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THAIS MÜLLER

Fátima em O Cravo e a Rosa, atriz entrega 'feitiço' que fez autor mudar papel

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Thais Müller apoia a cabeça em um dos braços enquanto encara a câmera

Thais Müller, a Fátima de O Cravo e a Rosa, "enfeitiçou" Walter Avancini para conseguir papel

SABRINA CASTRO

sabrina@noticiasdatv.com

Publicado em 11/2/2022 - 6h35

Walter Avancini buscava uma pré-adolescente com cabelos escuros para interpretar Fátima, de O Cravo e a Rosa, mas Thais Müller, na época com oito anos, "enfeitiçou" o diretor para assumir o papel na novela reapresentada pela Globo. Depois de persuadir os pais para fazer o teste, a menina mostrou tanta desenvoltura que fez o chefe mudar as características da personagem só para contratá-la.

Sobrou até para Leandra Leal, interprete de Bianca, a outra irmã da pequena. Para justificar o parentesco, elas precisavam ter características físicas parecidas. Por isso, a produção exigiu que a mais velha clareasse os cabelos para a nova personagem.

Thais lembra que, no anúncio para o teste, a filha de Batista (Luís Melo) teria cerca de 13 anos e, inclusive, poderia se envolver com Buscapé (Luiz Antônio do Nascimento), afilhado da irmã mais velha. 

"Foi uma loucura, mas fico feliz por estrear na televisão em um projeto de grande repercussão, tão grandioso. As pessoas me perguntam se me incomoda ainda me chamarem de 'ferinha' pelas ruas. Não tenho o que me incomodar. Foi a primeira grande personagem da minha vida, minha primeira conquista", declara em entrevista ao Notícias da TV.

Rotina apertada

Aliás, o carisma da pequena conquistou até os pais, os também atores Anderson Müller e Marcela Muniz. Como conheciam bem a indústria, eles tinham medo de as gravações atrapalharem o comprometimento da menina na escola. Aliás, ela fazia questão de explicar por telefone, todos os dias, por que sempre chegava "atrasada" nas externas na fazenda.

"Eu só posso ir depois da escola. Prometi que nunca ia faltar", dizia, tanto para os motoristas que a buscavam em casa, quanto para os colegas de elenco. A locação era longe da cidade do Rio de Janeiro, onde a menina cursava a quarta série do Ensino Fundamental --o ano em que tirou as melhores notas de sua vida, uma vez que "morria de medo" de os pais a proibirem de atuar.

Amigos de seus pais, Adriana Esteves e Eduardo Moscovis deram todo o apoio para que ela seguisse firme com os deveres da escola e com o trabalho na TV. A artista lembra que na época os atores eram muito unidos. Gravavam de segunda a sábado, mas ainda se reuniam aos domingos para fazer um churrasco. 

Estar com essas pessoas naquela idade, na minha primeira novela, mudou minha carreira. A Tássia [Camargo] e o Luís [Melo] se tornaram meus pais mesmo. A Leandra Leal, também. Até hoje, ela é uma das minhas maiores inspirações. A sensibilidade com que ela lida com o próprio trabalho me lembra muito o que desejo.

Risadas nos bastidores

Luís Melo, seu pai na trama, era o que mais se divertia com a menina. Ele não conseguia segurar a risada quando a pequena detonava seu personagem. A filha vivia falando poucas e boas para Batista, especialmente depois que descobriu que ele fingia ser caixeiro viajante pobre enquanto, na verdade, era um banqueiro rico

ARQUIVO PESSOAL

Em uma foto, Adriana Esteves abraça Thais Müller; em outra, a menina conversa com Leandra Leal nos bastidores de O Cravo e a Rosa

Thais Müller com Adriana Esteves e Leandra Leal

As risadas que arrancou do público levaram a menina para Kubanacan (2003), a uma participação em A Diarista (2004) e, depois, ao elenco fixo de duas temporadas de Zorra Total (1999-2015). Em 2010, fez um episódio de A Vida Alheia, sua última produção na Globo. Só voltou à TV em 2015, na Record.

"Todo ator mirim teve esse limbo. É uma idade que você não pode interpretar uma criança, mas também não pode ser a mocinha que beija. Conversava muito  sobre isso com a Cecília Dassi e a Carlinha [Carla Diaz, outras atrizes mirins da época] sobre isso", pontua.

Foi a única pausa da carreira da artista, que começou a atuar aos três anos de idade em A Dama e o Vagabundo (1995), peça produzida pelos pais. Acostumada a dormir nos camarins, andar pela coxia e ver o pai e a mãe com roteiros nas mãos, ela simplesmente disse um dia que estava pronta para fazer sua aparição.

"Era até melhor para eles [os pais]. Eu ficava atrás do palco, e eles morriam de medo de eu invadir a peça com uma roupa qualquer. Ganhei um figurino e fazia uma breve passagem, sem nenhuma fala", conta, rindo.

Novos projetos

Thais define sua profissão como "cruel". Muitos dos atores que trabalharam com ela em O Cravo e a Rosa, por exemplo, não conseguiram novos papéis.

"As pessoas têm a visão de que o artista tem muito dinheiro, tem gente para fazer tudo pra você. Na realidade, não tem nada disso. Tem horas que temos bilhões de trabalho, em outras, nenhum. É inconstante", destaca.

Por isso, ela decidiu cursar a graduação de Design de Moda pela PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro). Encantada pela costura desde pequena, ela encontrou uma forma de ter um plano B fazendo algo que gosta.

Ainda assim, não abandonou as novelas. Depois de Os Dez Mandamentos (2015), fez Lia (2018), Topíssima (2019) e Gênesis (2021) --quando ela e a mãe dividiram o mesmo papel, Maresca--, todas na Record.

"Mais velha, recebi novos desafios. Personagens mais completos, dramáticos. Eu vejo a carreira acompanhando minha vida: cresci junto com os personagens, me identifiquei com as suas questões. Minhas personagens mais intensas vieram em uma fase em que também estava assim", ressalta.

Agora, a artista pretende abrir uma marca de roupas sustentáveis, em que resgata tecidos que iriam para o lixo para produzir novas peças. Em abril, ela também estrelará, em São Paulo, a peça O Zoológico de Vidro. Além de atuar, está produzindo o espetáculo --outra forma de buscar constância na carreira.

"O artista que não se produz fica à mercê de grandes empresas e de um mercado que é muito cruel. Precisamos fazer acontecer os projetos que dizem o que queremos dizer. A arte é manifesto", ressalta.

Exibida depois do Jornal Hoje, na Globo, O Cravo e a Rosa foi ao ar pela primeira vez em 2000. Sucesso de audiência em todas as exibições, o folhetim bateu recorde em sua última reapresentação no canal Viva.


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