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EXPERIÊNCIA NOVA

Filhos, vizinhos e internet: Os desafios de narradores e comentaristas no home office

REPRODUÇÃO/TWITTER

Paulo Andrade em narração de sua casa

Paulo Andrade em narração de sua casa; narradores e comentaristas enfrentaram desafios no home office

RICARDO MAGATTI

ricardo@noticiasdatv.com

Publicado em 27/12/2020 - 7h15

Em um ano atípico em virtude da pandemia de covid-19, jornalistas esportivos se viram obrigados a enfrentar um desafio até então desconhecido: o trabalho em home office nos programas ao vivo e também nas transmissões de jogos do futebol. As cabines dos estádios e os estúdios foram trocados por um espaço reservado na casa dos profissionais, que se desdobraram para minimizar os problemas e entregar ao telespectador as melhores transmissões possíveis.

O Notícias da TV conversou com os narradores Paulo Andrade e João Guilherme, o comentarista Mauro Beting e a apresentadora Daniela Boaventura para entender como foi a experiência de exercer suas funções remotamente, algo inesperado e, para alguns, inimaginável até antes da pandemia.

Todos foram unânimes em dizer que a grande vantagem de trabalhar de casa é o fato de não precisar se deslocar para os estúdios, o que permite uma rotina um pouco mais flexível, com horas a mais de sono e tempo extra com a família. Os profissionais, por outro lado, consideram que os pontos negativos são os problemas técnicos, ocasionados, muitas vezes, pela falha na conexão da internet, por melhor que seja a tecnologia. Adaptar o lar, com filhos, cachorros e vizinhos às suas rotinas profissionais também foi um desafio.

"Foi absolutamente exótica a experiência. Jamais imaginei que passaria por isso. Se me perguntassem há um ano se eu estava preparado para trocar o estúdio pela minha casa, eu responderia de bate-pronto que não porque a exigência para a narração de um evento é muito alta. A concentração tem de ser muito alta. E como você consegue se concentrar com filho pequeno, cachorro latindo, telefone e interfone tocando e a movimentação das pessoas?", avalia Paulo Andrade, narrador do Grupo Disney.

"Foi inesperado e muito enriquecedor. Aprendi muito fazendo algo completamente novo e que me deu muito mais segurança, improviso, na hora que voltei a fazer algumas transmissões em estúdio. Dá para dizer que saí muito mais preparado do que antes. Aprendi uma nova forma de trabalhar, que pode ser útil numa situação de emergência. Foi muito interessante", analisa João Guilherme, que também trabalha para a empresa do Mickey.

Neste ano, os canais ESPN e Fox Sports começaram a fusão, e os profissionais passaram a circular nas duas emissoras. O Fox Sports acertou a demissão de vários jornalistas, dando continuidade ao processo de reformulação da Disney, e está operando com quadro reduzido de funcionários em sua sede no Rio de Janeiro. No momento, apenas jogos de mais apelo, como as finais da NBA e as partidas da Libertadores, são feitos nos estúdios dos canais.

Daniela Boaventura afirma que passou a valorizar ainda mais o trabalho nos bastidores da TV e que montou o cenário no seu lar a fim de se aproximar do telespectador o máximo possível.

reprodução/instagram

Daniela Boaventura se maquia em casa

"Maquiar, fazer cabelo, arrumar o cenário, arrumar a luz, fui fazendo vários ajustes conforme eu via dificuldade porque sou muito perfeccionista, e isso me fez valorizar ainda mais o trabalho do outro. Aprendi o tanto que é difícil fazer uma luz, o tempo que se gasta para secar um cabelo", destaca ela.

"E assim foi indo, fomos ajeitando e fui criando meu cenário, que hoje tem coisas que são importantes pra mim, como um livro do tema antirracismo, que é um assunto necessário na sociedade hoje. Tem o troféu da Libertadores, tem coisas que ganhei como uma bola de tênis da Rio-2016, que é de quando entrevistei o [Rafael] Nadal. Então, tentei compor aquilo de forma que o espectador pudesse se aproximar do meu mundo", completa.

Relação com os vizinhos

A apresentadora conta que sofreu com o barulho das obras do vizinho e que sente falta do convívio com os colegas, mas que foi satisfatório poder estar mais perto dos familiares e ter mais tempo sem o deslocamento diário. "Ao mesmo tempo em que você perde o trabalho, você ganha sua casa, sua família, tempo fora do trânsito, você acaba de sair do ar e pode descer e passear com o cachorro. A gente ganhou um tempo de convívio precioso dentro de casa."

Paulo Andrade endossa a fala da colega e explica que teve de preparar o seu ambiente para que as transmissões não fossem afetadas. Segundo ele, os vizinhos não reclamaram do barulho nas narrações e foram compreensivos.

"Toda vez que eu vou narrar um jogo, a casa está preparada para isso, com telefone fora do gancho, cachorro isolado em outro ponto para o latido não vazar no microfone que eu uso. Então, existe todo um processo de preparação que eu fui pegando aos poucos, até passando por algumas situações engraçadas. Então, eu acho que o processo acabou sendo muito positivo", observa o profissional, voz conhecida nos jogos da Premier League. 

Reprodução/instagram

João Guilherme a postos para transmissão 

"O meu áudio chega a vazar até a casa do vizinho, e ele me encontrou no elevador e me disse uma vez: 'Eu tinha esquecido que tinha tal jogo, mas te escutei gritar pelas paredes e aí liguei a televisão para acompanhar o jogo'. Teve até um vizinho que mora dois andares abaixo do meu e chegou a dizer que se lembrou que tinha determinado jogo por me ouvir gritar", relata.

Para João Guilherme, o balanço final indica que há mais pontos negativos do que positivos na nova rotina. No entanto, o trabalho longe dos estúdios se apresenta como uma opção importante. "Sem dúvida, há mais desvantagens do que vantagens. Mas é uma forma de trabalhar que pode ser usada, sem ser a principal, vira uma grande alternativa para se fazer programas, transmissões. A prática mostrou que isso é possível", pontua.

Pioneiro

Comentar partidas remotamente não é exatamente uma novidade para Mauro Beting. O experiente jornalista foi um dos primeiros comentaristas a fazer uma transmissão de casa na história da TV brasileira. Isso lá em 2010, no Esporte Interativo --que, por uma questão de logística, colocou uma antena parabólica no apartamento onde ele morava em São Paulo durante a exibição de um duelo da Champions League.

"É uma experiência divertida porque é um jogo que comentamos de qualquer lugar. Já tenho 30 anos em transmissões de estádio e estúdio. Agora de casa é muito mais gostoso, até porque acontecem coisas como outro dia em que fiz um jogo do Campeonato Italiano no Esporte Interativo, saí do ar e na sequência, um minuto depois, emendei um jogo do Brasileirão pela Jovem Pan", exemplifica Beting, que também é editor da revista Corner, mantém blogs no Yahoo e Nosso Palestra, é autor de vários livros e roteirista de alguns documentários.

Pela sua longa experiência no futebol, Beting foi contratado pelo SBT para as transmissões da Libertadores. Na nova casa, fez todos os confrontos diretamente do estúdio da emissora de Silvio Santos. No momento, também tem trabalhado mais presencialmente do que em casa. Mas, meses atrás, fez comentários no seu escritório em partidas para o Esporte Interativo e a Jovem Pan, e também em programas dessas emissoras.

Reprodução/instagram

Mauro Beting em seu escritório em casa

"Eu confesso que, não podendo estar no estádio, eu prefiro estar em casa do que no estúdio", opina o comentarista, fazendo a ressalva de que problemas técnicos também acontecem nos estúdios.

"Já cheguei a ficar mais de 15 minutos sem ver o jogo, sem retorno de imagem, em um confronto em Quito, no Equador, mas continuei comentando mesmo assim", diz. "Então dá para dizer que pelos meus anos de janela e tantas coisas que podem dar errado em uma transmissão, é uma delícia poder sair do ar e já beijar a mulher e os filhos."


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