Sem Limite

Globo vai juntar peças de Nelson Rodrigues em novela com sexo, nudez e traição

Divulgação/Braz Chediak

Lucélia Santos em cena de estupro do filme Bonitinha, Mas Ordinária ou Otto Lara Rezende (1981) - Divulgação/Braz Chediak

Lucélia Santos em cena de estupro do filme Bonitinha, Mas Ordinária ou Otto Lara Rezende (1981)

DANIEL CASTRO e LUCIANO GUARALDO - Publicado em 25/05/2018, às 05h32

A Globo vai retratar o transgressor universo do dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980) em sua próxima novela das 23h, que a emissora prefere chamar de supersérie. Com o título provisório de Sem Limite, a produção irá misturar as peças Toda Nudez Será Castigada e Bonitinha, Mas Ordinária, entre outras obras do polêmico autor. Será uma explosão de nudez e sexo, com cenas de estupro, pedofilia, adultério e até incesto.

Prevista para estrear no segundo trimestre de 2019, a novela já está sendo escrita por Euclydes Marinho. A direção-geral será de Amora Mautner, de Avenida Brasil (2012) e A Regra do Jogo (2015). O projeto foi aprovado nesta semana pela direção de teledramaturgia da Globo. O elenco ainda será escalado.

Encenada pela primeira vez em 1965, Toda Nudez Será Castigada conta a história de Herculano, um viúvo que promete ao filho Serginho nunca mais se casar. Até que ele se apaixona pela prostituta Geni, que luta contra um câncer no seio, e a leva para morar em casa, quebrando a promessa ao herdeiro. A situação piora quando Serginho se encanta pela madrasta, apesar de ter tendências homossexuais.

Controverso, o papel de Geni foi recusado na época por grandes atrizes, como Fernanda Montenegro e Tereza Rachel (1934-2016). Gracinda Freire também rejeitou a prostituta e se declarou repugnada pelo texto, chamando Rodrigues de "dono absoluto da indústria do sensacionalismo" em entrevista à revista Fatos & Fotos. A prostituta acabou interpretada por Cleyde Yáconis (1923-2013).

Bonitinha, Mas Ordinária, por sua vez, começa com o estupro da jovem Maria Cecília por vários rapazes negros. Envergonhado pela desgraça da filha, o milionário Heitor propõe a um de seus funcionários, o dedicado Edgar, que se case com ela. Ele aceita, mas é desmerecido pelo sogro, que acredita que ele está de olho apenas na fortuna. Enquanto tenta provar que ama Maria Cecília, Edgar se encanta pela vizinha Rita.

A história de Bonitinha foi adaptada três vezes para o cinema: em 1963 (com Jece Valadão e Odete Lara), em 1981 (com Lucélia Santos, José Wilker e Vera Fischer) e em 2013 (com Leandra Leal, Letícia Colin e João Miguel).

Rodrigues na TV
A obra do "Anjo Pornográfico" (como Nelson Rodrigues foi chamado na biografia que Ruy Castro lançou em 1992) já tomou a televisão, com sucesso, no passado: os textos dele inspiraram a série A Vida como Ela É, exibida no Fantástico em 1996, e a minissérie Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados (1995), em que Alessandra Negrini viveu uma das poucas heroínas de sua carreira.

A escrita de Rodrigues, porém, não é adaptada para uma novela desde 1982, quando a Globo produziu O Homem Proibido. Mas a trama de Teixeira Filho foi exibida às 18h e em plena Ditadura Militar (1964-1985), o que resultou em um texto censurado, que deixou de lado boa parte das transgressões do original.

Além de promover o retorno dos textos de Nelson Rodrigues à TV, Sem Limite marcará a volta de Euclydes Marinho às novelas _ele não escreve um folhetim desde Desejos de Mulher (2002). De lá para cá, fez apenas as minisséries Capitu (2008), O Brado Retumbante (2012) e Felizes Para Sempre? (2015) _a última foi um remake de Quem Não Ama Não Mata (1982), do próprio Marinho.

Em 2016, Euclydes seria supervisor do texto de Liberdade, Liberdade, mas acabou afastado após seu trabalho ser considerado insatisfatório. A autora do argumento da trama sobre a Inconfidência Mineira, Márcia Prates, também foi tirada da novela e substituída por Mário Teixeira, que tocou a obra com sucesso.

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