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CRÍTICA

Espelho da Vida escapa da doutrinação, mas peca pela lentidão excessiva

João Miguel Júnior/TV Globo

Irene Ravache, Vitória Strada e João Vicente de Castro em foto da novela Espelho da Vida: trama lenta - João Miguel Júnior/TV Globo

Irene Ravache, Vitória Strada e João Vicente de Castro em foto da novela Espelho da Vida: trama lenta

RAPHAEL SCIRE

raphascire@gmail.com

Publicado em 13/10/2018 - 7h04

Se Elizabeth Jhin pode ter orgulho de uma coisa, é de que ela não se trai. A autora de Espelho da Vida, nova trama das seis da Globo, construiu um universo ficcional próprio e, ainda que não seja tão original, é sempre fiel a ele. De suas novelas, o público pode esperar viagens cósmicas e encontros com vidas passadas, sem doutrinação. Tudo temperado com os romances imprescindíveis a qualquer obra de dramaturgia.

O elemento sobrenatural de Espelho da Vida envolve a protagonista Cris (Vitória Strada), uma atriz que interpretará a história de Julia Castelo, jovem morta misteriosamente na fictícia Rosa Branca. É lá que, ao se aprofundar na personagem, Cris começa a conhecer o próprio passado espiritual toda vez que se depara com um espelho, o portal que a transporta para a realidade de Julia.

O grande trunfo da autora é não fazer propaganda doutrinária da religião espírita. O tema é tratado com respeito e não há, ao menos até agora, a intenção de converter ninguém _uma lição a ser aprendida pelo bispado da Record, em suas constantes interferências nas novelas bíblicas da emissora.

A direção de Pedro Vasconcelos acrescenta ainda um quê de suspense à trama ao potencializar o lado "sinistro" com a figura de Senhora (Suzana Faini), atrás de quem Cris sempre sai correndo para descobrir mais detalhes do casarão abandonado onde um dia Julia viveu, e Isabel (Alinne Moraes), cujo olhar é realmente assustador.

Vilã da história, Isabel teve um conturbado relacionamento com Alain (João Vicente de Castro), namorado de Cris e diretor do filme a ser rodado. Ainda que não tenha deixado explícito, Isabel fará de tudo para reconquistar Alain e separá-lo de Cris. Junto à seminovata Vitória Strada, Alinne tem o destaque merecido na história.

Outro ponto positivo na construção de Espelho da Vida é a sutileza na ambiguidade dos personagens. Até que ponto Alain é o mocinho de verdade? O diretor já demonstrou ter repentes, falas agressivas e posições um tanto quanto machistas, mas ao mesmo tempo demonstra amabilidade com a namorada.

O relacionamento dos dois tende a ser abalado com a chegada da outra ponta do triângulo amoroso, Pedro (Rafael Cardoso), que nos anos 1930 foi Danilo, acusado de ser o assassino de Julia.

Mesmo assim, o folhetim peca pela lentidão excessiva de sua narrativa. Além da demora em estabelecer o conflito do triângulo principal, o ponto mais interessante de Espelho da Vida, a história de Julia Castelo, com suas relações familiares, ainda não foi totalmente apresentado.

A recorrência dos flashbacks de Cris foi cansativa e o "reencontro" da protagonista com Julia Castelo demorou para acontecer, o que causou uma sensação de enrolação e deixou a história arrastada.

E ainda que Margot (Irene Ravache) seja a porta-voz da temática espírita que rodeia a trama, é preciso apontar o desperdício que é colocar uma atriz tão competente como Irene em cenas nas quais a personagem aparece falando sozinha.

Espelho da Vida não trouxe grandes novidades para os telespectadores do horário. Embora a audiência até então tenha se mostrado satisfatória, um pouquinho a mais de dinamismo não fariam nada mal à história.


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