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FUTURO DO MCU

Fãs exigentes e desgaste do multiverso: Os desafios da Marvel após Homem-Aranha 3

Divulgação/Sony Pictures

Tom Holland em cena de Homem-Aranha 3

Tom Holland em cena de Homem-Aranha 3; novo filme do herói expandiu o multiverso da Marvel

ANDRÉ ZULIANI

andre@noticiasdatv.com

Publicado em 3/1/2022 - 6h25

Dono da segunda maior bilheteria de abertura da história do cinema, Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021) estreou há poucas semanas, mas já tem o seu nome marcado na cultura pop. Não apenas pelas altas cifras envolvidas, mas também por expandir um conceito que ainda engatinha nas produções da Marvel: o multiverso.

[Aviso: spoilers de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa abaixo]

No terceiro filme do herói como parte do Universo Marvel, o estúdio usufruiu do conceito do multiverso para reunir as três versões do Homem-Aranha já mostradas no cinema. Com isso, as expectativas dos fãs, conhecidos por serem exigentes, podem aumentar inevitavelmente para os próximos títulos da chamada Casa das Ideias.

O principal desafio a ser superado pela Marvel após o fenômeno conquistado com Sem Volta para Casa não é simples: como aproveitar o multiverso sem que o formato se desgaste em pouco tempo?

Este conceito foi escancarado no filme estrelado por Tom Holland, mas outras produções da Marvel já davam pistas do futuro. Séries como WandaVision (2021), Loki e What If... indicavam, seja de forma sutil ou direta, que o multiverso faria parte das histórias dos heróis mais cedo ou mais tarde.

O próprio Kevin Feige, chefão do Marvel Studios, já havia adiantado que os eventos de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa estariam interligados com WandaVision e o vindouro Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. E os laços que os uniriam finalmente trariam o multiverso das páginas dos quadrinhos para as telas do cinema.

DIVULGAÇÃO/SONY PICTURES

Doutor Estranho 2 vai explorar o multiverso

Doutor Estranho 2 vai explorar o multiverso

Com estreia prevista para maio de 2022, o novo filme do Doutor Estranho já está assegurado como o próximo capítulo desta eventual nova saga do Universo Marvel. A trama mostrará o Mago Supremo vivido por Benedict Cumberbatch lidando com as consequências do desastroso feitiço que uniu diferentes realidades em Sem Volta para Casa.

O retorno de atores consagrados como Tobey Maguire (Peter Parker), Andrew Garfield (Peter Parker), Jamie Foxx (Electro), Alfred Molina (Doutor Octopus) e Willem Dafoe (Duende Verde) ainda abriu outro precedente que promete dar dor de cabeça para os executivos: a volta de mais nomes que, em algum momento, atuaram em filmes de super-heróis do estúdio.

O multiverso, no entanto, não está reservado apenas para os filmes da Marvel. Do lado da DC Comics, o diretor Andy Muschietti está preparando uma entrada de gala neste conceito com The Flash, previsto para estrear em novembro do ano que vem --cinco meses após Doutor Estranho 2. O longa, como já foi noticiado, contará com as versões do Batman vividas por Michael Keaton e Ben Affleck.

Como se dois Batmans não fosse demais para os fãs do Homem-Morcego, em março do ano que vem estreia o novo filme do herói protagonizado por Robert Pattinson. Desta forma, são três versões diferentes do personagem aparecendo no cinema em um único ano.

Considerando todos estes fatores, a cultura pop enfrentará uma verdadeira "surra" de multiverso nos próximos anos. Caso The Flash e Doutor Estranho 2 repitam o mesmo sucesso de Sem Volta para Casa, será quase inevitável o clamor do público para mais obras com o mesmo conceito. Mas como fazer isso sem que certas participações especiais se tornem gratuitas?

DIVULGAÇÃO/SONY PICTURES

Alfred Molina retornou como o Doutor Octopus

Alfred Molina retornou como o Doutor Octopus

Para Natália Bridi, ex-editora-chefe do Omelete e cocriadora do canal Entre Migas, o desgaste do "fator multiverso" não será uma dor de cabeça para Marvel e DC em um futuro próximo.

Não acho que [o multiverso] vai se desgastar tão cedo. O que me parece mais viável é, no longo prazo, os estúdios usarem o multiverso como uma forma de atender a necessidade que a Marvel criou no público de interligar as histórias, mas sem precisar interligar tanto assim. É um formato que daria mais liberdade entre as produções e permitiria a entrada de propriedades importantes que atualmente não se encaixam como, o Quarteto Fantástico e os X-Men.

Na visão de Thiago Romariz, fundador do Chippu e diretor de conteúdo global da Ebanx, o maior desafio não será necessariamente o desgaste do conceito. O especialista em cultura pop considera que o multiverso será a nova saga da Marvel, assim como a trama envolvendo Thanos (Josh Brolin) interligou todos os 23 filmes lançados pelo estúdio até 2019. No entanto, ele acredita que será necessário criar narrativas ainda mais elaboradas.

"É um desafio ainda maior porque para as pessoas, e o cinema como um todo, o gênero de super-herói já está desgastado. O desafio hoje é você conseguir adicionar camadas criativas e histórias que tornem o gênero como o de ação, faroeste ou terror. É um gênero que vai existir com as suas especificidades narrativas e visuais, mas que você consiga trazer uma capacidade criativa maior e mais constantes para esses personagens", acrescenta.

O marco de Homem-Aranha 3

Se introduzir o multiverso com a união entre Tom Holland, Andrew Garfield e Tobey Maguire já seria um feito e tanto, fazê-lo em um filme muito bem amarrado e quase sem pontas soltas como Homem-Aranha: Sem Volta para Casa só aumenta o marco da produção na história da cultura pop.

O barulho causado pelo longa começou muito antes de sua estreia, ainda com os anúncios de seu elenco principal. Barulhos como o causado pela produção na cultura pop foram vistos pouquíssimas vezes. Com o filme se aproximando das maiores bilheterias da Marvel, é quase iminente que o terceiro título estrelado por Holland se torne um dos principais do gênero.

"Certamente é um filme que rompe muitas barreiras, começando pela corporativa. Unir essas três franquias do Homem-Aranha não deve ter sido um trabalho fácil, por mais que exista o acordo entre Sony e Marvel pelo uso do personagem, o que já havia sido um feito sem precedentes na indústria. Sobre o impacto cultural, é um filme que une três gerações na tela e que, de certa forma, concretiza o imaginário das pessoas de forma coletiva", opina Natália.

O sucesso do filme se torna ainda mais relevante se considerada a atual situação do cinema mundial. A indústria do entretenimento foi diretamente afetada pela pandemia de Covid-19, com infindáveis adiamentos de grandes títulos e o mau rendimento nas bilheterias dos que se arriscaram estrear durante a crise sanitária.

DIVULGAÇÃO/SONY PICTURES

Willem Dafoe como o Duende Verde

Willem Dafoe como o Duende Verde

De acordo com Romariz, Sem Volta para Casa é o filme que vai fazer o cinema finalmente voltar a funcionar em grande escala.

Ele vai passar pela China [considerada um dos mercados mais importantes da indústria] e tem as maiores pré-vendas da história. Já tem uma previsão de bilheteria absurda e deve ser o primeiro filme a atingir um bilhão [de dólares] depois da pandemia. Ele também deve entrar entre as 10 maiores bilheterias da história. Vai ser um marco de cultura e de mercado porque chegou no final do ano e colocou as pessoas no cinema, muitas delas vacinadas.

O sucesso do longa também se deve à enorme popularidade do herói. Para muitos jovens, Homem-Aranha é o personagem favorito. Pablo Miyazawa, especialista em cultura pop com passagens pelo site AdoroCinema e pela revista Rolling Stone, credita isso à capacidade de Peter Parker de se conectar com muitas gerações.

"Os filmes de super-herói hoje se tornaram o principal, digamos, o epicentro do que a gente chama de cultura pop de massa. Ao mesmo tempo que eu não entendo toda essa comoção em torno do filme, eu sempre entendi a popularidade do Homem-Aranha como talvez o herói favorito de uma certa faixa etária", destacou Miyazawa.

"Eu acho que é um reflexo dos tempos, do público que está nas redes sociais. A faixa etária de quem hoje dita os direcionamentos da cultura pop é um povo que se acostumou a entender o Aranha como um herói da geração deles. Hoje nós temos o protagonismo da geração Z e, portanto, o marketing dos estúdios de cinema quer atingir esse público. Eu acho que foi um casamento perfeito entre mais um filme do Homem-Aranha e a expectativa comprovada de brincar com o conceito de multiverso. Talvez ele fosse o melhor herói pra esse tipo de coisa acontecer", acrescentou.

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa está em exibição nos cinemas. Assista abaixo ao trailer legendado:


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