CHEGA AO FIM HOJE!

Por que o Dancing Brasil é um reality melhor do que a Dança dos Famosos?

Fotos: Blad Meneghel/Record

O dançarino Tutu Morasi vira Xuxa de ponta-cabeça em número de abertura do Dancing Brasil - Fotos: Blad Meneghel/Record

O dançarino Tutu Morasi vira Xuxa de ponta-cabeça em número de abertura do Dancing Brasil

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 05/12/2018, às 05h40

Chega ao fim nesta quarta-feira (5) a quarta temporada de Dancing Brasil. Apesar de ter surgido 12 anos depois da Dança dos Famosos, o reality show apresentado por Xuxa Meneghel na Record traz uma competição de nível muito maior do que o quadro do Domingão do Faustão, na Globo. Mas por que o Dancing é melhor do que a Dança?

Uma das principais vantagens da atração de Xuxa é seguir fielmente o formato estrangeiro, lançado na Inglaterra em 2004 como Strictly Come Dancing, e que se espalhou pelo mundo como Dancing with the Stars. Da música-tema à disposição do cenário, passando até pelo troféu (brega) que simula um globo de discoteca, tudo reproduz com perfeição as regras da competição internacional.

"Além de toda essa parte de produção, tem a questão das horas de ensaio, que acaba refletindo na qualidade das performances. Na Dança dos Famosos, os participantes só podem ensaiar duas horas por dia, acho que três ou quatro dias na semana", aponta Glauber Monteiro, fã do formato de dança.

O administrador fala com conhecimento de causa: além dos dois realities brasileiros, acompanha com regularidade o Dancing with the Stars norte-americano e o australiano, além do britânico Strictly Come Dancing. São mais de 70 temporadas vistas, além de assistir a vídeos na internet das danças realizadas em versões de países como Itália, Espanha, Alemanha e Grécia.

Na Record, as três primeiras temporadas não tiveram limitações de tempo para cada ritmo: os participantes podiam dedicar o tempo que quisessem aos ensaios. Para a atual temporada, surgiu uma limitação de 12 horas semanais _que nem sempre é cumprida à risca: Allan Souza Lima chegou a ficar 16 horas consecutivas no estúdio.

Quanto mais ensaios, melhor o nível das apresentações. E até quem não é expert em dança percebe a diferença na qualidade das coreografias do Dancing Brasil. Mesmo participantes que parecem ter dois pés esquerdos, como o ex-jogador de futebol Amaral, conseguem mostrar uma evolução técnica ao longo da temporada.

Glauber Monteiro também ressalta que o reality de Xuxa consegue se reinventar a cada edição. "Isso não acontece com a Dança dos Famosos, que é muito linear, está sendo a mesma coisa há anos. Sinto que só mudam os participantes", critica.

Os ritmos apresentados no Dancing Brasil seguem o padrão oficial das competições de dança de salão, enquanto o Domingão do Faustão inclui estilos como baladão, forró, funk e rock, que constam apenas na Dança dos Famosos. Assim, a disputa comandada por Xuxa assume um caráter mais "oficial".

A atração da Record também ganha pontos por causa dos seus jurados e dos professores escalados para treinar os famosos. Os primeiros levam vantagem por serem fixos: Fernanda Chamma, Jaime Arôxa e Paulo Goulart Filho criticam as duplas do início ao fim da competição.

Na Dança dos Famosos, o júri é trocado semanalmente _e o júri artístico, que pouco entende de dança, dificilmente dá notas baixas para os participantes, o que tira a relevância de ganhar um 10.

"A troca semanal dos jurados é algo que eu sempre critiquei na Dança dos Famosos, mesmo antes de a Record fazer o Dancing Brasil. Porque, no Faustão, um jurado cobra uma coisa em um domingo, o famoso treina para tentar corrigir aquilo, mas, na apresentação seguinte, se depara com outro jurado que quer ver algo diferente na performance. Isso dificulta o crescimento dos participantes", aponta Monteiro.

blad meneghel/record

Bailarinos se apresentam no Dancing Brasil: cenário e produção reproduzem formato gringo

Na questão dos professores, o fato de a turma do Dancing ter saído de competições de salão ajuda na elaboração de coreografias que apresentam os passos característicos de cada ritmo. No Faustão, são as próprias bailarinas (que muitas vezes não têm passagem pela dança de salão) que precisam treinar seus pares.

"É só ver que, nas primeiras temporadas da Dança dos Famosos, as famosas se sobrassaíam muito mais, porque os professores eram profissionais de salão, enquanto os famosos ficavam com as bailarinas do Faustão. Mas, nos últimos anos, eu sinto que até deu uma equilibrada nesse aspecto", pondera o expert.

O conhecimento que as bailarinas do Faustão têm sobre dança de salão pode ser facilmente comprovado pela participação de Carla Prata no Dancing Brasil. Ela, que chegou a ser instrutora do ex-jogador de vôlei Maurício Lima na Dança dos Famosos, foi a sexta eliminada na segunda temporada do reality de Xuxa. Chegou a receber apenas 18 pontos (de um máximo de 30) ao dançar rumba e jive.

É bom, mas tem falhas
Apesar de tecnicamente superior, o Dancing Brasil também tem pontos que precisam ser melhorados. Com apenas quatro temporadas, o reality já trocou boa parte do seu elenco profissional, o que Glauber Monteiro vê como um problema.

"Nos formatos internacionais, os professores ficam durante muitos anos, e acabam virando um chamariz para o público. Nos EUA e na Inglaterra, alguns profissionais são até mais famosos do que as próprias estrelas, têm uma torcida deles, que volta a assistir na temporada seguinte para ver com quem eles vão dançar", opina.

"Reter os profissionais também é bom para o crescimento deles. No Dancing Brasil, temos o exemplo do Téo [o professor Lucas Teodoro], que na primeira temporada era bem fraco, mas ganhou a terceira [com Geovanna Tominaga] com todos os méritos do mundo. É difícil equilibrar a técnica de cada dança com o espetáculo que a TV pede. Com o tempo, o professor vai aprendendo a fazer isso. Se mudam os professores o tempo todo, isso acaba se perdendo. Tanto que os quatro finalistas da atual temporada estão com parceiros veteranos, os novatos saíram cedo", diz.

Outro ponto debatido do reality da Record é seu elenco, já que a emissora, obviamente, não pode contar com as grandes estrelas da Globo na competição _a Dança dos Famosos já teve Christiane Torloni, Francisco Cuoco, Paolla Oliveira, Rosamaria Murtinho e Ana Maria Braga, por exemplo. Mas Monteiro não encara isso como algo necessariamente negativo.

"Eu entendo que a Record busca nomes que tragam prestígio, mais do que fama. Todo ano cogitam que algum ex-BBB vai participar, e isso nunca se confirma. Na atual temporada, tivemos nomes como a Dadá Coelho, o Allan Souza Lima, um pessoal já premiado, meio cult. Mostra um cuidado na escolha dos participantes. Para mim, as quatro temporadas do Dancing tiveram grupos bem legais."

A final do Dancing Brasil vai ao ar nesta quarta (5), às 22h45, na Record. Disputam o troféu e o prêmio de R$ 500 mil a cantor a Lu Andrade, os atores Allan Souza Lima e Pérola Faria e o ex-jogador Amaral. Já a decisão da Dança dos Famosos acontece no dia 16, com Dani Calabresa, Érika Januza e Léo Jaime.

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