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REFLEXOS CULTURAIS

De coronavírus a bacilo de Koch: Micróbios são os maiores vilões da TV e cinema?

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Em uma cama de UTI, Julio Andrade como Evandro está intubado com Marjorie Estiano como Carolina está coberta com capote, máscara e faceshield ao lado do leito em Sob Pressão: Plantão Covid

Julio Andrade e Marjorie Estiano em Sob Pressão: Plantão Covid; pandemia redefine rumos de nossas histórias

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 27/12/2020 - 6h50

Um vírus de 120 nanômetros paralisou a indústria do entretenimento durante meses e, em meio às primeiras doses de vacina, ainda impõe desafios para que a TV e o cinema voltem a produzir obras inéditas. A pandemia de Covid-19 inegavelmente deixará marcas profundas na cultura. Os microrganismos, no entanto, já mexem com as histórias humanas desde muito antes.

A bactéria Yersinia pestis, por exemplo, devastou a Europa durante o século 14 com a peste bubônica. O rastro de destruição resultou em mudanças tão profundas que a Idade Média deu lugar ao Renascimento. A fisionomia das vítimas de tuberculose no século 19 levou as pessoas a imaginarem seres pálidos e sem sangue. Os vampiros nunca estiveram tão na moda.

"Tudo o que existe socialmente também existe literariamente e vice-versa. Sempre que houve doenças que abalaram a sociedade, a literatura tratou dessas questões e foi transformada por elas. Um dos exemplos relativamente recentes é o HIV", explica Maria Amélia Dalvi, professora doutora do Centro de Educação da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo).

A pesquisadora conduziu um projeto de extensão em forma de clube de leitura para revisitar textos literários que tematizam pestes, epidemias e pandemias. Uma primeira seleção inclui desde o vibrião colérico que arrasou a Colômbia em O Amor nos Tempos do Cólera, de Gabriel García Márquez, até o fictício "branco" de Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago.

Diante do coronavírus, Maria Amélia observa que a profusão de lives e a proliferação de canais de YouTube podem acelerar transformações, mas também levar a um cansaço da experiência online. "Talvez o efeito seja até reverso, com a valorização da experiência tátil, mas certamente não passaremos incólumes", aposta a especialista.

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

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De volta à rua

Esse excesso de tempo que o público passou conectado também será um fator determinante para a nossa cultura na opinião de Daniela Zanetti, doutora em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA (Universidade Federal da Bahia).

"As narrativas transmídia se consolidaram, e é cada vez maior a produção de conteúdo complementar ou de expansão criados a partir de obras feitas para a TV ou cinema. Inclui desde vasto material direcionado para as redes sociais, mas também ações que geram experiências offline, como atividades ao ar livre e jogos de mesa", avalia a professora.

Na prática, o coronavírus não vai fazer com que filmes se transformem em threads do Twitter, mas a plataforma será uma forma de compartilhar ou prolongar o nosso contato com uma determinada obra. A estrutura narrativa dos próximos anos deverá ser a que já estamos acostumados há décadas em termos de linearidade, ritmo ou enredo.

"A linguagem das redes é marcada pela efemeridade, velocidade, economia, mobilidade. São características que nem sempre são úteis para se contar uma história que se pretende capaz de prender a atenção do público", alerta ela, que imagina um primeiro momento em que as pessoas vão preferir socializar in loco do que digitalmente.

O impacto econômico, porém, pode levar as pessoas a apostarem mais em assinaturas de serviço de streaming do que a pagarem por um ingresso em uma sala de cinema. Com o caixa mais robusto, novas histórias originais podem pipocar, até mesmo as mais arriscadas --talvez o início do fim de fórmulas testadas para evitar fiascos de bilheterias, um adeus aos remakes.

"Fatores como a diminuição do poder aquisitivo da população durante e após a crise, o aumento da insegurança nas grandes cidades e problemas de transporte urbano vão afetar a circulação de pessoas, favorecendo o consumo de entretenimento em casa", analisa Daniela.

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