ESTREIA NA GLOBO

Criticada por filho de Hebe, série dispensa compromisso com realidade

Fábio Rocha/TV Globo

As atrizes Andréa Beltrão e Valentina Herszage, caracterizadas como Hebe Camargo, estão abraçadas em foto posada

Andréa Beltrão e Valentina Herszage interpretam Hebe Camargo em momentos diferentes da vida

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 30/07/2020, às 07h00

Depois de passar pelos cinemas e pelo Globoplay no ano passado, a vida de Hebe Camargo (1929-2012) estreia na Globo nesta quinta-feira (30). Fãs que esperam ver aquela "gracinha" da TV, porém, vão se decepcionar --tanto quanto o filho da apresentadora, Marcello Camargo, que disse em entrevista a Amaury Jr. não ter reconhecido nada de sua mãe no projeto. E com motivo: a série abre mão de seguir ao pé da letra a vida real.

"Essa obra independe [do que a Hebe fez de verdade], não é um documentário. O filme tem que ser visto como filme, a série tem que ser vista como série. E, como obra audiovisual, é um produto maravilhoso, unânime", ensina Marco Ricca, que dá vida ao segundo marido de Hebe, o empresário Lélio Ravagnani (1921-2000).

A roteirista Carolina Kotscho, que encarou de frente o desafio de resumir uma vida tão intensa em uma série de dez capítulos, se baseou em momentos bem reais da vida de Hebe, e em entrevistas que ela deu ao longo da carreira para escrever o projeto. No entanto, é evidente que existe uma dramaturgia ficcional em cima disso.

"É uma Hebe que as pessoas conhecem menos, e as reações são bem apaixonadas, para o bem ou para o mal. Cada um construiu uma memória dela, e acho que a verdade causa surpresa. Essa mitificação da Hebe gerou uma solidão nela. Ela dizia: 'Só o meu pai sabe o quanto eu sou infeliz'. Ninguém pode imaginá-la falando isso, mas ela gritava por socorro. Só que, como ela era fonte de energia e de alegria para tanta gente, é quase uma ofensa colocar isso no roteiro", defende a escritora.

A ideia de se livrar das amarras de um registro quase documental dividiu opiniões, mas acabou servindo como um alívio para o elenco. Andréa Beltrão e Valentina Herszage, que dividem a personagem principal em momentos diferentes da vida, não precisaram se preocupar em ficarem tão parecidas com sua homenageada.

"A escolha das atrizes não passou pela semelhança física em nenhum momento, nem nossa com a Hebe, nem uma com a outra", entrega Andréa, que recebeu "sinais do Além" ao viver o papel. "Isso trouxe uma liberdade imensa de construção dessa Hebe à qual nós chegamos. Quando essa amarra é tirada, o trabalho abre muitas portas e muitas janelas para nós, como atrizes, investigarmos essa personagem."

Mesmo sem a obrigação de se parecerem com Hebe, as duas atrizes buscaram alguns elementos da apresentadora na hora da caracterização. As roupas e joias, retiradas do armário da própria apresentadora, ajudaram a "encarnar" a personagem.

Já o sotaque bem paulistano, por exemplo, foi uma dificuldade para a carioquíssima Andréa. "E nós duas nos encontramos e brincamos muito com alguns gestos da Hebe, a maneira de segurar um bebê, como enxugar uma lágrima", lista Valentina.

A intérprete de 22 anos, que nunca sequer tinha visto um programa de Hebe Camargo na vida, sofreu para incorporar outra marca registrada da apresentadora. "A gargalhada foi bem difícil. Porque eu tinha para mim que só adulto ri daquele jeito, é uma risada que parece que ela está subindo uma escada. Fiquei muito tempo praticando isso, era um terror na minha cabeça", entrega a jovem.

O resultado de tanto trabalho poderá ser visto a partir desta quinta, depois de Fina Estampa, na Globo. Hebe tem dez episódios, que serão exibidos semanalmente. A atração completa está disponível no Globoplay desde dezembro.

Documentário vem aí

Para quem quiser um retrato totalmente fidedigno da vida de apresentadora, Carolina Kotscho também prepara um documentário. Ela entrevistou 40 pessoas, entre gente que conviveu com Hebe Camargo e famosas que seguiram seus passos na TV, como Xuxa Meneghel, Adriane Galisteu e Fátima Bernardes. E, claro, Roberto Carlos (ídolo-mor e paixão platônica da "gracinha") também marca presença.

A ideia inicial era lançar o documentário --primeira incursão de Carolina como diretora-- juntamente com a série na Globo. A pandemia do novo coronavírus, porém, mudou os planos, e o projeto foi adiado por enquanto.

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