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Diretor do Globoplay bate de frente com chefão da Netflix: 'Ele tem um viés'

REPRODUÇÃO/YOUTUBE

Montagem com Erick Bretas e Reed Hastings

Erick Brêtas, da Globo, e Reed Hastings, da Netflix; brasileiro critica visão do bilionário

ERICK MATHEUS NERY

erick@noticiasdatv.com

Publicado em 5/8/2022 - 7h31

Reed Hastings, CEO da Netflix, acredita que a TV linear como conhecemos, aquela com hora marcada para um determinado programa, deve acabar nos próximos cinco a dez anos. Já Erick Brêtas, diretor de Produtos Digitais e Canais Pagos da Globo, bate de frente com esse pensamento e critica o executivo da gigante do streaming: "Ele tem um viés".

"A gente respeita muito a Netflix. O Reed é o líder da indústria, então sempre prestamos atenção no que ele fala. Mas eu, respeitosamente, acho que nesse caso a Netflix tem um viés, ela não oferece conteúdo jornalístico, esportivo, eventos musicais ao vivo. Então, é o tipo de conteúdo que não faz parte da oferta da Netflix", afirmou Brêtas no PayTV Forum 2022, na quinta (4).

Desde 2014, Hastings apresenta essa teoria. Para o líder da Netflix, na década de 2030, não será necessário parar na frente da TV em um determinado horário para consumir alguma programação. Em julho, após a divulgação do novo balanço da empresa, o bilionário reforçou a crença do fim da TV linear.

Um dos argumentos de Hastings é que, nos Estados Unidos, o tempo de consumo das plataformas de streaming se aproxima cada vez mais do percentual dedicado à TV a cabo. Segundo os dados da Nielsen, em junho 33,7% do tempo de consumo dos norte-americanos na TV foi em plataformas de streaming. Na TV a cabo, o número foi 35,1%, e na TV aberta o resultado foi 22,4%.

No Brasil, segundo a Kantar Ibope, a realidade é outra. Em média, o brasileiro consome diariamente 4h48 de TV aberta. Na TV por assinatura, são 2h12. Serviços de streaming com assinatura, como é o caso da Netflix, ocupam 1h52, enquanto plataformas como YouTube e PlutoTV ficam com 1h46.

No evento, Brêtas explicou o raciocínio de Hastings: "Quando você tem um foco maior em conteúdos como a dramaturgia seriada, programas de variedade, de culinária, que não faz tanta diferença se você vê aquilo ao vivo, entendo que ele enxergue menos valor na programação linear".

Mas nós [a Globo], que temos um portfólio com jornalismo, esporte, música ao vivo, programas gravados que têm esse elemento importante da conversa social [como as novelas], nesse caso, acho que a programação linear vai perdurar durante muito tempo. E, claro, vai se reinventar.

"Nem tudo continuará sendo consumido em uma grade linear. A manutenção de canais que são 100% focados em filmes e séries, uma vez que esta oferta está em plataformas de streaming, é mais desafiadora. Determinados conteúdos com o valor do evento ao vivo, e não só isso, o que se constrói em torno do evento ao vivo, pode viabilizar grades de programação linear ainda competitivas", complementou o executivo da Globo.


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