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MEMÓRIA DA TV

Gloria Perez escreveu novela até o fim mesmo após o assassinato da filha

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Foto de Daniella Perez abraçada a Gloria Perez, ambas sorrindo

Daniella Perez e Gloria Perez; a autora escreveu novela até o fim mesmo após a morte da filha

THELL DE CASTRO

Publicado em 17/7/2022 - 7h15

Uma tragédia abalou o Brasil no dia 28 de dezembro de 1992. A atriz Daniella Perez, uma das estrelas da novela De Corpo e Alma, que estava no ar na Globo, foi brutalmente assassinada por seu colega de elenco Guilherme de Pádua e pela então mulher dele, Paula Thomaz.

O caso, que agora voltou aos holofotes por causa do lançamento da série documental Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez, que será lançada pela HBO Max no próximo dia 21, comoveu o Brasil na época. E, se não bastasse o sofrimento de perder a filha, Gloria Perez era a autora da novela.

Ao mesmo tempo em que ofereceu total suporte para a autora, a Globo começou a pensar no que fazer. Tirar a trama do ar temporariamente? Encerrá-la precocemente e colocar uma reprise no ar? Dar prosseguimento com outros autores? Essa última opção, inicialmente, foi a escolhida.

No entanto, ainda no velório, Gloria deixou claro que iria continuar escrevendo a história. "Fomos ao velório, eu e a Leonor, para prestarmos solidariedade. Chegando lá, a Gloria nos falou que só não teria condições de criar a cena em que a Daniela sairá da novela. Quanto ao restante da história, ela pretende escrever", declarou Ana Maria Moretzsohn ao jornal O Globo de 30 de dezembro de 1992.

"A Gloria insistiu em dizer que não quer deixar a novela. Ela disse que o trabalho é a única escapatória que tem para não morrer junto com a filha", informou o diretor Daniel Filho na mesma reportagem.

Logo em seguida, Moretzsohn e Leonor Bassères, supervisionadas por Gilberto Braga, fizeram uma revisão dos capítulos 128 ao 152, já escritos por Gloria, e trabalharam pelos sete dias seguintes ao crime.

Autora seguiu até o fim

Bravamente, Gloria Perez retomou seu trabalho e conduziu a novela até o fim. Além disso, passou a fazer uma campanha para que o homicídio fosse transformado em crime hediondo, o que foi alcançado em 1994, após a coleta de 1,3 milhão de assinaturas.

"Senti que precisava defendê-la e, para tal, tinha de fazer o esforço sobre-humano de ser mais forte que a dor. Por isso continuei a novela. Como um exercício de manter um vínculo com o real. Eu trabalhava e, ao mesmo tempo, fazia a campanha pela mudança da lei. Corria atrás das provas e das testemunhas. Eu não sou a única mãe que fez isso. Mãe de filho assassinado, no Brasil, não tem direto a luto. Ou ela se mexe ou acaba ficando por isso mesmo", declarou a autora ao livro A Seguir, Cenas do Próximo Capítulo, de André Bernardo e Cintia Lopes.

Yasmin, personagem de Daniella, saiu da trama para fazer uma viagem de estudos. Foi feita uma homenagem pelo elenco. Já Bira, vivido por Pádua, simplesmente sumiu da obra.

Condenados, Guilherme e Paula cumpriram apenas sete dos anos em que teriam que ficar presos - 19 para ele e 15 para ela.

O crime acabou afetando outra novela da autora: em 1996, O Rei do Gado estava com sua produção atrasada, mas a Globo não pôde alongar Explode Coraçãon (1995), que estava no ar, porque havia acordado com Gloria que ela seria liberada para o julgamento.

Dessa forma, a emissora colocou no ar O Fim do Mundo, que seria uma minissérie e teve apenas 35 capítulos.


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