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OPINIÃO

Comentarista da Globo erra ao minimizar talento de ator negro vencedor do Oscar

DIVULGAÇÃO

Montagem de fotos de Artur Xexéo e do ator Daniel Kaluuya

O jornalista Artur Xexéo disse que o ator Daniel Kaluuya não se daria bem em 'papéis suaves'

MIGUEL ARCANJO PRADO

pauta.arcanjo@gmail.com

Publicado em 26/4/2021 - 9h05

Comentarista do Oscar na Globo, Artur Xexéo questionou o talento do único ator negro vencedor do Oscar em 2021, Daniel Kaluuya, por Judas e o Messias Negro, como melhor ator coadjuvante. Em participação na transmissão do prêmio na noite deste domingo (25), ao lado de Maria Beltrão e Dira Paes, Xexéo preferiu colocar à prova a capacidade como ator do inglês de 32 anos.

"Ele tem esse olho arregalado, acho que seria difícil para ele atuar em papéis suaves", opinou Artur Xexéo sobre Kaluuya. Negro de pele escura, Daniel Kaluuya foi definido por Xexéo como um ator que só serviria para fazer personagens fortes, não sendo capaz, portanto, na visão do jornalista, de interpretar "papéis suaves".

A fala de Xexéo acaba por reforçar uma visão estereotipada sobre o homem negro típica do pensamento racista estrutural, que sempre o associa à força e à violência. E ainda reproduz outro comportamento do racismo estrutural: tentar desqualificar ou minimizar qualquer grande feito realizado por um negro ou negra.

Mesmo diante da vitória no prêmio mais cobiçado por atores de todo o mundo, em vez de elogiar, o jornalista da Globo prefere desqualificar o talento de Kaluuya. Isso depois de ouvir o próprio Kaluuya encerrar seu discurso dizendo "Paz e amor", enquanto sua mãe e sua irmã choravam, orgulhosas e emocionadas.

A diversidade presente no Oscar bem como o próprio filme de Kaluuya buscam modificar justamente pensamentos como esse: de que homens negros não combinam com suavidade.

A vitória de um ator como Kaluuya no Oscar e o reconhecimento de seu filme criam novas imagens para homens negros, que contrapõem o pensamento estereotipado sobre a negritude.

É triste que, mesmo diante tudo o que ocorreu em 2020, com os assassinatos brutais e covardes de homens negros como George Floyd nos Estados Unidos e João Alberto no Brasil, bem como os fortes protestos que se seguiram, ainda haja espaço na maior emissora do país para uma fala assim.

Não custa lembrar que Daniel Kaluuya interpreta em Judas e o Messias Negro Fred o ativista Fred Hampton, líder dos Panteras Negras, assassinado pelo FBI em 1969.

O Partido dos Panteras Negras pregava a autodefesa negra diante de uma sociedade altamente racista e que não está realmente disposta a incluir o negro.


Este artigo não reflete necessariamente a opinião do Notícias da TV.


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