Maria Ceiça

Frustrada com a Record, atriz volta para a Globo após 18 anos: 'Estava triste'

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A atriz Maria Ceiça em imagem publicada recentemente em sua conta no Facebook: desencanto - Divulgação

A atriz Maria Ceiça em imagem publicada recentemente em sua conta no Facebook: desencanto

FERNANDA LOPES - Publicado em 04/12/2018, às 19h09 - Atualizado em 05/12/2018, às 05h00

A atriz Maria Ceiça, que começou a carreira televisiva na Globo e fez várias novelas nos anos 1990, voltou a trabalhar para a emissora. Ela gravou recentemente um episódio da terceira temporada de Sob Pressão, seu primeiro trabalho na Globo desde Uga Uga (2000). Nesse meio tempo, a profissional de 53 anos teve contrato com a Record durante uma década, mas se chateou com a emissora pela falta de oportunidades.

"Os Dez Mandamentos [2015] foi a última novela que eu fiz lá. Eu já estava há muito tempo contratada sem trabalhar. Com isso, minha insatisfação e minha tristeza foram aumentando muito. Nos últimos cinco anos [entre 2010 e 2015], eu não tinha feito nada. Para o ator não é satisfatório, a autoestima cai muito. Diziam que não tinha personagem, que não tinha nada na novela que ia entrar. Quando veio o investimento nas novelas bíblicas, também não estive [nos elencos]", lembra.

Após muito pedir para diretores e produtores da Record, Maria conseguiu um papel em Os Dez Mandamentos. Ela interpretou Naila, uma princesa que vinha da Núbia, e achou que seria uma boa oportunidade de mostrar uma parte da história da África que muitas pessoas negras no Brasil não conhecem. Mas o espaço dado à personagem também foi pequeno, segundo a atriz.

"O papel foi uma questão de reivindicar a representatividade negra. Pedi várias reuniões lá dentro e consegui fazer. Mas eu queria muito mais e aconteceu pouco, sinceramente. Nos primeiros 20 capítulos eu fiquei muito triste, porque não aparecia nada da Naila", confessa.

"E então acabou a novela e eu não tinha mais o que fazer, o contrato estaria acabando também. Eu não tinha muita motivação e não fiz nenhum esforço [para seguir na Record], estava muito triste. Não teve briga, tenho muita gratidão pelo período em que estive lá contratada, fiz trabalhos bacanas, mas acho que é um processo de buscar outros voos", explica.

divulgação/record

A atriz Maria Ceiça interpretou a princesa Naila na novela Os Dez Mandamentos (2015)

Após sair da Record, demorou três anos para que Maria Ceiça recebesse um convite para voltar à Globo. Ela ficou marcada na emissora por personagens em novelas como Felicidade (1991), Fera Ferida (1993) e Por Amor (1997), e agora fez sua primeira série na casa, a médica Sob Pressão. A atriz interpreta a mãe de uma presidiária que dará à luz na terceira temporada, ainda inédita.

"Foi uma grande surpresa nesse fim de ano ser convidada para essa série, um formato que é o que a juventude vê hoje. Eu gostei. Mas caí no estereótipo de ser uma mãe de uma menina que está no presídio, não teve jeito. Foi lindo, foi ótimo, mas temos que avançar mais ainda, nós [negros] não nos vemos numa classe mais privilegiada. Falta isso, a TV precisa mostrar isso", afirma.

Luta por protagonismo
Fora da TV, a atriz é dona de uma produtora, que ela fundou em grande parte para ter oportunidades de protagonismo. Maria Ceiça acredita que o povo negro pode ser representado no audiovisual para além de histórias que retratam problemas sociais e luta para viabilizar essas novas narrativas.

"Ser produtora é pela necessidade de fazer coisas que nós queremos dizer. Eu busco essa questão do protagonismo mesmo, de uma mulher negra, atriz, fazendo alguma coisa a mais. Acho que o Brasil dá poucas oportunidades para nós, e eu me sinto prejudicada", declara.

"Quando nos chamam é sempre a questão racial, pelo estereótipo da violência, como a mulher pobre. E na verdade estamos vivendo como mulheres realizadas, empoderadas, que podem beijar na boca, amar. Vejo a Christiane Torloni, por exemplo, vivendo uma história de amor [em O Tempo Não Para]. Uma mulher madura, com conflitos de uma mãe, mostrando que é possível se apaixonar. Cadê as mulheres negras nessa mesma situação? Chega a ser uma dor, a gente não se vê pela falta de oportunidade", desabafa.

Em sua produtora, Maria está atrás de patrocínio para duas peças de teatro que pretende viabilizar no ano que vem. Ela também torce para ter mais convites na Globo. "Foi bom ter voltado agora depois desses anos todos. Vamos ver se isso abre outras possibilidades também. Estou sentindo realmente falta da televisão", conclui.

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