas de Nina (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves) seis anos antes. Mas foi muito criticada por jornalistas especializados, que viram nela uma "novela preguiçosa, que usou e abusou de truques batidos", como escreveu Mauricio Stycer, do UOL.

Foram justamente essas críticas que estremeceram a relação entre Carrasco e Mendonça, um diretor de muitas referências cinematográficas.

REPRODUÇÃO/TV GLobo

Erika Januza em cena de O Outro Lado do Paraíso que gerou desavença entre autor e diretor

As divergências entre os dois vieram a público na noite de 8 de fevereiro deste ano. No Twitter, um telespectador comentou que "foi emocionante" um cena em que a vidente intepretada por Fernanda Montenegro curou a juíza de Erika Januza, salvando-a de ficar paraplégica após ter sido atropelada.

O diretor-artístico da novela das nove discordou: "É… mas confesso que não concordo com a cena. Tenho uma filha cadeirante. Se tem alguém que sabe que não rola milagre sou eu".

Outros telespectadores aproveitaram a "deixa" e começaram a questionar Mendonça. Ele, então, disse para seus mais de 128 mil seguidores que também não concordava com o encaminhamento da história de Laura (Bella Piero), que foi tratar seu trauma de infância (ela foi seguidamente violentada pelo padrasto) com uma advogada especializada em coaching, e não com um psicólogo.

Mendonça deu um soco no estômago de Carrasco ao dar sua opinião sobre a falta de profundidade e nuances dos personagens de O Outro Lado do Paraíso. "Por que toda maldade da [vilã] Sophia [Marieta Severo] dá certo?", quis saber uma telespectadora.

"Já viu vilão perder no começo? Acaba a novela. Como ela é vilã linear, sem ambiguidade, dramaturgicamente, eles têm que ter poder, para serem vencidos no fim. Isso é bem antigo", respondeu o diretor.

Carrasco não aceitou o "fogo amigo" e decidiu que era hora de procurar outro diretor. Amora Mautner, que vai comandar sua próxima trama das 21h, no ar já em 2019, tem personalidade forte. Corresponsável pelo sucesso de Avenida Brasil, ela está sem dirigir uma novela desde A Regra do Jogo (2015), quando se desentendeu com o autor João Emanuel Carneiro.

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