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SEM DESFECHO

Netflix começa 2020 sem paciência e cancela duas séries recém-lançadas

CHRISTOS KALOHORIDIS/NETFLIX

A atriz Kaya Scodelario em cena da série Spinning Out, cancelada pela Netflix após uma temporada

Kaya Scodelario interpreta Kat Baker, patinadora profissional em Spinning Out; série foi cancelada

HUMBERTO ABDO

Publicado em 5/2/2020 - 4h50

Com apenas uma temporada, a série Spinning Out foi cancelada pela Netflix. O anúncio ocorreu pouco mais de um mês após a estreia, tempo usado pela plataforma para avaliar os dados de visualização e decidir o futuro de suas produções. Outro exemplo recente é o cancelamento do musical Soundtrack, lançado em dezembro.

Spinning Out e Soundtrack integram a lista crescente de séries interrompidas após uma única temporada, que inclui Daybreak (2019), No Good Nick (2019), Tuca & Bertie (2019) e All About the Washingtons (2018).

Assim como outros serviços de streaming, a Netflix não divulga dados detalhados de audiência e considera métricas internas para determinar se o produto merece investimento para novas temporadas.

Mas, segundo uma reportagem do site The Verge, o serviço utiliza três categorias para medir o nível do sucesso de suas produções: os assinantes que assistem a apenas dois minutos de um filme ou temporada de série; os que assistem a 70%; e aqueles que chegam a consumir 90% de todo o conteúdo.

Esses dados contemplam a audiência dos 28 primeiros dias em que os episódios estão disponíveis na plataforma. Ted Sarandos, chefe de conteúdo da plataforma, chama essa métrica de "índice de sobrevivência", crucial para definir se uma série conta com alta taxa de abandono e se merece ser mantida em produção.

One Day at a Time é um bom exemplo disso. Em 2018, oito dias antes de completar as quatro semanas iniciais desde a estreia da segunda temporada, a showrunner da comédia, Gloria Calderón Kellett, pediu aos fãs no Twitter que vissem a série.

"Se você quer apoiar a série e a mim, POR FAVOR, assista ao menos a QUATRO episódios nos próximos dias. A Netflix decide qual série será renovada com base nas visualizações [dos episódios]", escreveu a roteirista. O apelo deu certo, e a terceira temporada estreou em 2019 --mas foi cancelada na sequência pela plataforma e resgatada pelo canal nanico Pop.

Outra série elogiada pela imprensa, mas com destino oposto ao de One Day at a Time, foi Everything Sucks! (2018). O cancelamento precoce da comédia adolescente ambientada nos anos 1990 gerou protestos de fãs, e muitos jornalistas lamentaram o fim abrupto da trama. Porém, ela foi descontinuada por um motivo simples: "Poucas pessoas a assistiram [até o fim]", disse Sarandos.

Cindy Holland, vice-presidente de Conteúdo Original da Netflix, explicou melhor a situação de Everything Sucks! e deu um panorama sobre como a empresa toma decisões difíceis. Embora tenha desfalcado pouco os cofres da plataforma (a temporada completa custou dois terços de um único episódio da superprodução The Crown), "[a comédia] não teve uma audiência abrangente", segundo a executiva.

Plataforma adota medida controversa

Para estabelecer as estreias que quebraram recordes, no entanto, a Netflix alterou recentemente a definição do que constitui um espectador na plataforma, uma medida considerada bem controversa: basta a pessoa ver dois minutos de um filme ou série para ser computada como espectador.

A partir desse parâmetro, a série The Witcher, estrelada por Henry Cavill, foi considerada o maior lançamento da história da plataforma.

Alguns roteiristas e produtores já expressaram incômodo com a falta de transparência sobre os números de audiência. A criadora de Tuca & Bertie, Lisa Hanawalt, criticou o algoritmo da Netflix quando a animação foi cancelada, levando outros produtores a falar sobre as próprias preocupações e sobre o quanto a plataforma valoriza um programa e seu público.

Executivos da Netflix, como o CEO Reed Hastings e Ted Sarandos, abordaram as críticas e prometeram mudanças para este ano.

"Eu consideraria essas métricas menos financeiras do que culturais", disse Sarandos ao The Verge. "Acho importante que os artistas entendam, que o público também entenda, o tamanho do alcance de seu trabalho."

PARRISH LEWIS/NETFLIX

Paul James e Callie Hernandez durante número musical da primeira temporada de Soundtrack

Paul James e Callie Hernandez durante número musical da primeira temporada de Soundtrack

No Twitter, o criador de Soundtrack, Josh Safran, apontou a falta de divulgação do projeto como culpada para o cancelamento da série. "Sinto que nós fizemos algo único, renovador, esquisito e, bem, ótimo. Mas a série desapareceu. Ninguém fez críticas, nada. É como se ela não tivesse estreado", desabafou.

Soundtrack acompanhava um grupo de pessoas cujas histórias se uniam por meio da música em Los Angeles. Alguns momentos musicais chamaram a atenção porque os atores apenas dublavam as canções originais, quando o mais comum em séries do gênero é que o elenco também solte a voz.

Em Spinning Out, o tema central era a jornada de Kat Baker, interpretada por Kaya Scodelario, uma patinadora profissional prestes a desistir da carreira depois que uma queda a tira da pista de competição. Criada pela ex-patinadora Samantha Stratton, a série teria Emma Roberts como protagonista. Por falta de tempo na agenda da atriz, Kaya assumiu o papel.

O desfecho dramático dos dez primeiros episódios deixava clara a possibilidade para continuação, mais um motivo para a frustração dos fãs, que lamentaram o fim: 

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