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O MECANISMO

Série da Netflix chama Lula, FHC, Aécio e Temer de ladrões na vinheta de abertura

Fotos: Reprodução/Netflix

Luiz Inácio Lula da Silva recebe a faixa de Fernando Henrique Cardoso na abertura de O Mecanismo - Fotos: Reprodução/Netflix

Luiz Inácio Lula da Silva recebe a faixa de Fernando Henrique Cardoso na abertura de O Mecanismo

LUCIANO GUARALDO

Publicado em 3/5/2019 - 15h23

Criticada em sua primeira temporada por atirar contra Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Aécio Neves e Michel Temer, a série O Mecanismo volta no dia 10 sem medo de desferir novos golpes contra políticos, tanto de esquerda quanto de direita. Logo na abertura, totalmente reformulada, esses personagens da vida real são chamados de "ladrões".

A nova vinheta é embalada por Reunião de Bacana, canção do grupo Exporta Samba regravada por Bezerra da Silva (1927-2005), conhecida pelos versos "se gritar 'pega ladrão', não fica um, meu irmão". Na série da Netflix, a faixa é interpretada pelo cantor Antonio Pinto.

Enquanto a música toca, são mostrados vídeos de vários políticos, empresários, doleiros e empreiteiros com os olhos cobertos por uma tarja desfocada --o único diferente é o ex-presidente Michel Temer, que surge apenas com os olhos à mostra e o resto do rosto fora de foco. Apesar do recurso, todos são reconhecíveis.

Estão na "lista de ladrões" de O Mecanismo nomes que atravessam a história da política no Brasil, de Tancredo Neves (1910-1985), ao próprio Michel Temer, passando por José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco (1930-2011), Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff, Geraldo Alckmin, Sérgio Cabral e Aécio Neves.

Ao mesmo tempo, imagens de prédios de Brasília vão sendo cobertos por uma mancha que simula lama, uma crítica nada discreta à situação política do país.

Michel Temer é o único com os olhos à mostra, mas o resto de seu rosto fica desfocado


Ficção real demais

A referência direta (ainda que desfocada) a pessoas reais vai de encontro à estratégia montada por José Padilha e Elena Soarez, cocriadores de O Mecanismo, de usarem nomes diferentes (mas muito parecidos) para os personagens da série.

Foi assim que o doleiro Alberto Youssef virou Roberto Ibrahim (Enrique Diaz), Dilma Rousseff se tornou Janete Ruscov (Sura Berditchevsky), Michel Temer é chamado de Samuel Thames (Tonio Carvalho) e o Aécio Neves da ficção ganhou o nome Lúcio Lemes (Michel Bercovicht).

A segunda temporada de O Mecanismo se passa em 2014, após as eleições presidenciais que reelegeram Janete. Verena (Carol Abras) já prendeu 12 dos 13 principais empreiteiros do Brasil. Fica faltando um, o maior de todos: Ricardo Brecht (Emilio Orciollo Netto, em clara alusão a Marcelo Odebrecht).

Confira o trailer da segunda temporada de O Mecanismo, que estreia dia 10:

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