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NO GLOBO REPÓRTER

'Tomara que minhas filhas não precisem viver o que o negro vive hoje', diz Gloria Maria

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Reprodução de imagem de Gloria Maria no Globo Repórter

Gloria Maria durante seu depoimento no Globo Repórter; jornalista desejou que filhas vivam em um mundo sem racismo

REDAÇÃO

Publicado em 5/6/2020 - 23h32

No Globo Repórter desta sexta-feira (5), Gloria Maria comentou sobre as experiências negativas que já vivenciou por ser negra antes da exibição do debate realizado no Em Pauta, da GloboNews, na última quarta-feira (3), com a participação de seis jornalistas negros, e disse que torce para que suas filhas não sejam vítimas de racismo como ela.

"O difícil pra mim agora é contar para as minhas filhas, explicar para elas o que é racismo, num momento em que elas estão assistindo a essas manifestações nos Estados Unidos e em vários países. Elas perguntam: 'Mamãe, isso tudo tá acontecendo, ele morreu, foi assassinado porque ele era negro?', e eu tenho que dizer: 'É, foi por isso'", revelou a jornalista ao se referir à morte de George Floyd, sufocado por um policial branco.

A morte de Floyd foi o estopim para uma nova leva de protestos do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) nos Estados Unidos e em outros países. Na terça-feira (2), o jornal apresentado por Marcelo Cosme no canal de notícias debateu sobre o tema com sete jornalistas brancos --além do apresentador, Sandra Coutinho, Jorge Pontual, Demétrio Magnoli, Monica Waldvogel, Gerson Camarotti e Andréia Sadi participaram da atração.

Os internautas criticaram a falta de jornalistas negros no debate e, no dia seguinte, a GloboNews apresentou uma edição do programa comandada por Heraldo Pereira, com com comentários de Zileide Silva, Flávia Oliveira, Maria Julia Coutinho, Aline Midlej e Lilian Ribeiro. Após a repercussão positiva do jornalístico, a Globo decidiu exibir o material na televisão aberta.

Gloria, que está afastada da emissora desde dezembro de 2019 por causa de uma cirurgia para retirada de tumor no cérebro, gravou um depoimento especial para a exibição do material na emissora. "Vocês vão ver um debate esclarecedor e também emocionante, porque foi feito com coração, com verdade. Eu não pude participar porque ainda estou me recuperando de um tratamento de saúde, como todo mundo sabe, um tratamento difícil, mas eu superei".

"E superei também porque de dificuldades eu entendo desde sempre. Quem nasce orgulhosamente negro, sabe muito bem o que são obstáculos. Então, como é que eu poderia ficar de fora desse momento tão especial do Globo Repórter? Como não apresentar essa conversa tão aberta e reveladora dos meus colegas?", complementou a jornalista.

Em seguida, ela relembrou um caso de racismo que sofreu em um hotel: "Tenho orgulho de ter sido a primeira pessoa no Brasil a usar a Lei Afonso Arinos, que punia o racismo não com o crime, mas como contravenção [penal]. Fui barrada em um hotel por um gerente que disse que negro não podia entrar. Chamei a polícia e levei esse gerente aos tribunais".

"Ele foi expulso do Brasil. Mas ele se livrou da acusação pagando uma multa ridícula, porque o racismo para muita gente no Brasil não vale nada, só para quem sofre ele.
Mas isso é uma coisa que vou ter que viver na minha vida. Não sou muito otimista, mas eu acredito que um dia todo mundo vai ser visto como igual. Ninguém vai ser discriminado por causa da cor da pele", concluiu ela.

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