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Copa na TV

Hoje rivais, SBT e Record já se uniram para transmitir Copa do Mundo

Divulgação/SBT

As equipes de jornalismo esportivo da Record e do SBT se uniram na Copa do Mundo de 1986 - Divulgação/SBT

As equipes de jornalismo esportivo da Record e do SBT se uniram na Copa do Mundo de 1986

THELL DE CASTRO

Publicado em 25/6/2018 - 5h41

Há mais de uma década numa disputa acirrada pela vice-liderança da audiência televisão aberta brasileira, com diversas polêmicas pelo caminho, SBT e Record já estiveram juntas em uma cobertura de Copa de Mundo. O fato aconteceu em 1986, no México, quando as emissoras uniram forças e compartilharam suas equipes e imagens.

O SBT estava no ar desde 1981 e ia para sua primeira Copa. A veterana Record, que vivia em crise financeira, já havia transmitido em 1970, 1974 e 1978, além do golpe de mestre que fez em 1982.

Naquele ano, a Record fez jogos somente em suas emissoras de rádio com uma agressiva campanha de marketing para o torcedor ouvir as partidas vendo as imagens da Globo. A ação incomodou a concorrente, que tinha os direitos exclusivos na televisão.

A junção das coberturas em 1986, que ficou conhecida como "Unidos Venceremos", só foi possível devido aos altos custos de transmissão da competição e por Silvio Santos. Na época, ele ainda tinha 50% das ações da Record e dividia o controle do canal junto com a família Machado de Carvalho.

A grande arma foi o irreverente Silvio Luiz, um dos narradores preferidos do público paulista, que integrava os quadros da Record. Coube a ele narrar os principais jogos do torneio, incluindo as partidas do Brasil.

Guilherme Stoliar, então diretor do SBT, que ainda era conhecido como TVS, estava animado com a parceria.

"Na última Copa, ele era locutor da rádio Record, e as pesquisas mostraram que boa parte do público paulista via o jogo pela Globo e ouvia a narração da partida pela Record. Algum tempo atrás, Silvio Luiz era conhecido apenas na Grande São Paulo, mas já detectamos que sua popularidade cresce Brasil afora. Temos boas razões para achar que ele nos dará a vitória", contou ao Jornal do Brasil em maio de 1986.

Reprodução/SBT

Marcelo Tas em entrevista com Nabi Abi Chedid

Quem também chamou a atenção foi Ernesto Varela, destemido repórter que fez muito sucesso nos anos 1980. Criação de Marcelo Tas, o personagem esteve no México e fazia entradas bem-humoradas, sempre provocando políticos e afins. O então presidente da CBF, Nabi Abi Chedid (1932-2006), deu uma célebre entrevista para Varela em Guadalajara, quando se irritou e quase o agrediu.

O Jornal do Brasil de 30 de maio de 1986 destacava a parceria entre Record e SBT e informava que as emissoras não precisaram fazer grandes investimentos em equipe, já que ambas possuíam contratados suficientes para tal.

"O SBT/Record não contratou estrelas do esporte para fazer parte de sua equipe no México. Além de Silvio Luiz e Marcelo Tas, o consórcio oferecerá ao público os comentários de Ciro José e Juca Kfouri. Como repórteres de campo, Flávio Prado e Cajuru [Jorge Kajuru]. A eles cabe a missão de levantar tudo o que acontece dentro e fora do campo, recolhendo material para os boletins que irão ao ar ao longo da programação diária", explicou a reportagem.

Como as demais emissoras fizeram, foi alugado um canal exclusivo de satélite para permitir flashes ao vivo durante a programação dos dois canais. As imagens dos jogos eram as mesmas para todos.

No Ibope, os dois canais não fizeram feio, mas ficaram longe de incomodar a Globo. De acordo com o JB de 3 de junho de 1986, enquanto a líder teve 57,5% de participação no total de televisores ligados na estreia do Brasil, contra a Espanha, os dois canais, juntos, ficaram com 19,75% do público. Na capital paulista, a Bandeirantes, que contava com Luciano do Valle (1947-2014), teve 11,75% e a Manchete ficou com apenas 3,75%.

No Rio de Janeiro, enquanto a Globo teve 60,8%, SBT e Record obtiveram somente 2%. A Manchete, em seu terreno, teve 19%, enquanto a Band ficou com 3%.

No fim das contas, pesou a falta de tradição em transmissões esportivas do SBT. "A direção achava que tinha em mãos uma arma infalível, o humor maroto de Silvio Luiz e do repórter nonsense Ernesto Varela. As pesquisas mostram que os fãs de Silvio Santos ficaram com ele até o momento em que os organizadores da Copa tocaram, por engano, o Hino da Bandeira. Quando a bola rolou em campo, mudaram de canal: caiu de 8% para 2% no Rio", disse o Jornal do Brasil.

A parceria entre SBT e Record foi desfeita após a Copa. O SBT voltou a transmitir, com equipe própria, as Copas de 1990, 1994 e 1998. Já a Record fez somente a edição de 1998, passando, no entanto, por inúmeros contratempos, inclusive judiciais, fora de campo.


THELL DE CASTROé jornalista, editor do site TV História e autor do livro Dicionário da Televisão Brasileira. Siga no Twitter: @thelldecastro

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