Vida ingrata

Ex-paquito reencontra Xuxa e diz que carreira artística pode levar ao pânico

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O ator, cantor e ex-paquito Marcelo Faustini, que está na nova temporada do Dancing Brasil - Divulgação

O ator, cantor e ex-paquito Marcelo Faustini, que está na nova temporada do Dancing Brasil

FERNANDA LOPES - Publicado em 24/08/2018, às 05h44 - Atualizado em 25/08/2018, às 05h00

Na mídia desde os anos 1980, Marcelo Faustini já trabalhou como paquito, cantor, ator e agora também será participante de reality show: estará no elenco da nova temporada do Dancing Brasil, da Record, em um reencontro com Xuxa Meneghel. Afirma com autoridade que a carreira artística pode ser muito ingrata. Faustini, de 47 anos, já superou uma síndrome do pânico. Diz que a instabilidade profissional pode levar as pessoas a transtornos mentais.

"Essa carreira te deixa muito instável. A instabilidade da carreira [existe]. Até começar a embalar tem momentos em que você fica parado e isso te causa ansiedade muito grande, e essa ansiedade leva ao pânico. Tem muitos amigos que penam pra pagar aluguel, é uma carreira muito ingrata. Tem altos e baixos, é igual jogador de futebol, meia dúzia ganha muito dinheiro e o resto se desespera quando fica sem contrato", conta.

O próprio Faustini já sofreu distúrbios psicológicos, mas não relacionados diretamente à carreira. Ele teve sérias crises de ansiedade em 2001 e hoje considera que teve grande evolução nesse sentido.

"Eu acho que aprendi a lidar com isso. Meu pânico era [originário de] estresse, ansiedade que eu tinha sempre que ia dormir. Tinha espasmos, achava que o coração ia explodir. Mas ele vai passando. Hoje é muito difícil acontecer, e quando você está trabalhando muito isso passa. Você tem o cansaço físico, mas não mental, no meu caso. O exercício físico em geral é excelente", afirma.

Faustini começou a carreira aos 17 anos e foi paquito de Xuxa na Globo, entre 1989 e 1994. Cantava, dançava e viajava pelo Brasil fazendo shows. Depois do sucesso com o público infanto-juvenil, continuou a trabalhar para um público mais adulto. Encontrou um certo preconceito ao passado como paquito.

"O preconceito maior é do meio artístico. O público jamais. Até porque é uma falta de informação, muitas pessoas falam da gente, mas nem sabem que a primeira formação de paquito é musical. A gente passou por toda uma seleção [rigorosa], foi testado. Só não vendemos mais discos porque isso foi na época do Plano Collor, que bloqueou as contas de todo mundo”, lembra.

reprodução/globo

Xuxa ao lado de Marcelo Faustini no Planeta Xuxa, programa que apresentou na Globo

O início como paquito trouxe benefícios tanto pessoais quando financeiros para Faustini. Ele diz que era tímido e travado, e o trabalho com Xuxa lhe livrou de anos de análise por ajudá-lo a se soltar. E, com o dinheiro que ganhou na época, conseguiu investir em imóveis que tem alugados. Hoje, se dedica à vida artística sem a preocupação de ter que pagar seus boletos com isso.

"Na crise [atual] eu me lasquei, os alugueis caíram e tudo subiu, mas tudo bem, a gente vai levando. Sou muito pé no chão, nunca gastei mais do que podia. Mas realmente eles [imóveis] me sustentam. Pagam minhas contas. Eu posso me dedicar 24 horas à carreira artística", explica.

Formado em Cinema e experiente como cantor e instrumentista (Faustini toca piano desde a infância), ele está focado na carreira de cantor. Está produzindo e gravando um EP [projeto musical de até seis músicas e 30 minutos de duração] com novos arranjos para músicas consagradas nas vozes de grandes cantores, como Fly Me To The Moon (de Frank Sinatra) e Can’t Help Falling in Love With You (de Elvis Presley).

Além disso, já está fazendo workshop para o Dancing Brasil. "Essa coisa da dança vai ser fundamental pra minha postura em cena, minha performance. Vai ser uma coisa fantástica, é um trabalho que estou fazendo muito feliz", conta.

Faustini afirma que Xuxa nada teve a ver com seu convite para o reality, apesar de considerar que ela é "tudo" para ele. Agora, o cantor pretende entrar de cabeça na preparação para o reality e não acharia má ideia continuar no elenco da Record após a competição.

"Eu ficaria com o maior prazer, toparia fazer novela. Acho que uma coisa complementa a outra, é divertido. Fora o fato de estar contratado", diz.

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