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ENTENDA A DIFERENÇA

Racismo não é 'polêmica': Por que é importante dar nome à discriminação

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Rodolffo Matthaus de barba, cabelo liso; João Luiz Pedrosa de cabelo afro, barba e óculos de grau

Rodolffo foi racista ao comparar o cabelo de João à peruca de um homem pré-histórico

MARÍLIA BARBOSA

marilia@noticiasdatv.com

Publicado em 6/4/2021 - 13h21
Atualizado em 7/4/2021 - 8h29

O comentário racista de Rodolffo Matthaus sobre o cabelo de João Luiz Pedrosa no BBB21 repercutiu nos programas da Globo. No Mais Você de segunda-feira (5), o assunto virou pauta no quadro Giro BBB, mas foi tratado pelo repórter Ivo Madoglio como uma "polêmica". O termo foi usado de maneira inadequada, já que é muito importante dar nome aos tipos de discriminação, sem reduzi-los a palavras sensacionalistas.

Durante o bate-papo com Ana Maria Braga, Ivo disparou: "Sem graça foi um comentário polêmico que o Rodolffo fez de novo na casa. Agora em relação ao João".

Na sequência, ele mostrou um vídeo do momento em que o cantor comparou o cabelo do professor ao da peruca de um homem das cavernas que ele teve de usar no castigo do monstro. "Eu não sou o homem das cavernas por ter o cabelo assim", se defendeu o educador, visivelmente sem graça.

Em nenhum momento o repórter usou o termo "racismo" para definir a fala do sertanejo. A omissão da palavra que define a discriminação pode influenciar na forma como o público enxerga a atitude preconceituosa do brother.

Rodolffo com a peruca que comparou ao cabelo de João (Reprodução/TV Globo)

Pode, inclusive, reforçar a ideia de que tudo não passou de uma brincadeira e que Rodolffo não fez por maldade --ideia que ele mesmo defendeu no Jogo da Discórdia--. Pode parecer que foi apenas um episódio que "polemizou" dentro da casa.

Bruna Rocha, jornalista e pesquisadora em Comunicação de Culturas Contemporâneas, reforçou o posicionamento equivocado não só do repórter, mas também de outros programas com relação ao assunto.

"Existe uma espiral do silêncio colocada historicamente no Big Brother, onde as violências não podem ser nomeadas. Esse silenciamento, a omissão da possibilidade de nomear as violências concretas que são sofridas pelos participantes também é uma violência", explicou ao Notícias da TV.

De acordo com dados IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no Brasil, 55,8% da população se declara de raça preta ou parda. A partir disso, é possível afirmar que as informações corretas sobre os termos discriminatórios --que inclui também machismo, homofobia, entre outros-- não chegam à minoria da população.

Entretanto, essa minoria é a responsável por comandar veículos de comunicação, programas de TV e disseminar a cultura que reverbera com mais facilidade.

"Essa não-nomeação das violências também constitui uma violência institucional. [A Globo] Além de não tomar nenhuma postura, ainda silencia e inviabiliza que o debate seja feito da maneira correta", completa Bruna.

Quebra da espiral do silêncio

Preocupado com a repercussão da justificativa de Rodolffo quando lhe foi apontado o caso de racismo ao vivo, Leifert quis esclarecer que pensamentos como o do cantor --de que tem familiares com cabelo crespo e por isso não é racista-- são muito comuns e devem deixar de existir.

Durante a edição da última terça-feira (6), o apresentador quebrou protocolos já conhecidos do público que acompanha o reality show e interferiu no jogo para explicar ao sertanejo o porquê de aquela comparação configurar racismo.

"Hoje eu vou desligar o modo apresentador. Eu vou falar como fã, como a pessoa que tem o privilégio de falar com vocês durante a temporada. Eu gostaria de estar aí para conversar. Eu queria falar com o meu amigo Rodolffo", iniciou ele.

"Aquele assunto do João, era um assunto que estava muito restrito ao João, Camilla [de Lucas] e ao Gil [Gilberto Nogueira]. Vendo o que aconteceu ontem no jogo. Vendo como você se defendeu, me preocupou, por isso eu estou aqui para conversar com você, de homem branco para homem branco". 

"Eu vi sua defesa, quando eu era mais novo, no colégio, também brincavam com o meu cabelo, com a textura do meu cabelo, isso nunca fez a menor diferença para mim, porque o meu cabelo, para mim, era um negócio que estava espetado no meu crânio, eu não tô nem aí. Um cabelo black power, que é o cabelo do João, não é um penteado, é mais que um penteado, é um símbolo de resistência", alertou Leifert. 

"Até pouquíssimo tempo, uma pessoa como a Cami e o João tinha que levantar de um ônibus para um branco sentar, foi associado a uma coisa suja, a uma coisa feia, não existia cosmético, até pouquíssimo tempo. É por isso que quando a gente faz um comentário sobre o penteado do João, do que o João sente. O black é a coroa, isso não sou eu que estou falando, quem me ensinou isso foi um cara Alexandre Santana, o Babu", lembrou.

Em outro trecho, Tiago destacou que não percebeu a intenção de Rodolffo em magoar o professor de geografia. "Isso não muda a dor do João. A dor do João é legítima.

Assista trecho do discurso abaixo:

"Errei"

Esta não é a primeira vez que o Mais Você mostra o quanto a população ainda é desinformada sobre a forma como se deve tratar o racismo. Em 1º de março, Ana Maria Braga criticou a ex-participante do reality show Lumena Aleluia, que é negra, e insinuou que existiu "racismo reverso" por parte da baiana com Carla Diaz.

"A gente tem culpa disso [ser branco], né? Está acontecendo um [racismo] reverso aí, né?", declarou ela, na ocasião. 

No dia seguinte, a apresentadora começou o matinal pedindo desculpas. "Errei. Eu gosto muito de assumir os meus erros. Depois do programa de ontem, eu vi muitas mensagens nas redes sociais informando que eu havia feito um comentário equivocado, que eu não sabia", afirmou.


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