MEMÓRIA DA TV | COPA

De Arakem a gol autografado: como era a Copa na TV no século passado?

Reprodução/Sportv

Galvão Bueno entre Pelé e Arnaldo Cezar Coelho durante transmissão da Copa de 1994 - Reprodução/Sportv

Galvão Bueno entre Pelé e Arnaldo Cezar Coelho durante transmissão da Copa de 1994

THELL DE CASTRO - Publicado em 23/06/2018, às 06h15

O público que está acompanhando a Copa do Mundo da Rússia pode nem fazer ideia, mas as transmissões dos Mundiais nas décadas de 1980 e 1990 eram bem mais divertidas. As intervenções iam desde a presença de Arakem, o gol man, que lutava contra vilões dos adversários da seleção, até autógrafos dos jogadores que marcavam os gols do Brasil.

Na época, a cobertura do torneio era mais diversificada, pois a Globo não tinha o monopólio da transmissão na TV aberta. Em 1986, 1990 e 1998, por exemplo, o torcedor brasileiro podia escolher entre Globo, Band, SBT, Record e Manchete. Em 1994, o "cardápio" era menor: Globo, Band e SBT.

Em compensação, a TV paga inexistia nos anos 1980 e ainda engatinhava nos anos 1990, sem oferecer a variedade atual de opções para assinantes _no Mundial da Rússia, além da Globo, Sportv e Fox Sports estão exibindo os jogos.

As emissoras também tinham liberdade para personalizar as transmissões. Assim, o SBT criou um mascote para sua cobertura, o Amarelinho. Tudo mudou em 2010, quando a Fifa passou a proibir que as emissoras insiram qualquer tipo de arte na transmissão. Elas podem utilizar apenas imagens e caracteres oficiais.

Confira sete curiosidades que só quem acompanhou as Copas do Mundo das décadas de 1980 e 1990 vai se lembrar:

Arakem foi uma das marcas da Globo na Copa

Arakem na Globo
Quem se lembra do Arakem, o gol man? Era um sujeito que apareceu em inúmeras vinhetas da Globo nos anos 1980 e foi o amuleto da emissora na Copa de 1986, no México, sempre rodeado por belas mulheres. A cada partida, a Globo exibia um pequeno filme em que o personagem derrotava vilões representantes dos países adversários _no caso, Espanha, Argélia, Irlanda do Norte e Polônia.

O vídeo da França chegou a ser gravado, mas, com a eliminação da seleção nos pênaltis, não foi exibido após o jogo. Arakem era vivido pelo publicitário José Antônio Barros Freire, também conhecido como Barrinhos Freire, que atualmente trabalha como documentarista em São Paulo. O simpático personagem, no entanto, acabou ganhando a fama de pé-frio.

O Amarelinho marcou época na transmissão do SBT

Amarelinho do SBT
O SBT acertou em cheio ao criar um boneco animado para celebrar as vitórias brasileiras nos mundiais. Era o Amarelinho, que surgiu em 1990 e tinha diversas reações ao longo dos jogos, de acordo com o que acontecia em campo: ficava feliz com gol do Brasil, tenso durante um ataque perigoso do adversário...

A bola de boné e corneta também esteve na campanha do tetra, em 1994, quando foi realizada uma promoção na qual as pessoas precisavam enviar cartas contando quantas vezes o Amarelinho apareceu no vídeo. O mascote deu adeus em 1998, última Copa do Mundo exibida pelo SBT. A criançada adorava!

Tempo e placar intermitentes
Para quem assistia às Copas das décadas de 1980 e 1990, perguntar "Quanto está o jogo?" não parece uma pergunta tão absurda. É que, na época, o tempo da partida e o placar não ficavam fixos na tela _só apareciam, em média, a cada cinco minutos.

O máximo que as emissoras faziam era colocar um cronômetro informando o tempo quando se chegava aos 45 minutos do segundo tempo. O placar fixo na tela só foi utilizado pela primeira vez no Brasil na Copa de 2002, pela Globo. 

Autógrafo de Romário após gol do atacante em 1994

Autógrafo na hora do gol
A partir da Copa de 1982, na Espanha, cada jogador do Brasil que marcava um gol assinava seu nome na tela da Globo. A prática do autógrafo foi utilizada até a Copa de 1998, na França.

Atualmente, seria impossível repetir essa comemoração, já que a Fifa proíbe qualquer tipo de intervenção gráfica em suas transmissões. Resta ao torcedor brasileiro apenas ouvir a locução de Galvão Bueno, mesmo.

Zebra marcou presença nos jogos de Camarões

Efeitos especiais
Antes da proibição da federação, as emissoras abusavam de efeitos especiais. Nos anos 1980, quando um replay era exibido, era comum um "R" ficar piscando na tela durante o lance.

A Globo também colocou uma zebrinha passeando pela tela durante os jogos da seleção de Camarões na Copa de 1990 _a equipe africana foi mais longe no Mundial do que times tradicionais, como Uruguai, Espanha e Brasil.

Tira-teima
A grande novidade da Globo para a Copa de 1986 foi o Tira-teima, um inovador sistema que conseguia transformar as jogadas em imagens de computador para tirar dúvidas em lances importantes das partidas.

A tecnologia, bem rústica na primeira utilização, foi aprimorada nas Copas seguintes, mas se tornou obsoleta, tamanho o avanço tecnológico das transmissões. Em 2018, então, com árbitro de vídeo (VAR) e aviso da linha do gol no relógio dos juízes (já presente em 2014), não faz a menor falta.

Fausto Silva exibe a revista do Bolão do Faustão

Bolão do Faustão
Fausto Silva foi contratado pela Globo em 1989 e esteve na cobertura da Copa de 1990, disputada na Itália. Além de arriscar comentários durante os jogos (afinal, ele já foi repórter esportivo), o apresentador comandou o Bolão do Faustão, que sorteava carros antes, no intervalo e depois de cada jogo. A ação aconteceu por carta em 1990 e 1994. Depois, até 2010, por meios eletrônicos e com outros nomes.


THELL DE CASTRO é jornalista, editor do site TV História e autor do livro Dicionário da Televisão Brasileira. Siga no Twitter: @thelldecastro

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