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ANÁLISE

Visceral, Amor de Mãe é a evolução que horário das nove precisava há anos

Reprodução/TV Globo

Regina Casé, na pele de Lurdes, chora em cena dramática de Amor de Mãe

Regina Casé vai às lágrimas na cena de Amor de Mãe em que Lurdes descobre que seu filho morreu

RAPHAEL SCIRE

Publicado em 30/11/2019 - 5h00

Desde que o fenômeno Avenida Brasil chegou ao fim, em 2012, o principal horário de novelas da TV brasileira ficou órfão de uma história que quebrasse barreiras de linguagem. Não que outros sucessos não tenham surgido nesse período --taí a recém-encerrada A Dona do Pedaço para provar o contrário. Porém, poucas tramas ousaram mexer com a estrutura do gênero como havia feito João Emanuel Carneiro.

A Regra do Jogo (2015) e A Força do Querer (2017) até flertaram com uma possível mudança, mas de forma geral o horário capengou com histórias clichês, sem muito apelo narrativo. O que se viu foram apenas boas direções em detrimento de bons textos e histórias arrebatadoras. Amor de Mãe, estreia da semana na Globo, chegou para romper esse hiato: ao menos nos capítulos iniciais, apresentou qualidades que têm tudo para fazer da história um sucesso.

A primeira delas sem dúvida é o frescor que o texto de Manuela Dias traz. Maior aposta da gestão de Silvio de Abreu, a autora encara seu primeiro voo solo em novelas numa das rotas mais complicadas da televisão.

Sem vícios ainda, apesar da estrutura de narrativa fragmentada, com histórias cruzadas, já vista em Justiça (2016), o texto da estreante é fresco, adulto e, ao mesmo tempo, de fácil entendimento. Ele ganha força quando a direção de José Luiz Villamarim serve de complemento e não ofusca a naturalidade que as cenas pedem.

Muito foi alardeado sobre a falta de vilões da trama. É uma meia verdade, além de não ser algo inédito no gênero --Lícia Manzo já havia feito isso em Sete Vidas (2015) e Manoel Carlos é o melhor expoente deste tipo de literatura teledramatúrgica. Também há personagens na história que beiram a vilania, como Sinésio (Júlio Andrade) e Álvaro (Irandhir Santos). Eles podem não movimentar a trama, mas cumprem a cota de maniqueísmo de todo folhetim.

Mais do que isso, porém, o que se vê em Amor de Mãe é uma feliz conjunção de fatores cotidianos que fazem a história andar. O recurso, muito rico, traz humanidade aos personagens. Vitória (Taís Araújo) divide o heroísmo da novela, mas é flexível o suficiente ao aceitar dinheiro de caixa dois de Álvaro. Também tem de lidar com o seu egoísmo de querer ser mãe antes de evitar a falência do próprio casamento. A complexidade só acrescenta à história.

Os ganchos, tanto os dos blocos comerciais quanto os de final de capítulo, foram suavizados, sem a necessidades de cenas impactantes que obrigatoriamente mantenham a atenção do telespectador, como manda a liturgia das novelas. A impressão é de que a autora trabalha a surpresa no desenrolar dos capítulos, com calma. É um risco, mas ainda assim bastante válido.

Eliminar o núcleo cômico também parece ter sido uma aposta acertada. O humor existe, mas está pulverizado em diversos personagens.

O melhor exemplo é a protagonista de Regina Casé, Lurdes. Mulher sofrida até não poder mais, ela carrega as agruras de uma vida em busca de um filho perdido, mas não perde a leveza. A cena que encerrou o segundo capítulo, com Lurdes encontrando dinheiro no mar, foi uma descarga de tensão altamente funcional. A alegria da babá foi contagiante e já entrou para as grandes cenas da teledramaturgia brasileira.

Densidade é a palavra mais correta para definir Amor de Mãe, uma novela que faz jus ao horário que ocupa. A trama é densa no texto e no entrelaço das histórias --é uma diversão acompanhar as cenas e tentar encontrar outros personagens como figurantes, por exemplo. Tomara que o ritmo industrial que um folhetim das nove exige não atrapalhe na composição dessa linguagem.

Visceral em seu cerne, Amor de Mãe não é uma novela que vai revolucionar o gênero. Ela não se furta a sentimentalismos, carrega na emoção, condição primordial para qualquer folhetim funcionar, mas é uma evolução. Está acima da média qualitativa de suas antecessoras e atinge um nível de maturidade estética e narrativa que há muito havia sido esquecido.

A primeira impressão causada foi a melhor possível...

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