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Para crescer no Brasil, Netflix investe em girl power na frente e atrás das câmeras

Fotos: Alexandre Schneider e Mauricio Santana/Netflix

Maria Casadevall, Emanuelle Araújo, Vaneza Oliveira e Paloma Bernardi: mulheres em alta na Netflix - Fotos: Alexandre Schneider e Mauricio Santana/Netflix

Maria Casadevall, Emanuelle Araújo, Vaneza Oliveira e Paloma Bernardi: mulheres em alta na Netflix

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 14/03/2019, às 06h29

Uma ficção científica em um futuro distópico. Uma comédia sobre uma ex-estrela mirim decadente. Um drama de época sobre o surgimento da bossa nova. Um suspense sobre o confronto de fé e ciência no Pantanal. Para crescer no mercado brasileiro, a Netflix tem investido em séries de vários gêneros, mas que têm algo em comum: a força de suas mulheres, tanto personagens fictícias quanto as que estão atrás das câmeras.

"A Netflix tem essa postura, essa questão da abertura, da mudança de trazer o novo para dentro, de aceitar que está mudando e crescer com isso. E é realmente um privilégio fazer parte disso", elogiou Bianca Comparato, estrela de 3%, primeira série nacional da plataforma e cuja terceira temporada chega ainda neste ano.

"Nós temos duas diretoras em 3%, e agora temos duas roteiristas mulheres também, e eu acho muito importante ter essa presença feminina", ressaltou a atriz de 33 anos.

O girl power foi um dos focos de um evento realizado pela plataforma de streaming na quarta-feira (13) para promover algumas de suas produções brasileiras. Além de 3%, foram apresentadas a segunda temporada da comédia Samantha! e as estreias O Escolhido e Coisa Mais Linda.

Das quatro, a última é a que deixa a presença feminina mais evidente. Marcada para ser lançada no próximo dia 22, a série tem a norte-americana Heather Roth na equipe de criação e quatro atrizes como protagonistas: Maria Casadevall (Malu), Pathy Dejesus (Adélia), Mel Lisboa (Thereza) e Fernanda Vasconcellos (Lígia).

Esse quinteto se uniu, com a inclusão ainda da diretora Júlia Rezende (do filme Ponte Aérea), para contar a luta dessas personagens no Rio de Janeiro de 1959, época em que a bossa nova começava a surgir, e as mulheres eram reprimidas e não tinham voz para nada. Em meio a esse cenário desafiador, Malu decide abrir um clube noturno por conta própria, sem nenhum homem para ajudá-la.

"A gente está evoluindo, caminhando, mas eu acho que essa caminhada é muito longa. E eu acho que Coisa Mais Linda nesse momento se propõe a ser um ponto de partida e um ponto de reflexão relevante dentro desse contexto", expôs Maria.

O fato de a atração se passar há 60 anos não tira sua contemporaneidade, pois muito do que as personagens enfrentam na série continua sendo uma batalha das mulheres atuais. "E eu acho que ser uma série de época provoca um distanciamento no espectador que causa um certo conforto, e dessa posição confortável ele acaba refletindo e percebendo que muitas coisas acontecem até hoje", disse Mel.

pedro pinho/netflix

Elenco e equipe das séries da Netflix durante o evento de quarta-feira (13): mulheres dominam


Duelo de titãs

Com tanto espaço para mulheres, há a possibilidade de explorar uma gama de personagens femininas diferentes --a diretora Dani Libardi, de 3%, até brincou que a plataforma já superou a "síndrome de Smurfete", em referência a única mulher entre os Smurfs e cuja característica principal era simplesmente o seu gênero.

Assim, Coisa Mais Linda explora desde a jovem mimada da alta sociedade à moradora da comunidade que trabalha como doméstica, 3% coloca uma mulher (Nair, vivida por Zezé Motta) como a líder do conselho que rege o Maralto, e a militar Marcela (Laila Garin) à frente das forças do exército.

Há ainda espaço para a mulher divertida, caso de Samantha (Emanuelle Araújo), que foi estrela mirim nos anos 1980 e agora luta para se manter nos holofotes. Na segunda temporada, que será lançada em 19 de abril, uma outra empoderada surge no caminho da ex-criança mais amada do Brasil. Trata-se de Socorro (Zezeh Barbosa), sogra de Samantha que transforma a vida dela em um inferno.

"São duas mulheres fortes, poderosas, que batem de frente por causa do Dodói [Douglas Silva], mas que também se respeitam e admiram as qualidades uma da outra. A Socorro jamais questiona o papel que a Samantha tem em casa, por exemplo", explicou Zezeh, veterana com mais de três décadas de carreira e que faz sua estreia no serviço de streaming depois de anos de serviço prestado à Globo.

Paloma Bernardi, também novata na Netflix, se surpreendeu com o seu papel na série O Escolhido, ainda sem data de estreia. Ela interpreta uma médica que vai para uma comunidade isolada no Pantanal para vacinar a população local e acaba se deparando com um líder espiritual que trabalha como curandeiro na região.

"A doutora Lúcia é uma personagem diferente de tudo que eu já tinha feito na minha carreira. Já interpretei muitas personagem submissas, e é interessante fazer uma profissional, dona de si, que sabe o que quer da vida", valorizou ela, que também tem uma mulher nos bastidores --a escritora Carolina Munhoz divide com Raphael Draccon o posto de showrunner da série, adaptação da mexicana Niño Santo (2011).

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