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Mesmo sem Julia Roberts, 2ª temporada de Homecoming merece uma chance

DIVULGAÇÃO/AMAZON

Com uma jaqueta marrom e cabelo preso em um rabo de cavalo, Janelle Monáe para no meio de um corredor vazio de um prédio em Homecoming

Janelle Monáe na segunda temporada de Homecoming; peso de substituir Julia Roberts em série da Amazon

JOÃO DA PAZ - Publicado em 11/07/2020, às 07h00

Vencedora do Oscar, a atriz Julia Roberts arrasou na primeira temporada de Homecoming, emplacando quatro indicações a prêmios, incluindo um Globo de Ouro. Sem a estrela de Hollywood como protagonista, o drama da Amazon perdeu bastante apelo na segunda leva de episódios, mas mesmo assim merece uma chance. A série continua boa.

Fica nítido o peso que a série deixou de ter com Julia Roberts fora de cena (ela manteve o cargo de produtora-executiva). Se na primeira temporada Homecoming foi assunto frequente na imprensa, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, a volta da série no fim de maio passou despercebida.

A responsabilidade de carregar o piano caiu nas costas da cantora Janelle Monáe, em seu primeiro grande trabalho como atriz de TV. Com muita categoria, ela dominou a situação e fez um trabalho digno de aplausos. Não chegou ao nível de Julia, que flertou com o Emmy, mas também não passou vergonha. Longe disso.

Final de cair o queixo

A segunda temporada de Homecoming teve outro desfalque importante. O cineasta Sam Esmail (de Mr. Robot) saiu da direção. Em seu lugar, entrou Kyle Patrick Alvarez (de 13 Reasons Why). Alvarez misturou seu estilo ao de Esmail, e os andamentos dos episódios repetiram o patamar do trabalho anterior. Em Homecoming, o posicionamento e a movimentação de câmera são tão importantes quanto a trama.

Logo de cara há um bom exemplo disso. O ponto de partida é uma mulher, vivida por Janelle, desacordada dentro de uma canoa, no meio de um rio em um lugar remoto. Ela desperta sem memória, não faz ideia de como foi parar ali e, ao cair em si, vê um homem bem distante, sem reconhecê-lo. Ele foge em disparada na sequência.

O telespectador logo é remetido à primeira temporada e ao que foi apresentado ali: um medicamento que faz uma pessoa esquecer coisas importantes de sua mente. O produto da empresa Geist tinha como alvo jovens militares, o que aparentemente é uma ação louvável, para apagar as horríveis lembranças dos tempos de guerra.

Assistir a Homecoming é como brincar de detetive, por isso não há graça em dar spoilers. O importante é que o telespectador navega na história pelo olhar dessa mulher com amnésia chamada Jacqueline "Jackie" Calico, de acordo com o escrito na carteirinha de militar que ela carrega consigo. Jackie tem uma tatuagem no braço que indica que ela passou pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.

O barato da série é entender como ela foi parar ali. E Homecoming conta tudo sem deixar muita brecha, sem enrolação, já que os episódios são curtos para um drama, não passam dos 30 minutos. Então, é ação e informação o tempo todo, um dinamismo agradável de acompanhar.

E Janelle defende sua protagonista muito bem, atuando com precisão ao mostrar força em um momento e logo depois sendo vulnerável, em um piscar de olhos. Outra coisa importante: ela se deu bem com os dois coadjuvantes da história.

Voltam para o segundo ano o ex-soldado Walter Cruz (Stephan James) e a executiva da Geist Audrey Temple (Hong Chau), que de alguma forma ou de outra vão se conectar com Jackie. Esse trio carrega Homecoming sem esforço até o final da temporada, que tem um desfecho de cair o queixo, amarrando tudo o que ocorreu nos sete episódios.

Com um viés mais psicológico do que o ano de estreia, a segunda temporada de Homecoming merece uma chance de ser vista, uma boa opção de maratona na TV. Até o momento, a Amazon não anunciou se fará uma terceira temporada da série.

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